Somente o diálogo pode reconstruir o Brasil

Por Wilson Pedroso Júnior |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é consultor político

Os desafios do novo governo federal e do Congresso Nacional para 2023 são urgentes e já estão postos à mesa. Ainda que a PEC da Transição já tenha sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e caminhe para um consenso entre parlamentares ainda neste mês, é certo que a governabilidade do Brasil a partir de janeiro depende fundamentalmente do bom diálogo e de conciliação entre nossos principais representantes.

Na condição de presidente eleito, o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva depende de uma excelente articulação política logo nos primeiros dias de 2023. Não será uma missão simples conciliar as promessas de campanha à aprovação de projetos por uma Câmara de Deputados e um Senado majoritariamente de centro-direita e, não raro, de franca oposição ao petismo.

Agregar as diferentes visões de Brasil é a missão dada ao novo governo pelas urnas. O povo brasileiro decidiu que não há mais espaço para conflagração política e arroubos populistas para os próximos quatro anos.

Espera-se, portanto, que Lula sinalize definitivamente ao país com que equipe de ministros e ministras pretende governar. Por ainda não tê-lo feito, o petista assume riscos desnecessários diante de um cenário tenso na economia global. Se optar por agradar aliados políticos em vez de compor uma equipe de excelência técnica, o presidente eleito abrirá um rombo na credibilidade da nova gestão logo de saída.

E com o iminente fim do teto de gastos públicos, caberá também a Lula propor uma nova âncora fiscal para o Brasil. A missão do petista só será bem-sucedida se houver boa vontade e altivez do novo ocupante do Palácio do Planalto para debater e dialogar com os defensores da economia liberal.

Se o presidente conversar apenas com seus pares ideológicos, o preço do desatino será mais fome e miséria para dezenas de milhões de brasileiros.

É tempo de distensionar animosidades e interromper a guerra ideológica na política brasileira. As eleições de 2022 já se encerraram e, dos vencedores, exige-se a grandeza e o desprendimento tão necessários em tempos de tormenta.

O Brasil só vai voltar a crescer se governo e oposição concordarem em buscar soluções negociadas e republicanas para os graves problemas que afligem nossa nação.

Do contrário, todos sofreremos ainda mais as nefastas consequências de uma economia em frangalhos e de uma sociedade órfã de gestões responsáveis no comando do país.

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