MUNDO DIGITAL

Chance de ser vítima de crime na Web é tão alta quanto na rua, diz pesquisa

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Markus Spiske
A chance de uma pessoa ser vítima de um crime na Internet no País é tão alta quanto a de ser atacada por um bandido na rua
A chance de uma pessoa ser vítima de um crime na Internet no País é tão alta quanto a de ser atacada por um bandido na rua

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, considerado o maior centro de estudo em tecnologia do mundo, revela um dado preocupante sobre o Brasil. A chance de uma pessoa ser vítima de um crime na Internet - desde ameaças e injúrias até os tão praticados golpes - no País é tão alta quanto a de ser atacada por um bandido na rua. Para reduzir esses riscos no universo digital, especialistas ouvidos pelo JC dão dicas de prevenção e elencam as estratégias de estelionato mais comuns hoje na Web (veja no quadro no final).

O relatório do MIT, chamado, em tradução livre, de Índice de Defesa Cibernética, avalia as práticas adotadas pelos países integrantes do G20 - principais economias do globo - para aumentar a segurança nas transações digitais. Segundo o estudo, o Brasil apresenta "carência de investimentos e regulamentações" e só está à frente da Turquia e Indonésia, ocupando a 18.ª posição do ranking geral.

"Esse resultado é alarmante. Nos últimos anos, os brasileiros se digitalizaram rapidamente, porém, sem a ciência dos cuidados necessários nesse universo. E os criminosos, apesar de não terem muita técnica, têm bastante criatividade para criar golpes. Além disso, tivemos um avanço da hostilidade, de crimes como ofensa racial e ameaça", detalha José Milagre, advogado de Bauru especialista em crimes cibernéticos e proteção de dados.

RECURSOS E CUIDADOS

Como recursos para dar maior segurança digital, o Brasil conta com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e, mais recentemente, com o endurecimento da punição para o crime de estelionato, com a fraude eletrônica.

"Mas, para evitar, devemos estar sempre atentos e informados sobre os diferentes tipos de golpes; lembrar que bancos e instituições não ligam ou mandam mensagem pedindo senhas ou códigos; não realizar operações sensíveis em redes de Internet públicas; ter um bom antivírus no computador ou celular; e, principalmente, sempre desconfiar e procurar fontes oficiais", completa Milagre.

INVESTIGAÇÕES

Alexandre Protopsaltis, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG/CPJ) da Polícia Civil de Bauru, que lida com grande parte dos crimes digitais registrados no município, afirma que a corporação conta com policiais capacitados para apurar esse tipo de delito.

"O problema é que o volume de ocorrências que recebemos, no geral, é altíssimo. E, na Internet, são vários tipos de crimes, que vão desde injúria até extorsão. Essas investigações, muitas vezes, precisam de dados de grandes empresas, e a solicitação delas passa por uma grande burocracia administrativa e jurídica. Então, tudo demanda um tempo grande", detalha o delegado.

'MEU PAI ENVIOU PIX DE R$ 1,2 MIL PARA O GOLPISTA', LAMENTA ARQUITETO

O arquiteto Brunno Souza, de 35 anos, conta que, nesta quinta-feira (19), sua identidade foi utilizada por criminosos no chamado 'golpe do WhatsApp'.

"Usando meu nome e foto em um número diferente, eles mandaram mensagem para minha mãe, dizendo que eu estava trocando de aparelho e, por isso, estava com problema no meu app do banco. Pediram que ela ajudasse fazendo um Pix. Pensando estar falando comigo, ela pediu para meu pai enviar R$ 1,2 mil", relata.

"Quando ele fez a transferência e mandou o comprovante para meu número verdadeiro, descobrimos o golpe", conclui o arquiteto de Bauru, que já registrou boletim de ocorrência.


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