OPINIÃO

Tramas secretas da Maçonaria e a Proclamação da República

Por Waldir Ferraz de camargo |
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A Maçonaria proporcionou o palco e mobilizou os atores mais importantes para a Independência do Brasil em 1822 e sessenta e sete anos depois lá estaria ela novamente dando um belo impulso para o fim do Império e o começo da República, regime político sob o qual vivemos até hoje. E no meio do caminho os maçons ainda arranjariam tempo para se envolver ativamente no processo que culminou com o fim da escravidão no país.

Ainda em 1822, D. Pedro I decreta o fim das atividades maçônicas no país e muitas Lojas fecharam a porta da frente, mas as reuniões continuavam a acontecer de modo secreto nas casas dos maçons ou clubes militares, sendo os ideais republicanos se fortalecendo gradativamente, de maneira discreta, porém, firme e determinante, cuja mobilização serviu para reforçar a coesão interna do grupo, composto predominantemente por maçons de grande expressão junto à sociedade. É imperioso reconhecer e lamentar que essa representatividade política atualmente não possua o mesmo destaque, muito pelo contrário.

Desde 1870, a monarquia estava em crise, pois com o fim da Guerra do Paraguai e a formação do Partido Republicano logo em seguida, além das campanhas abolicionistas e o crescimento político dos cafeicultores paulistas eram sintomas que o Império estava prestes a acabar. Havia um projeto de modernização em curso que significaria transformações no Brasil em diversos setores: nas relações de trabalho, na paisagem urbana, na literatura, nas artes e também na forma de governo, sendo a república entendida como parte importante desse processo.

O último ato do governo imperial foi um baile que aconteceu na Ilha Fiscal, seis dias antes da Proclamação da República e nos exato momento dos festejos animados por orquestras e comilanças, os maçons se reuniam na casa de Benjamim Constant, decidindo e agendando a data para o evento secretamente tramado. O império brasileiro, até então tido como a mais estável e duradora experiência de governo na América Latina, desaba na manhã de 15 de novembro de 1889.

A gastança exagerada para a realização do baile acabou tendo contornos bastante irônicos se comparados às intenções que levaram o Visconde de Ouro Preto a organizar a festa de arromba. A chegada dos militares ao poder mostrava que o riso e a fartura vividos no baile não sobrepujaram as movimentações maçônicas, fazendo com que D. Pedro II caísse e os demais representantes da monarquia cedessem lugar para que a República recém-proclamada agora pudesse finalmente bailar. E se a monarquia caiu, pelo menos foi em grande estilo.

O autor é professor de História, funcionário público estadual, membro da Loja Deus, Pátria e Família, de Bauru. Colaborador de Opinião.

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