Cercad e 1.600 pessoas fazem tratamento anti-rábico por ano
Cerca de 1.600 pessoas fazem tratamento anti-rábico por ano
Texto: Ieda Rodrigues
Cerca de 1.600 pessoas mordidas por cães ou gatos submetem-se ao tratamento anti-rábico por ano em Bauru. O tratamento
é necessário porque a cidade é considerada uma região onde não há controle da raiva
(não se sabe se existe ou não o vírus), apesar de há vários anos não ter sido registrado nenhum caso da doença. Em Araçatuba, foram registrados casos de raiva nos últimos anos, inclusive com mortes de humanos.
A prática de realização de exame para saber se houve ou não contaminação pelo vírus para depois iniciar o tratamento não é adotada porque a doença é fatal a partir do momento que o paciente apresenta os sintomas. Mas nem todas as pessoas que são mordidas por animais procuram um médico. A estimativa é de que cerca de 2.200 pessoas sofrem mordeduras por ano, das quais 1.600 fazem o tratamento.
Periodicamente, o Departamento de Saúde Coletivo (DSC),
órgão da Secretaria Municipal de Saúde, envia amostras de cérebros caninos ao Instituto Pasteur, responsável pelo controle da raiva no Estado, para análise. Mas para que a doença seja considerada sob controle em Bauru, ainda será preciso a implantação da carrocinhas para recolher animais errantes, de campanha pela posse responsável, de campanha de castração, de um canil para receber animais que precisam ficar sob observação e de uma boa cobertura vacinal.
O diretor do DSC, Luiz Ricardo Cortez, explicou que não
é possível saber quantas pessoas do total das que fazem o tratamento anti-rábico realmente foram contaminadas com o vírus porque não são feitos exames. Mas ele ressaltou que, provavelmente, a maioria não precisaria passar pelo incômodo do tratamento.
Por isso, o DSC pretende, nos próximos dois anos, conquistar, do Instituto Pasteur, um certificado de área de raiva controlada. Para atingir esse objetivo, estão previstas, para breve, uma campanha pela posse responsável do animal. Cortez explica que trata-se de uma campanha educativa, para que os filhotes não sejam abandonados e os animais não sejam deixados soltos nas ruas.
Outra campanha que está nos planos do DSC é pela castração de animais, para reduzir a população. Bauru, pelo censo canino realizado pelo próprio órgão no ano passado, tem cerca de 83 mil animais, entre cães e gatos, um número considerado muito alto. A proporção normal, segundo a Organização Mundial de Saúde
(ONU), é de um animal para cada habitantes. Portanto, Bauru deveria ter cerca de 30 mil animais.
Outra medida que precisará ser adotada, de acordo com o diretor do DSC, apesar de opiniões contrárias, é a implantação da carrocinha. Cortez ressaltou que o serviço é necessário para apreender animais errantes e que podem morder humanos e transmitir doenças, inclusive a raiva. A carrocinha estando em funcionamento, será necessário um canil para receber esses animais apreendidos e outros que precisam ficar em observação.
Tratamento
Há três tipos de tratamento contra a raiva, usado conforme cada caso, explicou o diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Luiz Ricardo Cortez. O primeiro tratamento, para quando o acidentado tem condições de observar o animal agressor, é o de três doses de vacina em dias alternados ou 12 doses.
Caso o animal seja errante ou o acidentado não possa observá-lo por algum outro motivo, o tratamento adotado é o soro-vacinação. Esse último tipo de tratamento só é feito nos prontos-socorros enquanto a aplicação da vacina
é feita em qualquer unidade de saúde.