Chuva causa transtorno em Piratininga
Chuvas causam transtorno em Piratininga
Texto: Marcos Zibordi
Moradores reclamam do lixo e da areia que se acumula próximo a residências. Outro problema é o mato alto em vários terrenos
Piratininga - Moradores de Piratininga estão reclamando dos transtornos que as chuvas têm trazido para a cidade e também dos trabalhos prestados pela Prefeitura quanto
à limpeza da cidade, principalmente em relação ao mato e a areia que se acumula em ruas e calçadas, em decorrência das enxurradas. Para o prefeito da cidade, Armando Persin (PSDB), a Prefeitura está prestando os serviços de acordo com sua disponibilidade de máquinas e equipamentos que, segundo ele, estão sucateados.
A reportagem do Jornal da Cidade percorreu alguns bairros da cidade, onde pôde constatar que algumas ruas apresentam como principal problema o mato nas calçadas e a areia acumulada pela chuva.
Segundo Aparecida de Fátima Silva, que mora em frente à construção abandonada da creche Sebastiana Falqueiro, o mato que tomou conta da construção causa problemas por causa dos insetos e outros animais que procriam naquele local.
"É muito mato, sai cobra daí de dentro. Uma cobra mordeu o cachorro, que morreu". Segundo a moradora, os vizinhos já sentem medo do local, por ele ter se tornado ponto de encontro para consumo de drogas. A moradora disse que, se a construção da creche estivesse concluída, muitos vizinhos poderiam deixar seus filhos nela, evitando uma longa caminhada para levá-los para outras escolas. "Não dá para calcular, mas atenderia bastante gente". Neste mesmo bairro, o ponto de ônibus está sem cobertura nenhuma, gerando desconforto e reclamação dos usuários.
Uma outra construção abandonada, que deveria ser a escola Sargento Olímpio Fernandes, também está tomada pelo mato. Marimbondos já fizeram "casas" no local, impossibilitando até o acesso ao interior do prédio.
No núcleo José Faustino de Souza, conhecido como
"Sapolândia", uma construção de praça foi interrompida, ficando só o calçamento completo. Com isso, o mato é que ocupam os locais onde deveriam existir bancos.
Os pontos de ônibus em mau estado de conservação também são alvo de reclamações dos moradores, que frequentemente os utilizam para se deslocarem até cidades vizinhas, principalmente Bauru. Pelo menos dois deles estão sem telhado ou com ele pela metade.
Segundo a moradora Ana Maria Gameiro, moradora do Jardim Quirilos, na rua Joaquim da Silva Paes, a lama da chuva invade sua casa.
"Não precisa ser chuva muito forte, a terra desce e encobre tudo, entra dentro da área e dificulta até a passagem dos carros. Vira um transtorno". A moradora reclama da rua que acaba em frente à sua casa e que, segundo ela, foi aberta ilegalmente, ocasionando o problema. "Nunca tomaram nenhuma providência. Até um senhor foi na Prefeitura, falou com o prefeito, mas ninguém tomou nenhuma atitude, nem para tirar a areia". Conforme a moradora, os seus vizinhos todos já reclamaram na Prefeitura sobre o problema, mas até agora nenhuma providência foi tomada.
Outra moradora que enfrenta um sério problema com a lama das chuvas é Izaltina Aparecida de Oliveira, 36 anos, moradora há oito anos na rua Dona Ercília dos Santos. Segundo ela, desde que reside naquele local o problema é o mesmo. A rua que acaba ao lado de sua casa traz todo o entulho e lama que descem com a enxurrada das chuvas para dentro de sua residência.
"Quando chove, minha casa precisa ser rapada de enxada e pá. Há algum tempo precisou a máquina da Prefeitura entrar no quintal para limpar a sujeira". Segundo ela, há três semanas foi pedido para a Prefeitura retirar a areia do local, o que não tinha sido feito até anteontem. "A gente não perde eletrodomésticos porque já não os tem mesmo". Só na casa desta moradora, são nove pessoas que sofrem com o problema.
Vereador pede redutor de velocidade
O vereador Eliseu Barros Guimarães, 47 anos (sem partido), disse que "fica triste ver a cidade deste jeito". Guimarães reclama também da falta de redutores de velocidade em alguns pontos da cidade. Segundo ele, o cruzamento das ruas Santa Cruz dos Inocentes com Dona Ercília dos Santos precisa de um
"quebra-mola", pois já ocorreram acidentes graves naquele local. Outro cruzamento perigoso, onde ocorreu atropelamento seguido de morte, fica no acesso da rua Doutor José Lisboa Júnior, no sentido centro-bairro.
O vereador disse que "a gente vai lá, pede, pede, e o prefeito diz que não tem verba, mas na minha opinião não fica caro".
Prefeitura está com a frota sucateada
O prefeito de Piratininga, Armando Persin (PSDB), disse anteontem que a Prefeitura dispõe de poucos equipamentos para fazer todos os reparos necessários, além da frota estar sucateada. O prefeito apontou também que, como a maioria das prefeituras, Piratininga sofre por causa da falta de verba. Ele disse que está tentando implantar uma filosofia na cidade segundo a qual ela deve se manter com recursos próprios.
"Se você for na cidade e prestar atenção, você certamente vai entender que todos os males que nós temos em Piratininga, são menores que os males de várias cidades da nossa região".
Sobre o problema do mato em várias calçadas da cidade, Persin disse que "essa é a época que o mato cresce depressa. Para a Prefeitura nem sempre é interessante você chegar e limpar um terreno e cortar o mato de vez, por uma razão muito simples: é terra que desce para a cidade". O prefeito completou dizendo que a situação
é complicada porque "você tira o mato, a terra desce. Você deixa o mato, o pessoal reclama".
Em relação às duas escolas com construção abandonada, o prefeito explica que essas obras foram iniciadas em outras gestões e com a verba garantida. Segundo ele, já era para estarem prontas. "Se há um culpado naquilo, naturalmente o culpado é primeiro que recebeu. Não temos recurso financeiro". Ele informou que praticamente todas as crianças em idade pré-escolar estão estabelecidas e que os alunos do ensino fundamental estão todos na escola.