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Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Movimento por Bauru vai intensificar campanha de moralização na política

Movimento por Bauru vai intensificar campanha de moralização na política

Texto: Luciano Augusto

Para o movimento, agora é o momento para a sociedade dizer que está insatisfeita e cobrar soluções.

As entidades católicas, que participam do Movimento por Bauru, pretendem intensificar, nas próximas semanas, as atividades pela moralização política e contra a corrupção na cidade.

Fazem parte desta campanha o Conselho Diocesano de Leigos, a Comissão Diocesana de Cidadania, a Comissão de Justiça e Paz, a Coordenação Diocesana da Campanha da Fraternidade e a Equipe de Cidadania da Paróquia Nossa Senhora das Graças.

Estas entidades, pretendem dar continuidade às ações do Movimento por Bauru e conseguir maior apoio da população em relação ao processo de cassação do prefeito Izzo Filho.

De acordo com Odair Machado, membro do Conselho Diocesano de Leigos e coordenador da Comissão Diocesana de Cidadania, "este movimento é um espaço aberto para o debate entre todos os cristãos católicos em relação a todas as questões, tanto da igreja quanto das questões sociais".

Para o movimento, a sociedade bauruense está passiva diante dos problemas que assolam a cidade. De acordo com Machado, "o que se percebe hoje é que as pessoas ainda não se despertaram para os problemas que estão acontecendo. É o momento para a população dizer que está insatisfeita e mostrar indignação com esta situação caótica e com a administração, que não tem competência nem mesmo para tapar os buracos de rua".

A moralização da política e a luta contra a corrupção não é uma preocupação unicamente local e isolada da igreja católica. Existe também um movimento nacional, coordenado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que combate a corrupção política e a compra de votos em todo o país. Como disse o coordenador, "todo o processo de corrupção tira o benefício coletivo. Isso é uma coisa maléfica que traz à sociedade um prejuízo enorme".

Outro ponto questionado pelo movimento é a utilização dos recursos levantados com a cobrança dos impostos municipais. Machado disse que "a cidade está caminhando para trás, sem nenhuma perspectiva de melhora. Quando se paga um imposto hoje, fica a impressão de que estamos colaborando com a corrupção".

Manifestações anteriores

As entidades católicas, que hoje formam o Movimento por Bauru, já desenvolveram manifestações na cidade. No ano passado, houve a ação contra o aumento das passagens dos ônibus circulares, planejada pelo Conselho de Leigos. Na época, o conselho organizou "uma campanha, incentivada em todas as paróquias, orientando o boicote ao transporte coletivo".

Outro momento em que os católicos participaram foi no processo de cassação do prefeito, com "o movimento cristão católico pela Comissão Processante (CP)", completa Machado.

A partir daí, as cinco entidades passaram a integrar o Movimento por Bauru, que representa os católicos nos movimentos políticos.

Instrução para os fiéis

A principal orientação da igreja católica, no que diz respeito à política, é para que todos os fiéis participem da política e se interessem pelos problemas da cidade.

O movimento acredita que a má fama do "tema política", faz com que muitos fiéis se desviem da obrigação de cobrar dos seus representantes uma postura mais honesta. "A questão de achar que a política é coisa suja e que não devemos participar, só beneficia o mau político", diz Machado.

Posição "de centro"

O Movimento por Bauru não é o único que é contrário à atual administração. Há também o Fórum da Cidadania e o Comitê Fora Izzo.

Para Machado, "todos falam a mesma lingua". Entretanto, no início haviam algumas arestas por causa das diferenças de estilos de atuação. "Ao longo do tempo, com a ampliação do debate, todo mundo está caminhando na mesma direção", diz.

Conforme classifica o membro da igreja, "o Fórum da Cidadania é um pouco mais radical. O Comitê Fora-Izzo,

é um pouco mais de 'direita' e nós ficamos no meio termo. Mas na verdade, estes três movimentos andam juntos, procurando atuar na mesma direção e com um mesmo objetivo".

Visão da Igreja

Se levarmos em conta a instituição igreja, veremos que sua forma de atuação política na história recente do país, compreende duas fases distintas: a primeira, durante os anos do regime militar, e uma segunda, com o fim da ditadura e o início do processo de abertura política.

À época da ditadura, conforme explicou Machado,

"a igreja participava de forma direta na política com os padres e bispos, através da CNBB".

Com a democratização política, complementa o leigo, "a igreja abriu espaço para os fiéis. As campanhas da fraternidade começaram a abordar os temas sociais e políticos mais profundamente e os padres e bispos foram orientados a não participarem diretamente das questões políticas".

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