Consultoria ambiental é nova exigência para a produção
Consultoria ambiental é nova exigência para a produção
Texto: Márcia Buzalaf
O ramo de consultoria ambiental é a nova exigência das empresas atualmente. Como a legislação mais rígida, fábricas e indústrias estão buscando cada vez mais os consultores ambientais, que, além de trazer melhorias para o processo produtivo, melhoram o meio ambiente como um todos.
De acordo com o consultor ambiental autônomo, Jesus Manuel Delgado, 36 anos, este não pode ser a única mobilização da sociedade e da classe industrial. O consumo deve cair, alerta o venezuelano que chegou ao Brasil em 1987 e, a partir daí, começou a trabalhar com consultoria ambiental.
Delgado afirma que a consultoria ambiental não tinha muito espaço nas empresas antes da luta ambiental, da qual ele participou. "Eu iniciei a luta ambiental 1983, quando não se falava em consultoria ambiental, apenas se chamava a atenção para a problemática ambiental", explica delgado quando afirma que os atuais consultores eram, nesta época, os
"xiitas contra o desenvolvimento".
Os enfoques desde ambientalistas estava centralizado no desmatamento, nas usinas nucleares e nos agrotóxicos do que na busca de um processo produtivo mais protetor em relação ao meio ambiente. "Ninguém contratava ninguém para prestar consultoria ambiental", completa.
Talvez o alerta para os macro problemas do meio ambiente tenha tido um grande impacto na necessidade dos consultores.
Uma das fábricas que motivou a luta ambiental, segundo Delgado, foi uma sulista, de celulose, que poluia todo o Rio Guaíba, que cruza Porto Alegre. "Esta fábrica foi um símbolo para começar a pensar na poluição industrial", diz.
A posição do governo brasileiro nesta época, de acordo com Delgado, seguia o que foi explicitado na Reunião Mundial do Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia, em 72. O Brasil, segundo Delgado, tinha claramente a posição de que "preferimos morrer de poluição do que de fome".
A época da ditadura agravou o problema de exploração ambiental causada pela crescente industrialização.
"Quem defendia o meio ambiente era chamado de antidesenvolvimentista", explica.
A luta ambiental ganhou força a partir da década de 80. O primeiro levante aconteceu contra o uso dos agroquímicos, no final da década de 70.
O grande passo na questão ambiental foi feito quando as indústrias perceberam que os materiais estavam ficando escassos e caros. "Quando a economia apertou, a conservação começou a adquirir certo valor", explica.
Foi nesta época - década de 80 - que a legislação ficou mais rígida e, as multas, mais frequentes. A defesa do meio ambiente ganhou força com a pressão externa, segundo Delgado. O peso da opinião pública e a legislação reforçaram o crescimento da consultoria ambiental.
Os processos industriais mudaram muito da década de 80 para cá, mas, segundo Delgado, apenas melhorar o processo produtivo não é o único problema que o consultor ambiental tem que tentar resolver. O consumo, segundo Delgado,
é um dos grandes vilões do meio ambiente. "O consumo não diminuiu; o que se faz é produzir com menor impacto ambiental", alega Delgado.
Atualmente, a consultoria ambiental é uma obrigatoriedade para empresas públicas e privadas, no setor industrial e de serviços também.
As empresas vem buscando a consultoria ambiental para a análise de projetos, estudos de impacto ambiental antes, durante e depois da implantação de uma indústria. Outro setor que garante consultorias ambientais constantemente, segundo Delgado,
é a área agrícola.
Alguns fábricas já estão com a mentalidade mais trabalhada na questão ambiental. A Fiat, por exemplo, produziu o Palio, que é um carro totalmente reciclável. Os computadores também estão ganhando espaço no debate ambiental do Paraná. Segundo Delgado, Curitiba já está produzindo computadores com o "lixo informático" que vem sendo acumulado pelos computadores que caem em desuso.
Delgado também critica as empresas que estão contratando consultores ambientais apenas para agradar a opinião pública. A conscientização ecológica tem que ser o primeiro passo para a melhora do meio ambiente e do processo produtivo das empresas.
Motivação empresarial
Para proteger o ambiente, as empresas precisam de motivação. De acordo com uma pesquisa realizada em empresas do mundo todo, a International Network for Enviromental Managment (Inem), uma rede internacional para administração ambiental, a ordem de motivos para a proteção ambiental por parte das empresas é:
1.º lugar: senso de responsabilidade ecológico
2.º lugar: exigências legais
3.º lugar: proteção dos interesses da empresa
4.º lugar: imagem da empresa perante a opinião pública
5.º lugar: proteção dos funcionários
6.º lugar: pressão do mercado
7.º lugar: qualidade de vida
8.º lugar: lucro
Passado Um dos primeiros e principais trabalhos do consultor foi em 87 mesmo, quando ele participou da elaboração do Programa Nacional do Meio Ambiente, na unidade de conservação. Este foi o primeiro programa a rever a canalização da renda em nível internacional para o meio ambiente. "Eu tive o privilégio de fazer parte do primeiro levantamento nacional da problemática de conservação", afirma ele. O programa do governo foi o primeiro levantamento de todas as unidades de conservação no país.