ANO NOVO

Renascimento da Cultura em 2023

Por Bárbara Blum e Redação |
| Tempo de leitura: 4 min
Pedro Ladeira/Folhapress
A cantora Margareth Menezes (veja mais no final)
A cantora Margareth Menezes (veja mais no final)

A virada do ano vem como uma luz no fim do túnel para a área cultural no Brasil. O anúncio da volta do Ministério da Cultura, antes ligado ao da Educação e reduzido a uma secretaria do Turismo, elevou as expectativas de que o setor voltará a ganhar atenção - e investimento - do governo.

A pasta será encabeçada por Margareth Menezes, cantora, ícone do Carnaval baiano. A escolha busca ecoar o mandato pop de Gilberto Gil e carrega significado para os que clamam por mais representatividade.

Mas nem tudo são flores. O nome de Menezes, apoiado pela mulher do futuro presidente Lula, despertou discordâncias dentro do próprio PT, com alas que preferiam um perfil mais técnico para reativar o ministério.

A cantora, porém, parece saber o desafio que tem em mãos e se refere ao trabalho como "missão" e "força-tarefa". Ela herda os escombros de uma secretaria que protagonizou escândalos, como a alusão ao nazismo de Roberto Alvim.

ALDIR BLANC

Engrossa o coro das dificuldades a implementação da Lei Aldir Blanc 2, sancionada em agosto, que garante repasse anual de R$ 3 bilhões da União para estados e municípios.

O montante é inédito na área da cultura, mas não tira a necessidade de reforma e revisão da Lei Rouanet. Também deve entrar na pauta do dia a regulamentação dos serviços de streaming.

NOVIDADES

Política à parte, e algo que pode ser alvo dela, as superproduções marcaram 2022 no streaming, com títulos como "A Casa do Dragão" e "Os Anéis de Poder", da HBO, "Wandinha" e "Stranger Things", da Netflix, e 2023 deve seguir a mesma linha - e turbinar a aposta em títulos de pegada retrô, caso de "That 90s Show", versão dos anos 1990 da cultuada "That 70s Show".

CINEMA INTERNACIONAL

Na toada do repeteco, os remakes e as franquias também ditam o tom dos lançamentos no cinema. Além das tramas de heróis, como "Aquaman", "Homem-Aranha", "Transformers", "Guardiões da Galáxia" e "The Marvels" para o sempre bem servido público nerd, entram em cena filmes inspirados em jogos, caso dos longa baseados nos games do encanador Mario, da Nintendo, e no jogo "Dungeons and Dragons", figurinha carimbada na trama da série "Stranger Things".

"Creed 3", "Pânico 6", "Duna 2" e os novos "Velozes e Furiosos" e "Missão Impossível" engordam a farta lista das franquias.

Prometem causar frisson, para o bem ou para o mal, "The Flash", estrelado por Ezra Miller, acusado de assédio sexual em 2022, e "A Pequena Sereia", protagonizada por Halle Bailey, que agitou as redes sociais por ser a primeira atriz negra a interpretar a criatura mítica.

"Barbie", de Greta Gerwig, e "Wonka", de Paul King, são as ofertas para o público cult que não larga o osso pop. Entre os nomes consagrados, 2023 promete "Oppenheimer", novo de Christopher Nolan, e "Roosevelt" de Martin Scorsese.

TELEVISÃO

Na TV, a novidade é a renovação das concessões de emissoras de TV pelo presidente Jair Bolsonaro. Entre as beneficiadas pela medida, está a Globo, emissora que viveu um 2022 de altos e baixos, com o sucesso de "Pantanal" e o fracasso da última edição do reality Big Brother Brasil, além da debandada de nomes importantes da casa, como a atriz Marieta Severo.

TEATRO

No teatro, o mero anúncio da volta do Ministério da Cultura já causou rebuliço. Espaços históricos, caso do teatro Paiol Cultural e do Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, entram em 2023 com promessas de reformas e reativações.

Sem grandes novidades, a agenda continua tomada de grandes produções e roteiros importados, caso dos musicais "Mamma Mia!", "Wicked", "Rei Leão" e "Bob Esponja".

SHOWS

Vêm de fora do país, também, os grandes shows do ano. Backstreet Boys, Paramore, Coldplay, The Weeknd, Imagine Dragons.

A bola da vez, porém, é a consolidação dos festivais. Com a retomada das atividades presenciais, 2022 cimentou de vez eventos gigantes como Rock in Rio e Lollapalooza, mas também deu espaço para os festivais de nicho, caso do bem-sucedido Primavera Sound e de outros eventos, como Popload, Balaclava Festival, Monsters of Rock, Knotfest.

Nessa seara, 2023 promete o que vem sendo vendido até agora como espécie de versão paulistana do Rock in Rio, mas sem o nome da cidade nos flyers. Em setembro, o The Town vai ocupar um Autódromo de Interlagos reformado para receber festivais de grande porte, com a promessa de fincar na capital paulista uma bandeira do grupo que comanda o clássico evento carioca.

Quem embarcou na aposta house de Beyoncé e seu álbum "Renaissance" em 2022 deve nadar de braçada em 2023. A cena eletrônica promete ser privilegiada no ano com a volta do festival Tomorrowland, depois de um hiato de sete anos, e o Goptun, que reúne os DJs favoritos dos moderninhos.

BIENAL

O Brasil volta com ar positivo aos holofotes internacionais das artes visuais com a nomeação de Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, para o comando da próxima Bienal de Veneza. E a arte contemporânea ganha novo ponto de exibição em São Paulo com a inauguração da Pina Contemporânea, voltada a artistas do nosso tempo.

LITERATURA

Na literatura, o ano que chega será marcado por grandes centenários, celebrando a memória de autores como a polonesa Wislawa Szymborska, o italiano Italo Calvino, o chileno Pablo Neruda e o brasileiro Millôr Fernandes. Todos eles devem protagonizar edições comemorativas de sua obra.

Diretor do Masp, Adriano Pedrosa será o curador da Bienal de Veneza (crédito: Daniel Cabrel/Divulgação)
Diretor do Masp, Adriano Pedrosa será o curador da Bienal de Veneza (crédito: Daniel Cabrel/Divulgação)

Comentários

Comentários