Motorista confessa que matou o cunhado para se defender
Motorista confessa que matou o cunhado para se defender
O motorista profissional desempregado Osni Duque Ragnel, 42 anos, se apresentou ontem na Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão ao Roubo e Assalto (DIG/Garra) de Bauru. Ele confessou ser o autor dos disparos que matou o mecânico, também desempregado, Américo de Castilho, 39 anos, no último dia 8, no Jardim Nicéia, e contou onde a arma estava escondida. Ragnel alega legítima defesa e diz que não pretendia a morte de seu cunhado.
O motivo da rixa entre os dois, segundo confessou o motorista,
é que a vítima achava que ele era amante de sua mulher. "O atrito entre nós teve início há pouco mais de 20 dias porque Américo achava que eu andava com a mulher dele. Ele era irmão de minha mulher", disse.
O motorista contou para a polícia que na sexta-feira, dia do crime, ele foi até a cidade de Lençóis Paulista para tentar trocar sua casa por um caminhão e um terreno. "Não encontrei a pessoa que eu procurava. Retornei e desci do ônibus no antigo trevo da Eny", contou.
Morador do Jardim Olímpico, ele começou a caminhar em direção ao câmpus da Unesp. "Eu evitei descer próximo do Jardim Nicéia para não encontrar com Castilho", disse. Mas, quando caminhava, olhando uns terrenos, ele percebeu que o mecânico estava ao seu lado.
Na versão de Ragnel, o mecânico o teria ameaçado de morte. "Ele perguntou se eu estava procurando-o para matar. Eu tentei desfazer os atritos e por várias vezes disse que não queria confusão", disse. A vítima não teria se convencido do arrependimento do motorista.
"Ele me disse que não queria acordo e que tudo seria resolvido naquele dia. Falou que se eu não o matasse, ele me mataria", afirmou.
Os dois começaram a discutir e a vítima teria sacado a arma para matar Ragnel. "Vendo que eu ia morrer, segurei na mão dele e travei o revólver. Entramos em luta corporal. Ele caiu e eu tomei a arma dele. Escondi a arma nas costas e tentei convencê-lo a parar. Mais uma vez não houve acordo", contou.
A vítima teria dito que ia para o bairro onde morava, para junto com amigos ir até a casa do motorista e acertar as contas pendentes. "Ele prometeu matar minha família e colocar fogo na casa", contou Ragnel.
Pouco depois o mecânico teria encontrado um pedaço de pau e com ele agredido Ragnel. "Eu caí e ele veio para cima de mim. Saquei a arma e disparei alguns tiros, não sei se três ou quatro", contou.
Fuga
Depois de ver o mecânico morto, Ragnel se embrenhou no matagal e escondeu o revólver em um formigueiro. "Eu fui andando pelo meio do mato. Quando escureceu eu vim para Bauru, embarquei em um mototáxi e fui para Jaú. De lá fui para Campinas e Sumaré, onde fiquei na casa de parentes.
Ontem, Ragnel se apresentou na DIG/Garra acompanhado de seu advogado.
"Eu não podia continuar fugindo, não sou marginal, matei para me defender", argumenta. Ele pretende responder pelo crime em liberdade e evitar mais danos.
O titular da DIG/Garra, delegado J.J.Cardia, encaminhou o caso para o 4.º DP, onde foi instaurado o inquérito pelo artigo 121 (homicídio). Ele frisou que durante o inquérito o delegado que o presidir poderá pedir a prisão preventiva do motorista. A arma foi apreendida e será encaminhada para a Polícia Técnica.