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Ieda Rodrigues
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Mutuários do J. Regino vão pedir à Justiça redução das prestações

Mutuários do J. Regino vão pedir

à Justiça redução das prestações

Texto: Ieda Rodrigues

Cerca de 400 mutuários do Núcleo José Regino

(Bauru 25) decidiram, em reunião anteontem à noite, pedir à Justiça redução no valor das prestações das casas em que moram, a exemplo do que fizeram os mutuários do Núcleo Mary Dota e Édson Francisco da Silva (Bauru 16). Eles consideram o valor das prestações, cerca de R$ 200,00, muito alto.

Conforme explicou o presidente da Associação dos Mutuários do Mary Dota, Paulo Ferreira, que participou da reunião no José Regino, o que os mutuários pedem à Justiça é a troca do índice de reajuste das prestações das casas, de Taxa Referencial

(TR) pela Índice Nacional de Preços ao Consumidor

(INPC). Com a substituição do índice, segundo Ferreira, os valores das prestações e dos saldos devedor devem cair em 50%. Juízes de alguns estados, como o Mato Grosso, deram ganho de causa aos mutuários, segundo Ferreira, reduzindo em até 50% o valor das prestações.

Gisleine Tavares Barbosa, 1.ª secretária da Associação de Moradores do Núcleo José Regino, disse que as prestações das casas estão sendo reajustadas, mas os salários não. Ela disse que cerca de 70% dos 1.014 mutuários do núcleo estão inadimplentes.

"A prestação da minha casa, por exemplo, passou de R$ 189,00 para R$ 220,00 em outubro, mas o salário do meu marido não foi reajustado. Muitos não têm aumento de salários há cinco anos", disse.

Para Gislaine, além dos salários não estarem acompanhando o valor das prestações, as casas, pela estrutura, não valem o que o mutuário está pagando. "Pagamos todos os meses e o saldo devedor nunca cai, sempre temos o que pagar", reclamou. A moradora disse que os mutuários do Núcleo José Regino já procuraram a Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru, mas não houve acordo porque a companhia exige o pagamento de 50% da dívida para fazer renegociação.

A partir de segunda-feira a Associação de Moradores estará recolhendo a documentação dos mutuários para dar entrada na Justiça pedindo a redução do valor das prestações. Já no Mary Dota, de acordo com Paulo Ferreira, existem 150 ações em andamento e outras 500 devem ser impetradas no próximo mês.

Ferreira explicou que os mutuários do Mary Dota também pedem, na Justiça, que a taxa de seguro das casas seja

única, independente do valor das prestações. Hoje, segundo explicou, como as prestações são diferenciadas há mutuários pagando mais que os demais pelo seguro.

Outro argumento para pedir a redução das prestações

é que a Justiça já proferiu sentença favorável aos mutuários porque não foi usado material de construção da qualidade prevista no contrato, segundo disse. O presidente da Associação dos Mutuários do Núcleo Mary Dota ressaltou que os mutuários querem pagar as prestações, mas diante da crise que o País atravessa e desemprego, a inadimplência está crescendo.

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