Chuvas initerruptas tornam Bauru um caos
Chuvas ininterruptas tornam Bauru um caos
Se as chuvas persistirem, a Defesa Civil prevê que poderá ocorrer desabamentos de residências e famílias terão de deixar casas
Após quatro dias de chuvas ininterruptas, a cidade já virou um caos. Buracos e erosões da última chuva que não chegaram a ser consertados tomaram grandes proporções. Inundações e riscos de desabamentos colocam a Defesa Civil em estado de alerta.
As zonas Norte/Noroeste da cidade são as mais afetada pelos estragos das chuvas, segundo o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. "No Parque Jaraguá há 88 famílias residindo na beira da erosão. Não houve desabamento até agora e a costa está resistindo. Se a chuva persistir e tiver mais intensidade poderá ocorrer desabamentos e teremos que retirar as famílias. Além do Jaraguá, há problemas no Parque Viaduto, Santa Edwirges, Pousada I e II e Parque das Nações."
Brito explica que no Parque Jaraguá Deus está dando uma forcinha. "Estou contando com a mão de Deus. Em função do assoreamento, o rio mudou a vertente e está solapando uma região de pasto e não as casas. Se ele inverter essa posição derruba as residências".
O coordenador lembra que muitas situações são previsíveis e que o trabalho preventivo poderia evitar muita coisa que está ocorrendo. "Duas ou três dragas que trabalhassem o ano todo poderia estar limpando e verificando o traçado dos rios e riachos". Ele tem esperança de que a prefeitura consiga resolver alguns casos mais gritantes.
"Tenho promessa do chefe de gabinete Nelson Quagliato que os casos mais críticos serão solucionados."
As inundações das avenidas Alfredo Maia e início da Castelo Branco, segundo Brito são frutos do assoreamento córrego da Água do Sobrado. "O rio está assoreado desde a nascente até a foz. Houve uma tentativa de melhorar a situação, nos últimos dias, porém a chuva não deixa os operários trabalhar.
A Defesa Civil não tem material para socorrer as famílias que possam ficar desabrigadas, avisa Brito. "Nossos estoques de colchões, cobertores e até produtos alimentícios estão zerados. Se ocorrerem desabamentos nós temos só os ginásios de esportes para abrigar os munícipes."
Evite os locais críticos
Para quem não quer correr o risco de ficar encalhado nas enxurradas, a orientação é para que evite os locais críticos, onde sempre há inundação e muita lama. Sob chuva forte evite transitar pela avenida Nações Unidas, especialmente próximo do Terminal Rodoviário, local onde há focos de inundações.
A Praça Primaz Chuijo Otake, trevo de acesso da Duque de Caxias para a Castelo Branco, também se tornou um local a ser evitado. A Água do Sobrado transborda e joga lixo e lama pela avenida Alfredo Maia e início da Castelo, tornando o local intransitável. Quem tiver outra opção para chegar em casa é bom usá-la.
A quadra um da avenida Alfredo Maia inunda toda vez que chove na cidade. Transitar por ali é correr o risco de ficar com o carro encalhado, assim como nas ruas não pavimentadas de alguns bairros como Santa Edwirges, Jaraguá e Pousada da Esperança I e II.
A quadra seis da rua Mara Lúcia Vieira, Vila Nipônica também está entre as vias ruins de transitar. O asfalto não suportou o volume de água das chuvas e estourou. A avenida Castelo Branco quadra 27 apresenta um foco de inundação.
Munícipes reclamam
Os buracos e a irritação com a seqüência de dias chuvosos acaba com o bom humor dos bauruenses. Alguns ficam tão irritados que exteriorizam a revolta através de cartazes. Na quadra 27 da avenida Castelo Branco, por exemplo, foi colocado um cartaz no meio da rua, cheia de lixo e lama. Nele um morador deixa claro que paga e IPTU e mesmo assim a rua continua daquele jeito.
Um empresário da quadra um da avenida Alfredo Maia, Nelson Garrido Magiore também pede socorro. Ele não suporta mais as enchentes do local. "Eu já reclamei para o DAE e eles não desentopem a tubulação que leva a enxurrada para o rio. Qualquer chuvinha inunda aqui e demora três dias para a água escorrer."
Fabricante de móveis, Magiore alega que já perdeu as contas dos prejuízos. " Nós fizemos umas arapucas para colocar os móveis em cima. Caso contrário perco todo o trabalho dos nove funcionários. As máquinas também são atingidas pelas águas, muitas delas já apresentaram problemas no motor. "
O morador da quadra 10 da rua Armando Turtelli, Núcleo Octávio Rasi também se revoltou com a situação de sua rua. "Nós cansamos de pedir para um trator vir acertar a rua, não vieram. Ontem, um caminhão carregado de combustível ficou atolado. Vieram dois tratores para socorrer o caminhão e a rua continua do mesmo jeito."
Chuvas devem continuar
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp/Bauru- IPmet, a tendência é que as chuvas continuem até sábado. "A tendência é de chuvas de moderada a forte, especialmente no período da tarde", explica o técnico em meteorologia Hélio Gomes.
O mês de janeiro/99 tem tudo para se confirmar como o período mais chuvoso do ano. O meteorologista Sérgio Manhães diz que a média de dias chuvosos em janeiro é de 15.
"A média de chuva em janeiro é de 230 milímetros, ainda estamos bem abaixo. Em seis dias choveu 78.5 milímetros. De terça para quarta-feira choveu 46 milímetros."