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Inadimplência

Paulo Toledo
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Calote no comérco cresceu 17% em 98

Calote no comércio cresceu 17% em 98

Texto: Paulo Toledo

A inadimplência no comércio de Bauru cresceu 16,83%, em 1998. De acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), no ano passado foram realizados 124.610 registros de inadimplências, contra 106.655. Apesar do número crescente, no último trimestre os registros foram negativos em relação ao mesmo período do ano passado, com destaque para o mês de dezembro, quando ocorreram 6.994, ou seja, 30,94% menos que os 10.127 do mesmo mês de 1997

(veja quadro). Se a comparação for com os 10.418 registros de novembro, a queda chega a 32,87%.

Porém, um outro crescimento agradou os lojistas de Bauru. No ano passado, 75.760 negativações foram canceladas. Com isso, a recuperação de crédito, ou seja, a retirada do nome do SPC, teve uma alta de 34,54% em relação a 1997, quando 56.313 pessoas reabilitaram o nome para as compras

(veja quadros). Durante todo o ano, os números de cancelamentos foram maiores do que em 97. Dezembro foi o único mês que apresentou uma quantidade menor, mas, mesmo assim, foi apenas 1,44% menor.

O número de consultas aos terminais do SPC também cresceram em 98. Ao longo do ano, 847.771 clientes foram checados pelas lojas, num aumento de 5,09% em relação aos 806.637 de 1997 (veja quadro). Marco Antônio Grecca, 54 anos, secretário geral do SPC, disse que os lojistas estão mais seletivos na concessão do crédito e, por isso, manteve-se a tendência do crescimento das consultas ao órgão.

Para ele, as vendas financiadas a longo prazo são fomentadoras da inadimplência.

O economista Carlos Roberto Sette, 49 anos, disse que o crescimento dos cancelamentos se deve à necessidade das pessoas em

"limpar o nome". Ele diz que está havendo uma maior conscientização das pessoas da necessidade de estar fora da lista das negativações, para poder continuar participando do mercado. Sette entende que muitas pessoas deixaram de comprar e aproveitaram para saldar as dívidas. Soma-se a isso, uma maior tolerância do lojista em negociar prestações atrasadas.

O economista destaca que os lojistas estão mais criteriosos na hora de conceder crédito e, por isso, muitos consumidores buscaram a reabilitação do crédito junto ao SPC, para poderem estar aptos a fazer as compras de final de ano. Para ele, muitas dessas pessoas caíram na "armadilha" dos prazos longos, que deixavam as prestações com baixo valor, mas com juros muito altos.

Para Sette o crescimento das negativações deve ser encarado com naturalidade, pois faz parte de um sistema que depende diretamente das pessoas estarem empregadas, ou não, de receber o 13.º, ou não. Ele diz que esse crescimento se deveu, também, à crise econômica mundial, que provocou desajustes como o aumento do desemprego e das taxas de juros.

O economista diz que há o risco das taxas de inadimplência voltarem a crescer neste primeiro trimestre, quando começam a aparecer os reflexos das compras de Natal. "As empresas precisam ficar atentas", alerta.

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