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Prisão de quadrilha

Redação
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Quadrilha que agiu em Botucatu pode ser a mesma que sequestrou irmão de sertanejos

Quadrilha que agiu em Botucatu pode ser a mesma que sequestrou irmão de sertanejos

Agudos - A quadrilha que seqüestrou o estudante Roger Duarte Teixeira, 17 anos, morador de Botucatu, nas proximidades de Agudos, no dia 02 de novembro pode ser a mesma que está envolvida no seqüestro do irmão da dupla sertaneja, Zezé Di Camargo e Luciano. A informação é do delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu, Antônio Soares da Costa Neto que, assim como a polícia da Bahia, está investigando a ação dos quadrilheiros. A quadrilha, segundo Costa Neto, "é a maior já identificada no País. São 60 'caras' com prisão preventiva decretada. Em cada estado tem um grupo. Por isso estamos achando que é a mesma quadrilha que agiu em Goiás", diz. Mas a pista mais 'quente' que o delegado diz existir sobre essa hipótese,

é o fato da polícia baiana - que já investiga a quadrilha há quase um ano - ter fita gravada, em escuta telefônica, onde acusados de integrar a quadrilha cogitam de seqüestrar a dupla sertaneja. "Por isso, já existe um delegado da Bahia trabalhando em conjunto com policiais de Goiás". Para Costa Neto, se a quadrilha havia cogitado de seqüestrar a dupla, por um motivo ou por outro, podem ter decidido seqüestrar um outro membro da família.

As investigações apontaram, segundo Costa Neto, que o grupo responsável pelo seqüestro do estudante de Botucatu, era composto por oito integrantes, sendo que cinco deles já foram presos.

Logo depois seqüestro do estudante de Botucatu, a polícia local iniciou as investigações e após a identificação dos principais suspeitos, descobriu que tratava-se da mesma quadrilha que na Bahia era acusada de planejar sequestros e roubos.

O líder da quadrilha seria César de Almeida Andrade, o Alemão, (que ainda não está preso) e o grupo é acusado de ser responsável, segundo Costa Neto, por aproximadamente 30 seqüestros nos últimos dois anos.

Quando da prisão de seis acusados ocorrida num sítio em Itabaiana-BA, para onde estaria sendo levado o estudante de Botucatu, foi apreendidos, segundo Costa Neto, grande quantidade de armas de grosso calibre "são fuzis AR-15, metralhadoras, farta munição, coletes a prova de bala e inclusive uma metralhadora antiaérea ponto 50, o que mostra a periculosidade da quadrilha".

Seqüestro em Botucatu

O seqüestro ocorreu em 2 de novembro último, feriado de Finados, por volta de 15 horas, quando Roger voltava de uma competição de jet-ski em Santa Fé do Sul. Nas proximidades do km 322 da rodovia Marechal Rondon, perto de Agudos, o carro onde Roger viajava, um Palio que rebocava um jet-ski, foi abordado por três homens fortemente armados. Acompanhavam Roger outras duas pessoas - um amigo e um motorista que também atuava como mecânico do jet-ski. Todos foram rendidos e Roger, algemado, foi levado pelos seqüestradores em uma perua Corsa. Alguns quilômetros depois, em uma estrada vicinal, já com os olhos vendados, Roger foi transferido para o interior de um caminhão fechado (caminhão-baú) e a pick-up foi queimada. Roger foi conduzido até as proximidades de Jacareí, onde foi libertado, por volta das 22 horas da próprio dia do seqüestro. Para justificar a decisão de libertá-lo sem receber qualquer resgate - certamente o objetivo final dos criminosos -, os seqüestradores teriam afirmado a Roger que houvera um engano. Ao dispensar a vítima, os autores do crime ainda lhe deram R$ 20 e uma camiseta.

Após dez dias de investigações, a polícia de Botucatu identificou seis suspeitos e prendeu um deles, Édson José de Melo, detido no bairro do Tremembé, em São Paulo, em 07 de novembro.

Funcionário é suspeito de envolvimento

Quando da prisão de seis acusados de integrar a quadrilha, ocorrida na Bahia no final do ano passado, os delegados Costa Neto e Celso Olindo de Botucatu e também o capitão Rezende, viajaram para Salvador, na Bahia, para também interrogar os suspeitos. Segundo o delegado, nos depoimentos, os interrogados Celso e Toinho informaram que quem havia dado as informações da vítima de Botucatu, havia sido um empregado da empresa do pai da própria vítima. Esse empregado é José Carlos Gomes, conhecido por

'Vela', e foi acusado de passar as informações para Francisco Braga, conhecido por 'Chicão' e já velho conhecido da polícia. Ainda em Salvador, os policiais de Botucatu, através da Internet, enviaram a fotografia de

'Chicão' para reconhecimento. Os policiais da DIG retornaram então para Botucatu, isso em dezembro último, e passaram a trabalhar em sigilo absoluto. A prisão de 'Vela' e 'Chicão' ocorreu anteontem de manhã.

'Vela', segundo o delegado, admitiu que deu algumas informações para 'Chicão', mas alegou não saber que era para seqüestrar o filho de seu patrão.

'Chicão', que segundo Costa Neto possui inúmeras passagens pela polícia, inclusive por seqüestro e cárcere privado, negou envolvimento no crime, alegando que de fato conhece o 'Alemão' (suposto chefe da quadrilha), mas fazia tempo que não o via. No entanto, os policiais apreenderam em sua casa, em Botucatu, uma conta telefônica constando que no dia 30 de outubro, dois dias antes do seqüestro, ele havia telefonado para para 'Alemão'. Tanto 'Vela' quanto

'Chicão' estão recolhidos na Cadeia Pública de Agudos onde aguardam decisão da Justiça.

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