Geral

Ferrovia

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Novoeste está em situação difícil, diz sindicato

Novoeste está em situação difícil, diz sindicato

Texto: Paulo Toledo

Os representantes da holding Ferropasa, que administra as ferrovia Ferronorte, Novoeste e tem participação na FerroBan

(ex-Fepasa) disseram, em reunião com o Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (SindFerro) que a Novoeste, nesses três anos de concessão, enquanto esteve sob comando do Noel Group, acumulou prejuízo de R$ 16 milhões e que essa empresa se caracteriza, literalmente, como financeiramente quebrada, conforme relatou Roque José Ferreira, 43 anos, coordenador do SindFerro.

Ferreira disse que os representantes da holding afirmaram que, para viabilizar os negócios da Novoeste seriam necessários investimentos de R$ 40 milhões. Porém, diz o sindicalista, existiriam dificuldades para isso, em razão da política adotada pelos administradores do Noel Group, nos últimos três anos.

A reunião dos representantes da holding Ferropasa, que tem a Previ (fundo de pensão do Funcionários do Banco do Brasil) como majoritário, e o Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal) como segundo maior (confira quadro) com o SindFerro foi realizada anteontem.

Ferreira disse que, segundo os representantes da holding, nesses três anos foram investidos R$ 35 milhões na Novoeste. Porém, para o sindicalista, como todos os dados apresentados, esses números são discutíveis, uma vez que o Noel Group considerava qualquer compra como investimento, gerando uma distorção nos dados.

A holding Ferropasa detém, ainda, 36% das ações preferenciais da FerroBan, a antiga Fepasa.

Ferreira disse que os representantes da Ferropasa afirmaram que têm o objetivo de transformar a empresa. Para eles, o direito de passagem pela malha da FerroBan, que permite a ligação da Novoeste com o porto de Santos, é visto como um facilitador da situação da Novoeste. A previsão é de que será realizado um processo de integração da Ferronorte, da Novoeste e da FerroBan, transformando o sistema no maior transportador ferroviário de grãos do Brasil, conectando o Centro-Oeste com os principais mercados do País.

Nessa nova realidade, disse Ferreira, os representantes da holding informaram que serão mantidos em Bauru os Departamentos de Mecânica e Manutenção, que cuidam das locomotivas e vagões; o Departamento de Vias Permanentes, que faz manutenção da via permanente (trilhos); e o Setor de Transporte e Operação. O sindicalista informou que outros setores da área administrativa, como Recursos Humanos, Informática e Comercial, sejam concentrados em Campinas, além do controle de tráfego de trens. Isso pode ser um indicativo de demissão. "Vão transferir os setores, mas não discutiram a possível transferência dos empregados", afirmou.

A Novoeste deve receber 28 locomotivas e 200 vagões vindos da antiga Fepasa. Das locomotivas, 14 estariam em condições de uso, enquanto as outras necessitariam de reparos.

Ferreira disse que a única forma de recuperar a Novoeste

é com investimentos maciços e planejados, a médio prazo, na malha que vai de Bauru a Corumbá e de Campo Grande a Ponta Porã. Caso contrário, corre-se o risco de se ter a inviabilização do trecho, já que está muito deteriorado.

Devolução

Ferreira disse que, agora, confirma-se o fechamento do uso do prédio da antiga estação ferroviária. O sindicalista disse que a intenção da holding é devolver o patrimônio para a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), principalmente agora que está sendo cobrado o IPTU, que chega a R$ 110 mil.

Roque Ferreira afirmou que foi feita, ainda, na reunião, uma discussão sobre o pátio de Bauru, que está numa situação de degradação das instalações e, também, das condições de trabalho. "É propriedades da RFFSA, portanto é propriedade da União. Esse pátio literalmente abandonado vem colocando em risco, inclusive, a integridade dos trabalhadores", afirmou.

Há um estudo para identificar o que é interessante para a Ferropasa utilizar, podendo haver a devolução de parte do patrimônio à Rede, ou disponibilizar parte desse patrimônio para usos em convênio com a comunidade, desde que se elaborem projetos.

O coordenador do SindFerro disse que a entidade apresentou uma série de reivindicações trabalhistas, das quais algumas, como pagamento de horas extras, já foram atendidas. Ferreira disse que a empresa tem buscado compensar as horas extras com folgas, o que é irregular, pois não existe um acordo de banco de horas, o que obriga o pagamento das horas extras.

O sindicato pediu para que a holding intensificasse a manutenção da via permanente e dos equipamentos nos meses de novembro a janeiro, quando a quantidade de carga é menor, em razão da sazonalidade do transporte de grãos.

Ferreira disse que, apesar do quadro de escassez de recursos, mão-de-obra e equipamentos, houve um aumento de transporte na Novoeste na casa de 60%.

Composição da Holding Ferropasa

Previ 25,0%

Funcef 20,0%

Constran 19,5%

GE capital/AEG 9,5%

BNDESpar 8,4%

BRP-Ferronorte 5,2%

Banco Bradesco 3,8%

Noel Group 2,8%

Chemical Latin America 2,8%

Comentários

Comentários