Hortas precisam de cuidado e adubo orgânico
Hortas precisam de cuidado e adubo orgânico
Texto: Márcia Buzalaf
O plantio e a manutenção de uma horta requer mais informações e cuidados do que muitas pessoas pensam. Dependendo das aspirações do plantador e do espaço destinado ao plantio, a horta pode ser de três tipos: horta caseira, que geralmente é feita no fundo do quintal; a pequena horta, quando o plantador consegue colher para a família e ainda sobrar um pouco da produção; e a horticultura, que é a horta comercial.
De acordo com a diretora da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Maria Eugênia de Pizzol Silva Gracia, 39 anos, em uma horta para o consumo de uma família de quatro pessoas, o espaço de 20 metros quadrados é suficiente para fazer uma horta.
Entretanto, vários fatores devem ser levados em conta na hora de escolher as características da horta. Hortaliças tipicamente comerciais, como a batata e a cebola, segundo Gracia, devem ser deixadas de lado, já que exigem maior tecnologia para o plantio e manutenção.
Tanto o lugar para a horta quanto o tipo de plantação, o espaçamento das hortaliças, a adubação e a rotatividade do solo são levados em conta.
Primeiramente, um dos cuidados que o plantador deve tomar é em relação à incidência de luz na horta. A boa insolação é fundamental para o sucesso da horta. "A luz do sol é importantíssima para a fotossíntese", afirma Gracia. O que pode ser feito em uma horta que tenha a forte incidência de sol, aconselha Gracia, é cobrir o local com restos de palha.
Outro ponto determinante no sucesso de uma horta é não utilizar terrenos que tenham tido a camada superficial do solo retirada. Isso porque, segundo Gracia, a camada superficial do solo é a mais rica em nutrientes. "Não se consegue implantar uma horta no subsolo de um terreno", completa. Na preparação e escolha do terreno, o espaço para a horta não deve ter entulhos.
A adubação, segundo Gracia e o assistente técnico do CATI de Bauru, Paulo Benedito Paro, 55 anos, é um dos pontos mais importantes na manutenção de uma horta. Como o solo do Brasil absorve os nutrientes muito rapidamente, a adubação orgânica (não química) nunca é demais, já que retém nutrientes. Além disso, Gracia explica, a adubação orgânica, principal deficiência das hortas, é de fácil acesso a todas as pessoas por ser composta por qualquer resíduo de animal ou vegetal (ver quadro ao lado).
A falta de irrigação é um dos principais pontos de deficiência do plantador. "Na horta, peca-se muito mais por falta do que por excesso de água", afirma Gracia. O solo precisa estar úmido para que a horta esteja bem irrigada, completa.
Um dos problemas que as hortaliças podem quando o assunto
é irrigação é o chamado "stress hídrico", quando o solo passa do molhado para o seco rapidamente.
Espécies
A escolha das espécies da época também tem que ser levada em conta por quem pretende fazer uma horta. O próprio CATI fornece o catálogo de dicas para quem quer fazer a horta com as informações sobre a época certa para plantação de algumas espécies.
A quantidade limitada de espécies plantadas, segundo Gracia,
é importante para que se tenha domínio da técnica de cada cultura.
A rotatividade das espécies, segundo Gracia, também
é importante. Para que as pragas e doenças não fiquem resistentes e não se proliferem, Gracia aconselha que se plante uma espécie, colha, e, só depois, plante outra espécie no mesmo local.
O distanciamento entre as espécies, Gracia lembra, também
é importante. "As plantas precisam de espaço", completa.
Custo
O custo da elaboração e da manutenção de uma horta, segundo Gracia e Paro, depende muito do tamanho da horta e do tipo de tecnologia a ser empregada.
Os dois custos que podem onerar uma horta são a mão de obra e o material orgânico. "Não existe robô em horta", completa Gracia quando diz da importância do trabalho humano na horta.
Gracia constata que, nos últimos meses, teve um aumento na procura por informações de hortas.
Adubação orgânica
Qualquer tipo de resíduo animal ou vegetal é um adubo orgânico em potencial, desde que ele seja decomposto, conforme explica Gracia.
A decomposição pode ser feita diretamente no solo, se o resíduo for misturado ao canteiro e deixado em decomposição por um período que varia de três a 15 dias, dependendo da procedência do material orgânico.
O adubo orgânico também pode ser decomposto em área separada para ser usado apenas na hora do plantio. Este processo se chama compostagem e deve ser feito em terreno aberto, formando uma pilha de 1 metro de largura e, no máximo, 1,50 metro de altura. Já o comprimento varia de 2 a 15 metros.
De acordo com Gracia, o monte pode ser formado por camadas de 30 centímetros de material vegetal (pode ser folhas, capim, palha, etc) e 10 centímetros de resíduo animal (esterco de todos os tipos).
Para fazer a montagem, Gracia explica, deve-se umidecer o material sem encharcar e sem deixar ficar muito compacto. Durante três semana, de sete em sete dias, o plantador deve virar o material, garantindo que ele não fique compacto.
No prazo de 40 a 60 dias, o composto fica pronto para a utilização direto no solo.
Será realizado, no dia 6, quarta-feira, em Bauru, a palestra
"Alface e Folhosas no Verão - Produção com Qualidade". Promovida pela Sementec e pela CATI-Bauru, a palestra será ministrada no Horto de Plantas Medicinais. A palestra será ministrada pelo engenheiro Agrônomo, Márcio Geraldo Jampani, coordenador dos produtos da Agroflora/Sakata. Mais informações: 232-6316.
Agenda:
- O cultivo hidropônico é tema do curso promovido pela Sociedade Amigos do Jardim Aricanduva, em São Paulo dia 9 de janeiro. Dia 10, é a vez do curso sobre cultivo de cogumelos. Mais informações: (011) 216-4956.
- O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) vai promover, entre o dia 11 e 15 de janeiro, um curso sobre o curtimento de peles de peixes e pequenos animais em Franca. Informações podem ser obtidas no telefone: (016) 720-1033.
- Dia 14 de janeiro, será realizado o seminário sobre mercado futuro de açúcar promovido pela Bolsa de Valores & Futuros (BM&F) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) em São Paulo. Mais informações:
(011) 3119-2341.
- Quatro cursos serão oferecidos pela livraria e editora AgroEcológica durante o mês de janeiro: nos dias 15 e 16, "Pastoreio Voisin - Pecuária sustentável e lucrativa"; em 16 e 17, "Ervas Medicinais: uso terapêutico
& fitocosmético - Espécies cultivadas e silvestres"; em 23 e 24, "Implantação e Manejo de Florestas Nativas"; e nos dias 30 e 31, "Controle Integrado de Saúvas e outras formigas cortadeiras". Mais informações pelo fone: 821-1866.
- Será realizado, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba, entre os dias 25 e 29 de janeiro, o curso sobre sistema rotacionado intensivo de produção de pastagens para bovinos de corte. Informações:
(019) 422-9197.
- A Associação do Cavalo Quarto de Milha (American Quarter Horse Association - AQHA) está promovendo um seminário obrigatório para todos os juízes oficiais da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) nos dias 27, 28 e 29 de janeiro no Parque da Água Branca, em São Paulo. Nos dois dias subsequentes, 30 e 31, será realizado um seminário de informações gerais da AQHA. Inscrições podem ser obtidas pelo fone: (011) 864-0800.