ECCB nega venda e diz que há 'ajuda'
ECCB nega venda e diz que há 'ajuda'
Texto: Fabio Turci
Posição oficial é de que o membro da VTB
é colaborador técnico da empresa; separação entre linhas e caixas ainda intriga o sindicato
O advogado trabalhista da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), Fábio José de Souza, afirmou ontem que, segundo a proprietária da empresa, Nerle Quaggio Bresolin, não foi concluída qualquer negociação de venda ao empresário Baltazar José de Souza. De acordo com o advogado, a relação profissional entre a ECCB e a Viação Terra Branca (VTB), de propriedade de Baltazar de Souza, é a de comodato.
A posição oficial da ECCB foi apresentada pelo advogado, juntamente com o encarregado de Recursos Humanos da empresa, Lino Tavares, em reunião realizada na tarde de ontem na subdelegacia do Ministério do Trabalho em Bauru. A reunião opôs aos representantes da ECCB o presidente e o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário em Geral de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva e Lendemir Antônio Ramires, respectivamente. O delegado adjunto do Trabalho, Silvio Carlos de Lima Pereira, mediou a discussão.
De acordo com o advogado da ECCB, o empresário Baltazar José de Souza é um conhecido da família Quaggio. A versão oficial é de que as diretoras da ECCB recorreram ao empresário para obter ajuda, em função dos problemas financeiros que a empresa vem enfrentando e que a levou a pedir concordata em dezembro último. Como resposta ao pedido, o empresário teria emprestado alguns ônibus
à ECCB e indicado Henrique "Português" como um "colaborador técnico".
Segundo informações dos sindicalistas e de funcionários da ECCB, "Português" tem sido visto diariamente na empresa, onde daria ordens aos funcionários e faria ameaças, como reduzir o valor da cesta básica, aumentar a jornada de trabalho e dispensar funcionários próximos da aposentadoria e que integrem o sindicato. O advogado afirmou não ter conhecimento da possível postura repressora de "Português", que, conforme o mediador da discussão, destoa da versão oficial da empresa. O representante da ECCB afirmou que iria levar a acusação do Sindtran
à diretoria da empresa.
Os sindicalistas rejeitaram a idéia do comodato. Além de mencionar a possível postura de "Português", que teria afirmado que a ECCB, de fato, teria sido vendida, Silva questionou o porquê da separação de linhas entre a empresa bauruense e a Viação Terra Branca, se, como disse o advogado, não houve venda. No mesmo raciocínio, o sindicalista lembrou que o acerto diário das viagens também tem sido feito separadamente entre a ECCB e a suposta empresa compradora. O advogado trabalhista respondeu que a separação de linhas refere-se a um estudo de remanejamento que a ECCB estaria fazendo para tentar melhorar sua situação.
Demonstrando irritação, o presidente do Sindtran também voltou a dizer que a diretoria da ECCB omitiu informações. De acordo com Silva, o Sindtran foi informado, por ocasião do pedido de concordata da empresa, que a dívida da ECCB seria de R$ 14 milhões, dos quais a metade já estaria sanada. Diante desse valor, o sindicato julgou que seria possível que o pedido de concordata fosse deferido, e apoiou a empresa. Silva reclama que, posteriormente, veio a descobrir que a dívida da ECCB, na verdade, supera os R$ 26 milhões.
O presidente do Sindtran chegou a ameaçar a ECCB com a possibilidade de uma nova paralisação, caso as indefinições continuem. Para ontem, havia a possibilidade de greve se a empresa não pagasse aos funcionários a segunda parcela do 13º salário. O acordo acabou sendo cumprido, e a gratificação de Natal foi quitada.
O delegado adjunto do Trabalho sugeriu aos representantes da ECCB que busquem levar a empresa a "repensar o papel das pessoas lá dentro e a transparência". O mediador também frisou que os condutores foram bastante flexíveis em relação
às dificuldades da ECCB, aceitando a tolerância de cinco dias e o parcelamento nos pagamentos. Pereira frisou que seria importante que a empresa e o Sindtran retomassem o relacionamento amigável, dado como encerrado pelo sindicato.
Para os próximos dias, pode haver uma mesa-redonda entre os sindicalistas e a diretoria da ECCB. Durante a reunião de ontem, Silva reclamou, por diversas vezes, que os dois representantes da empresa presentes se eximiam de qualquer explicação sobre questões como o possível pagamento de propina
à administração municipal. O advogado e o encarregado de RH foram incumbidos de representar a ECCB no âmbito trabalhista.