OPINIÃO

Filosofia da elegância

Por Sebastião Mendonça |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é professor de filosofia de oratória

Elegância, palavra que indica um elevado grau de cumprimento em diferentes formalidades, durante a realização de eventos, geralmente segue rigorosamente ao cerimonial e ao protocolo. É um acontecimento social importante, sublimado e revestido com garbo, decoro, charme, diplomacia e requinte.

Elegância envolve vários momentos na pessoa, como na arte de falar bem, de escolher palavras certas durante uma conversação, ser dono de um bom vocabulário, apresentar-se formalmente num evento social com demonstração e requinte, possuir uma elevada dose de cavalheirismo, boa discrição, usar o charme e portar-se sem embaraço a uma mesa num jantar de gala.

Manter-se elegante é valorizar a vida, sentir como a pessoa se comporta com decência, simplicidade no meio social e estar sempre voltado para dentro de si. A elegância tem seu preço. O homem não morre quando perde a vida, mas quando perde o sabor de viver, de ser feliz e principalmente quando deixa de amar.

Nenhum espelho reflete melhor a imagem e o grau de expressão de uma pessoa do que a elegância. Quando o homem aprende a respeitar o menor ser da criação, seja um inseto, uma criança, um animal ou vegetal, é quando reflete nele sua conduta de relacionamento e o cuidado com as coisas da natureza.

A vida é uma obra de arte.

E há dois momentos na vida humana que trazem sabor, estabelecem valores e muita alegria de podermos conviver com simplicidade e poder saboreá-la: é o charme e a elegância.

É elegante quando alguém é atencioso, possui espírito de liderança e é solidário com todos. É o cidadão que abre espaço para que o outro seja respeitado, assegure a sua liberdade, os valores e o orgulho de ser aceito por todos.

Elegância não é esnobismo ou arrogância. É, antes de tudo, saber se comportar de forma simples, capaz de deixar o outro feliz e confortável.

Precisamos reconhecer nosso modo de ser, que é o primeiro passo para a formação de uma sociedade justa, equilibrada, democrática e tolerante, onde todos possam se expressar de forma livre, respeitar seus princípios, lembrando sempre que toda ação consciente é uma ação política.

Um indivíduo elegante deve saber o que se passa no mundo da filosofia, na arte e na literatura. Somos donos do nosso modelo de cultura. Por isso, devemos nos organizar traçando objetivos e os princípios da nossa vida, com espírito de liderança e sabedoria, para podermos assumir nossos compromissos com responsabilidade e sermos livres cidadãos da Pátria.

Quanto ao campo da oratória, um orador é classificado como elegante quando ele fala com humildade, simplicidade, com charme, possui boa voz, conhecimento do assunto, boa postura corporal, com exaltação retórica e eloquência. Segundo Alves Mendes, orador português, do século XIX, dizia: "A oratória é a arte das artes e o orador é o rei dos artistas".

Apresentar-se socialmente com elegância é uma demonstração de requinte e bom gosto. É quando nos defrontamos com o tipo fascinante de uma pessoa cheia de empatia e qualidade de vida, tem o corpo físico de quem é magro, esbelto, aparentando 30 anos, com 1,86m de altura, olhos verdes, sorriso carismático, guarda-roupa impecável, bem penteado e traz dentro de si um elevado grau de cortesia e delicadeza.

Para ele, a beleza abre as portas, mas isso não significa que a pessoa vai tê-la sempre aberta. O que mais precisamos é provar nossa competência, a habilidade profissional, política e o jogo de cintura no dia a dia.

A história fica mais interessante quando o cidadão traz consigo um elevado grau de boa proporção na aparência e na simetria anatômica, principalmente quando tem um corpo bem formado, o que pode lhe acarretar uma grande diferença, dele será recebido com bônus.

Por outro lado, ser deselegante é reconhecer o quanto é vulgar falar mal dos outros, observar a maneira como a pessoa se veste, sem modo para dar um abraço, a maneira desajeitada de andar, tornar-se inconveniente numa roda de amigos, de assediar alguém sem consentimento, de cortejar e depois não sustentar o cortejo, criticar mais que elogiar, fazer diferença entre as pessoas e querer aparecer em público.

Essas atitudes causam um ambiente insuportável devido a certas futilidades, podendo pôr alguém numa enrascada, devido a atitudes tão desnecessárias e deselegantes.

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