Obesidade infantil é motivo de preocupação
Obesidade infantil é motivo de preocupação
Texto: Gustavo Cândido
Aproximadamente 7% da população obesa do País
é formada por crianças com menos de 10 anos de idade. Com o tempo, elas vão estar mais propensas a adquirir algum problema de saúde porque começaram a ficar obesas muito cedo.
De acordo com a nutricionista Suely Prieto de Barros Almeida Peres, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais
(Centrinho), as crianças obesas, além de correrem o risco de alguma doença, ficam estigmatizadas pela sua aparência, ganhando apelidos pejorativos.
Nos últimos tempos a obesidade vem sendo considerada um problema de saúde pública em todos os países desenvolvidos e também no Brasil, que tem 30% da sua população formada por pessoas acima do seu peso ideal.
O problema de estar acima do peso é que um grande número de obesos acaba sofrendo de dislipidemias, que são alterações nos lipídios (gorduras) corpóreos, caracterizada ou pelo aumento das taxas de colesterol ou triglicérides ou pela diminuição de HDL, a gordura saudável que o organismo reserva. Essas alterações podem ocasionar derrames, infartos, aneurismas, entre outros problemas.
Segundo dados de 1998, no Estado de São Paulo, 45% dos obesos apresentam alguma alteração lipídica. No Rio de Janeiro esse número sobe para 89%.
Ajuda da família
Para cuidar de crianças acima do seu peso, Suely Prieto propõe-se a fazer um trabalho com a criança e toda sua família, que precisa colaborar, comprando, consumindo e mantendo em casa alimentos saudáveis. "Do que adianta eu pedir para a criança trocar a bolacha por uma fruta se a dispensa da sua casa está cheia de bolacha? Não há criança que resista", explica a nutricionista.
Para se aproximar das crianças e conseguir que elas mudem sua forma de se alimentar, Suely Prieto usa métodos lúdicos, com muitas brincadeiras e trocas, o que também faz com que ela fuja do perfil de doutora que vem para punir por algo feito errado. Com a aproximação, a especialista pode identificar se a criança tem um erro alimentar ou um distúrbio do apetite e come por compulsão, o que necessitaria de um acompanhamento psicológico.
Identificado o problema da criança, o próximo passo
é trabalhar com os seus hábitos alimentares (como mastiga, como bebe, etc.) e com os hábitos da família
(como a mãe faz compras, como é o cardápio em casa), trocando aos poucos os alimentos e diminuindo a quantidade de gorduras e açúcares. "A comida do dia-a-dia tem que ser simples. O brasileiro tem mania de achar que tem que mostrar que é rico na mesa, fazendo diversos pratos. A gente tem que comer para viver e não viver para comer", diz Suely Prieto.
"Aos poucos, a criança vai aprendendo a identificar os alimentos e quantas calorias possui", diz a nutricionista, que ensina aos seus pequenos pacientes os valores nutricionais do que vão comer. O tratamento pode durar um ano, mas depois disso a criança vai sendo reeducada, comendo três frutas por dia, verduras, legumes etc.
O ideal é a reeducação alimentar, seja acompanhada de algum exercício físico, como uma caminhada, por exemplo, que pode ser feita com os pais. Comer numa lanchonete de vez em quando é até possível e normal. O segredo, de acordo com a nutricionista, é lembrar que o prazer nunca pode ser maior do que a saúde.
Alimentação ideal
Não é preciso deixar de comer o seu prato ou alimento favorito para ter uma dieta saudável. É possível comer de tudo todos os dias sem problemas seguindo somente a quantidade exata de cada item:
* Pães, cereais, arroz e massas - seis a 11 porções diárias
* Vegetais - três a cinco porções diárias
* Frutas - duas a quatro porções diárias
* Carne, aves, peixes, ovos, feijão, nozes, leite, iogurte e queijo - duas a três porções diárias
* Gorduras, óleos e açúcares - quanto menos melhor