Bairros

Jd. Estoril 2 completa 45 anos hoje com desafio de manter perfil original

Por Tânia Morbi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Moradores buscam preservar características originais do bairro; na foto, quando eles conseguiram decisão do TJSP que manteve o perfil residencial do local
Moradores buscam preservar características originais do bairro; na foto, quando eles conseguiram decisão do TJSP que manteve o perfil residencial do local

Último loteamento residencial criado sem muros em Bauru, o Jardim Estoril 2, situado na Zona Sul da cidade, completa 45 anos nesta quinta-feira (3), com 386 residências e cerca de 1,6 mil habitantes. Em sua história recente, está a busca dos moradores em manter as características originais do bairro - incluindo o desafio de preservar casarões e demais prédios históricos - e a valorização do lugar por meio da revitalização de suas praças e outros espaços públicos.

As primeiras 20 casas do Estoril 2 foram construídas ao longo do local onde está, hoje, a avenida Comendador José da Silva Martha. O bairro, inclusive, surgiu por iniciativa do imigrante português que batiza a avenida.

Ele se mudou para o Brasil em 1907, quando tinha apenas 9 anos, e sua família foi pioneira da comunidade lusitana em Bauru. Na fase adulta, Martha adquiriu propriedades rurais e, por fim, entrou para o mercado imobiliário.

Uma análise dessa história está na tese de mestrado "Os Bairros Jardim Estoril: A atuação das empresas Martha-Pinho no setor sul de Bauru-SP (1957-2008)", de Ana Carolina Alvares Capelozza, pesquisadora em Arquitetura e Urbanismo da Unicamp.

Segundo ela, os loteadores inovaram ao trazer da Capital o conceito de cidades-jardim, com "o traçado alongado, alterando a proporção das quadras até então, juntamente com a imensa área verde, lotes maiores e as restrições urbanísticas".

MODERNISTA

O bairro é marcado ainda pela obra do arquiteto português Fernando Pinho, cujo estilo modernista pode ser contemplado em edifícios como a Igreja Nossa Senhora de Fátima e no loteamento Jardim Estoril 2, além de sua própria residência.

Para a Associação de Moradores e Proprietários do Jardim Estoril 2 e 3 (AMPJE), os imóveis constituem um patrimônio histórico-cultural e, por isso, é preciso empenho do poder público municipal em preservar sua obra, através do tombamento.

LEGISLAÇÃO

Foi o grupo de moradores que, após representação junto ao Ministério Público (MP), conseguiu manter o caráter estritamente residencial da região. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), de 2021, considerou inconstitucional a Lei Municipal 7.027, de 2017, que ampliou os corredores comerciais e de serviços na cidade.

No entanto, a condição do bairro poderá ser revista pela Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), cujo projeto de lei de autoria do Executivo tramita na Câmara.

Segundo o vereador Coronel Meira (União Brasil), relator do projeto na Comissão de Justiça, Legislação e Redação, a atualização da chamada Lei de Zoneamento prevê a possibilidade de alguns investimentos comerciais no bairro.

Ao JC, o professor doutor em Urbanismo e Planejamento Urbano e Regional José Xaides de Sampaio ponderou que a Luos deveria ter contemplado regramentos que permitissem recuperar edifícios de interesse histórico, inclusive por meio de instrumentos de incentivo aos proprietários. "Um exemplo são as casas modernistas no Estoril, que são comparadas por estudiosos com casas importantes do Brasil e deveriam ser tombadas", disse.

MAIOR PARQUE VERDE

Ao todo, o Estoril 2 possui 14 hectares e suas sete praças, que somam 28 mil metros quadrados, fazem do conjunto o maior parque verde de Bauru, informa a AMPJE.

Recentemente, os moradores se uniram para revitalizar os espaços, por meio da construção de 1,4 mil metros de calçadas, instalação de balanços para as crianças, plantio de árvores e arbustos, entre outros investimentos.

A manutenção é feita com recursos dos próprios moradores, mas as praças são abertas a todos bauruenses, afirma a entidade. Por isso mesmo, vários ensaios fotográficos e piqueniques voltaram a ser realizados nesses locais.

Documento de agosto de 1977, que aprovou a criação do loteamento (crédito: Divulgação)
Documento de agosto de 1977, que aprovou a criação do loteamento (crédito: Divulgação)

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