Olhar para a frente, evitar o retrovisor

Por Dirceu Cardoso Gonçalves |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é tenente, dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)

Todo motorista sabe que, para bem conduzir seu veículo, tem de olhar para a frente. E que o retrovisor só tem utilidade quando se dá a ré ou para se safar de algum risco, como um possível veículo desgovernado que possa vir a bater na traseira. O acessório é útil, mas tem funções limitadas. Aplicada ao ato de governar, a teoria e função do retrovisor indica que a direção a seguir é à frente e que olhar demasiadamente pelo espelho se, por um lado, impede o condutor de cometer os mesmos erros do passado ou os que seus antecessores praticaram, pode também levá-lo a desviar o trajeto e enfrentar solavancos em terrenos impróprios.

O presidente Lula precisa policiar-se para evitar o excesso de retrovisor e dar ordem aos seus auxiliares para fazerem o mesmo. O povo espera que o governo cumpra sua missão e com isso possa levar o País a melhores dias. Quem se elegeu é porque, conquistou os votos, demonstrando saber dos problemas e tendo como resolvê-los. O passado é passado, aquela espécie de carta fora do baralho, sem utilidade. Invocá-lo e lançar críticas ao antecessor não ajuda em nada; pelo contrário, pode retirá-lo do ostracismo e transformá-lo em vítima credora da solidariedade popular. O próprio presidente Lula, na sua atribulada vida política dos últimos anos, foi vítima e beneficiário desse fenômeno e, por isso, deveria evitá-lo.

Embora em momentos pontuais chegue a se inflamar e até cometer atos estúpidos dos quais depois se arrepende - vide o quebra-quebra dos palácios de Brasília - o povo é potencialmente distante do embate político-ideológico. É melhor deixá-lo assim em vez de tentar torná-lo militante e, como resultado, ter a polarização e a manutenção permanente do clima de embate eleitoral. A todos os instantes da vida é coisa para políticos, que dedicam todos os seus esforços à causa. O povo - que só pode influir a cada dois anos - na hora em que vai votar para eleger seus representantes, deve ser poupado para poder estudar, trabalhar e conviver sem a discutível divisão entre "nós" e "eles". A politização, se ocorrer, deve ser resultado cultural do próprio indivíduo, não do ambiente que lhe é imposto com proselitismo, teorias e até mistificações.

Para o cidadão comum, pouca diferença faz quem está no poder, desde que esse cidadão governe sem sobressaltos e oportunize o funcionamento da sociedade. Tenho a certeza de que Lula e Geraldo Alckmin fazem uma parceria de qualidade. O primeiro com o seu reconhecido carisma e a comunicação fácil e o segundo com a sua discrição e a experiência de quem já viveu uma longa vida administrativa e legislativa. Geraldo Alckmin, vereador, presidente da Câmara e prefeito de Pindamonhangaba, sua cidade natal, deputado estadual e federal, vice-governador e governador de São Paulo e agora, presidente da República, assumindo o governo durante a viagem de Lula à Argentina.

O povo não militante - que é a maioria - torce para que tudo dê certo e o resultado seja desenvolvimento e bem-estar social. A marcha do País ao seu sonhado grande destino...

Comentários

Comentários