Chuvas voltam a alagar vários locais de Bauru
Chuvas voltam a alagar vários locais em Bauru
Texto: Ieda Rodrigues
As fortes pancadas de chuvas que caíram durante o dia e início da noite de ontem voltaram a alagar vários pontos da cidade. A rotatória da Praça Sugiro Otake, que interliga a Vila Independência, a Vila Falcão e avenida Duque de Caxias, e a avenida Alfredo Maia foram tomadas por lama no início da tarde e precisaram ser interditadas temporariamente.
Uma família, que morava na quadra 1 da rua Antonio Ferreira de Menezes, próximo à avenida Alfredo Maia, começou a retirar os móveis e disse que iria abandonar a casa quando o quintal começou a ficar inundado. Além da enxurrada, a casa estava sendo inundada por esgoto, que retornava da rede.
Os trilhos da Ferropasa (antiga Fepasa) no trecho entre o viaduto da Vila Falcão e Vila Independência ficaram totalmente soterrados, segundo informou o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. Nessa mesma altura, o Córrego Água do Sobrado transbordou.
Brito disse que, apesar de uma draga contratada pela Prefeitura estar retirando terra do leito do rio, ainda houve transbordamento. Também choveu forte na região do Núcleo Octávio Rasi, onde uma erosão está colocando em risco a linha férrea.
A chuva do início da tarde também alagou a rodovia Bauru-Marília, na altura do quilômetro 350 (na altura da Granja Ito). Uma viatura da Polícia Rodoviária se deslocou para o local e interditou temporariamente a pista. O coordenador da Defesa Civil disse que, por enquanto, apesar das fortes chuvas, não foi registrado casos de desabrigados. Ele ressaltou que em alguns pontos da cidade a chuva foi mais fraca, como no Centro.
Casas e barracos estão em áreas de risco
Além dos mais de 80 barracos localizados na margem do Córrego da Grama, no Parque Jaraguá, que podem desabar se a erosão aumentar, há casos isolados de residências ameaçadas por causa de buracos provocados pela enxurrada. Um deles é o barraco da doméstica Regina Lopes Rodrigues, na quadra 9 da alameda Macedônia, no Parque Santa Edwirges.
O barraco de Regina, de madeira, tem dois cômodos e um deles está sendo corroído por uma erosão. O piso, de cimento, está rachado e uma vigota que sustenta o telhado também está rachando. Com dois filhos - um de 3 anos e outro de 4 meses -, ela disse que não tem para onde ir.
Regina contou que tem autorização para construir um barraco em um outro terreno no mesmo bairro, em local seguro, mas não tem dinheiro para comprar material de construção.
"Tenho que ficar aqui até ver o que acontece", disse. Quem puder doar material de construção pode entrar em contato com Regina pelo telefone 238-7921 (recado) ou em sua própria casa, alameda Macedônia, 6-40.
Ainda no Parque Santa Edwirges, a chuva do início da noite de ontem provocou o retorno de esgoto para uma casa na quadra 11 da alameda Vênus. Antônio Mendes, morador da casa, disse que já havia ligado para o Departamento de Água e Esgoto (DAE) para informar o problema, mas não havia obtido promessa de solução.
A casa de Luiz Antônio Fogaça, na quadra 1 da rua Romano Luiz Barbugiani, na Vila Dutra, também está ameaçada por uma erosão. Ele explicou que a erosão da quadra 1 da rua Waldir José da Cunha está se aproximando de sua casa, ainda em construção, pelos fundos. "Está bem perto do muro", disse. Fogaça pensava em abandonar a residência ontem à noite.
DAE pede paciência à população
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) informou que está com sete equipes nas ruas - quatro extras - trabalhando 24 horas em esquema de revezamento para recuperar os estragos das chuvas. Em fax enviado à redação, a assessoria de imprensa da autarquia voltou a pedir paciência à população ressaltando que está difícil atender a todas as reclamações feitas pelo telefone 195.
No Parque Santa Terezinha, segundo informou o DAE, a enxurrada arrastou 150 metros de rede de água e no Parque Santa Edwirges foram destruídos 200 metros de redes de esgoto nas alamedas Tróia, Alexandria e Cartago. A rede de água do Parque Santa Terezinha já foi refeita e o abastecimento está normalizado. Já no Parque Santa Edwirges o DAE espera as secretarias de Obras e Administração Regionais aterrar as erosões para reconstruir a rede de esgoto.