Em meio à agenda lotadíssima, foi quase um milagre natalino ele encontrar uma horinha para conversar com a reportagem durante esta última semana. Mas, como fomos "bons meninos", ele atendeu carinhosamente o nosso pedido. Já se preparando para a maratona de entrega de presentes, o Papai Noel passou por Bauru e bateu um papo com o JC.
Com origem turca relacionada à figura de São Nicolau de Mira - um bispo nascido em 280 d.C. e que deixava moedas perto das chaminés de pessoas em vulnerabilidade -, o Papai Noel tem uma capacidade inata de se adaptar a cada cultura e localidade por onde passa.
Assim, por Bauru, ele não vem de trenó. Deixou as renas em casa e, por precaução, veio com um bote mágico puxado por golfinhos de narizes vermelhos. "Fiquei sabendo da tal Nações Unidas, que alaga sempre quando chove. E resolvi me precaver. Afinal, o seguro morreu de velho, né? Ho-ho-ho".
Além da resolução desse e de outros problemas, o Bom Velhinho deseja para e também da cidade mais união e "espírito natalino o ano inteiro".
A seguir, você confere um pouco desse papo lúdico e imaginativo, com a licença poética que a data permite.
JC - Bom, Noel. Primeiro, gostaria de agradecer por ter achado um espacinho em sua agenda…
Papai Noel - Olha, está uma correria gigante. Neste ano, mais gente vai ganhar presente e isso significa mais trabalho pra mim. O pessoal lá da Acib e da CDL já estava prevendo que o bauruense iria comprar mais presentes e eu tenho visto isso na prática. Meu saco está ficando cada vez mais cheio. O saco de presentes, no caso! Sorte que tenho meus ajudantes…
JC - Já que o senhor falou em ajudantes, não vi nenhum duende por aqui…
Papai Noel - Ah, menino. Isso de duende está fora de moda. Meus ajudantes ficam disfarçados por aí em cada cidade. Já ouviu falar da Maria Inês Faneco? Da Rose Lopes? Da Tatiana Calmon? E do Miguel Daré? São só alguns dos meus ajudantes por aqui. Tenho uma legião de colaboradores que me ajudam a fazer o Natal mais feliz. E eles contam com um toque mágico especial, que ganha mais força nesta época do ano: a solidariedade.
JC - Há uma semana, fizemos uma matéria mostrando que este é o primeiro Natal sem a Mamãe Pier, que fazia esta época mais feliz no Pq. Jaraguá, mas morreu em decorrência de um câncer…
Papai Noel - Essa aí foi uma das melhores ajudantes que já tive. E ela deixou o seu legado. Tanto que eu li aqui no JC que as amigas dela mantiveram a festa, atendendo ao último pedido da Mamãe Pier. Então, ela pode não estar mais aqui fisicamente, mas deixou exatamente a mensagem de Natal, que é de amor ao próximo. Sempre!
JC - E o que o senhor está achando de Bauru?
Papai Noel - Da cidade ou do lanche? Aliás, eu adoro o lanche. Depois desta entrevista, vou dar uma passadinha no Skinão e pegar uns sanduíches para levar lá pro Polo Norte. Acredita que, por lá, eles colocam presunto no Bauru? Um absurdo com a receita do Casimiro Pinto Neto. Isso me deixa de saco cheio! E não é de presentes, no caso…
JC - Calma, calma… o Bauru é mesmo uma delícia sem igual, mas e a cidade? O que acha?
Papai Noel - Ah… eu amo Bauru! A cidade tem uns probleminhas, mas onde não tem, não é mesmo? O povo daqui é bastante batalhador e solidário. A cara do brasileiro. Na luta e sempre com um sorriso no rosto. E, olha, é incrível como eu encontro um bauruense em cada lugar no mundo que eu vou…
JC - Isso é verdade mesmo. Agora, uma curiosidade minha: sem revelar nomes para não infringir sua ética natalina, quais presentes os bauruenses mais pedem?
Papai Noel - Ah, essa é fácil: água e saúde! Às vezes, acho que os bauruenses me confundem com São Pedro. Ho-ho-ho! Quando está muito seco, eles me pedem chuva, porque estão sem água nas torneiras. Quando está chovendo muito, eles me pedem pra parar um pouco, porque alagou a Nações. Mas, tô vendo que o pessoal está trabalhando para resolver esses problemas. Espero que seja em breve. O outro pedido frequente é saúde, principalmente vagas em hospitais. Agora, com o Manoel de Abreu e o Hospital das Clínicas, mesmo ainda aquém das suas capacidades, espero que isso melhore. Afinal, saúde não pode esperar milagre natalino, né?
JC - Tem mais alguma coisa nesta lista de pedidos dos bauruenses?
Papai Noel - Os apaixonados por esportes sempre pedem vitórias para os times da cidade. E a gente atende como pode, né? Este ano, aliás, foi muito bom para o Sesi Vôlei Bauru, o Bauru Basket e o Norusca, com importantes títulos para todos e o acesso do futebol para a A2. Vou revelar que eu estava na torcida!
JC - E que presente o senhor acha que Bauru merece?
Papai Noel - Com certeza, crescimento! Bauru e os bauruenses, como "bons meninos", merecem crescer. Merecem mais empregos, mais renda, mais desenvolvimento. E também merecem que os gestores públicos se empenhem e tenham responsabilidade para que esse crescimento seja realidade.
JC - E, por fim, invertendo as coisas: que presente Bauru poderia dar ao senhor?
Papai Noel - Olha, nunca me perguntaram isso. Deixa eu pensar. Ah… acho que, assim como todo o Brasil, Bauru pode me dar união. Tivemos tempos de muita desunião e polarização - e nem tô falando do Polo Norte ou Sul. Então, o que pediria para os bauruenses é união e que o espírito natalino fique vivo não só em dezembro, mas o ano todo. É isso que eu preciso e que, certamente, todos nós precisamos.
O QUE DIZ O BOM VELINHO
"Tenho uma legião de colaboradores que me ajudam a fazer o Natal mais feliz"
"Bauru e os bauruenses, como 'bons meninos', merecem crescer"
"O que eu pediria de presente para os bauruenses é união e que o
espírito natalino fique vivo não só em dezembro".