Valentin depõe sobre os atentados na DIG-Garra
Pedro Valentin depõe sobre os atentados na DIG-Garra
Texto: Gustavo Cândido
O assessor político do prefeito, Pedro Valentin Benedito, prestou depoimento, ontem pela manhã na Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) de Bauru, sobre o caso dos atentados à bomba na residências dos vereadores Erlon Junqueira, Luiz Carlos Valle e Luiz Roberto Relvas. Valentin também respondeu sobre a distribuição dos panfletos apócrifos, contra os vereadores e empresários de Bauru e rojões que foram soltos na frente da prefeitura.
Segundo o delegado titular da DIG/Garra, J.J. Cardia, o assessor do prefeito foi chamado para depor por ter sido citado em todos as outras declarações recolhidos pela polícia sobre o caso. Antes de ouvir Valentin, Cardia já havia ouvido oito pessoas sobre o caso, inclusive algumas que distribuíram os panfletos pela cidade
O depoimento de Pedro Valentin durou quase uma hora e meia. Ao tomar conhecimento que a imprensa o aguardava na entrada da delegacia, o assessor se recusou a sair da sala do delegado sem a presença de um advogado e, a princípio, avisou que não faria declarações. Com a chegada do advogado e assessor de gabinete, Francisco Ramos e de um segurança, Valentin saiu da sala e conversou com os jornalistas presentes.
Estado "catatônito"
De acordo com Pedro Valentin a sua presença na delegacia aconteceu somente com o intuito de colaborar com as investigações do delegado. Quando foi perguntado sobre a sua possível participação nos atentados ele foi irônico, numa declaração que deixaria o ex-ministro Antonio Rogério Magri com inveja: "só se à noite eu entro em estado 'catatônito' (sic) e assim eu me transforme num ser 'ultra-radiável' (sic) com a velocidade de 300 mil quilômetros por segundo, mancando não daria para eu fazer nenhuma ação que coloque em xeque a institucionalizasse da sociedade".
Valentin fez questão de frisar que compareceu à delegacia para colaborar nas investigações e não como suspeito, "vim como vieram os outros, vocês é que só vieram no meu depoimento, muito obrigado", disse, incomodado com a presença da imprensa que ele acredita ser parcial quando fala da atual administração.
O assessor disse que foi perguntado sobre os rojões que foram soltos na frente da prefeitura e sobre a confecção dos panfletos apócrifos distribuídos pela cidade e negou qualquer tipo de envolvimento com os fatos, "sou contra esse tipo de coisa, acho que é covardia, todo o que eu escrevo eu assino e tudo o que tenho para falar eu falo e não mando recado", garantiu, afirmando que não sabe e é contra quem fez os panfletos.
Forças ocultas
Para o assessor político de Antonio Izzo Filho só um 'insano mental', pensaria que o grupo izzista está envolvido com os atentados, "se a gente ficou quatro meses desempregado, fu...., com o nome no SPC, por que na volta ia fazer uma coisas dessas?", justificou. Para ele essas 'manobras' foram feitas por pessoas que querem criar um clima de ingovernabilidade na cidade que ele definiu para J.J. Cardia no seu depoimento como
"forças ocultas". "São os mesmos setores que fazem denúncias infundadas contra o Izzo, são os mesmos que entram em contato com empresários para esses falarem que pagaram caixinha", disse Valentin, "tanto
é para prejudicar a administração que tantas pessoas foram ouvidas e só no meu depoimento a imprensa compareceu", concluiu mais uma vez se sentindo prejudicado.
Tudo está contra o prefeito, segundo o assessor, para ele a situação na cidade está ridícula, com qualquer assunto sendo levado ao Ministério Público.
"Isso tudo já virou palhaçada e está até pegando mal. Depois em instâncias superiores, onde não há malícia, palhaçadas e armações e as autoridades não vão atrás de fofocas. Porque para mim autoridade que vai atrás de fofoca não é séria po...! Nesses setores prevalece a verdade e é o que vocês estão vendo", disse Valentin, que em seguida se retirou por recomendação de Francisco Ramos.
Após ouvir o noticiário do meio dia de uma rádio local, onde o seu depoimento foi citado, Pedro Valentin entrou em contato com o Jornal da Cidade para mais uma vez afirmar que não sabe e não pode identificar os autores dos atentados, citando novamente as "forças ocultas".
DIG/Garra só investiga
Segundo J.J. Cardia o depoimento de Pedro Valentin dá continuidade
à investigação que a DIG/Garra está realizando sobre os atentados à bomba e a distribuição de panfletos, "foi um depoimento como qualquer outro", disse. O delegado explicou que está tomando os depoimentos porque é dever da DIG investigar fatos que podem ser enquadrados como delito de autoria desconhecida, como os atentados. O inquérito do caso está instaurado no 3º Distrito de Polícia, por isso, quando terminarem as investigações J.J. Cardia disse que fará um relatório sobre o caso e o encaminhará ao titular do distrito que está presidindo o caso.
"Não posso fazer declarações sobre o caso porque não sou eu quem o está presidindo", afirmou Cardia. O delegado também não citou o nome dos depoentes anteriores ou o conteúdo das outras declarações pela mesma razão.