Internet ainda é grego para cidadão comum
Internet ainda é grego para cidadão comum
Texto: Alessandra Morgado
Internet. O que é parte da rotina para uns, não passa de horizonte desconhecido para outros. Para uma grande massa populacional esse conceito ainda não foi assimilado e, muito menos, utilizado.
Ivo Leite, 31 anos, gerente do provedor Bauru On-Line, disse que há uma estimativa de que o País chegará ao ano 2000 com 12 milhões de computadores. Em Bauru não existem dados precisos sobre o número de máquinas espalhadas pela cidade, mas Leite calcula que perto de 21 mil pessoas estejam plugadas na Internet.
Calcula-se que chegam a dez número de provedores de acesso
à Internet, em Bauru. E informações extra-oficiais dão conta de só quatro dos provedores da cidade têm juntos mais de 10 mil usuários acessando a rede, porém o número real de usuários é desconhecido.
O computador e a Internet, esses desconhecidos, vem despertando a curiosidade de muita gente. Pesquisa Ibope aponta que o computador tem uma penetração de 7% nos lares pesquisados pelo Levantamento Socioeconômico (LSE) 1996/97. Esse número
é superior aos 2% encontrados na pesquisa de 1993/94. O crescimento pode ser creditado não só à tendência natural de mercado como também à popularização da Internet no Brasil.
A Grande São Paulo concentra o maior número de computadores por domicílio, alcançando um índice de
13% no estudo recente, contra 4% na pesquisa anterior. O Distrito Federal, que detinha marca semelhante, apresentou agora 11%. A terceira região que acusou maior número de computadores foi a Grande Curitiba.
Apesar de o "cidadão comum", em sua maioria, desconhecer a Internet, as pesquisas apontam um crescimento no interesse e utilização desse meio de comunicação.
Maioria é "heavy user"
A Internet é acessada por 29% dos usuários de computador. Desses, 42% são heavy users, visitando a rede mundial diariamente e 30%, semanalmente. A constatação é da pesquisa Internet Brasil, realizada pelo Ibope Mídia, em março de 1998. Foram entrevistados 15.092 brasileiros.
Na pesquisa, 55% dos internautas são homens e 85% pertencem
às classes A e B. Entre as faixas etárias que mais utilizam a Internet, 49% dos usuários estão situados entre 20 e 39 anos, 33% estão entre os 10 e 19 anos e 18% têm mais de 40 anos. São Paulo é a cidade que mais tem internautas, com 47%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 18% e pelo Distrito Federal e Belo Horizonte, com 7% cada uma.
No universo pesquisado, 50% acessam a Internet de casa (própria ou de parentes e amigos). Uma faixa de 10,6% entram na rede de casa e do trabalho. Entre os pesquisados, 65% revelaram que, nos
últimos seis meses, usaram a Internet para navegar pelos sites, 57% para passar ou receber mails e 38%, para bater papo nos chats. A penetração de computador na casa ou no trabalho dos entrevistados está situada na faixa de 25,4%. Enquanto a participação do equipamento na população das classes A e B é de 51%, na classe C é de 19%. O Distrito Federal é o mercado de maior presença de computadores, com 29%; na frente de São Paulo, com 28%. Entre os 3.836 que possuem computador, 41% disseram que ele permite acessar a Internet e 20% não sabiam se era possível. Do total pesquisado, 18% declararam ser usuários de computador, sendo 30% exclusivamente de casa e 28,6%, do trabalho.
Rede recebe mais mulheres
Os internautas típicos são homens, mas a participação feminina vem se fortalecendo na Rede. Em novembro de 1996, elas representavam 17% e, em agosto de 1998, são 29%. Embora a Rede seja acessada por todas as faixas etárias, há uma expansão em torno dos internautas entre 20 e 29 anos. A maioria dos internautas é solteira (64%) e exerce alguma atividade econômica (70%).
A Internet tem perfil qualificado, sendo acessada por 18% de executivos e empresários. Mais da metade dos pesquisados têm renda familiar acima de 20 salários mínimos, sinalizando o topo da pirâmide social, mas há uma tendência
à popularização. O principal grupo de internautas possui secundário completo. A língua inglesa é falada por 55%, especialmente pelos mais jovens. Quase um quinto dos internautas trabalha com informática, mas o crescimento de usuários com esse perfil ocupacional vem se reduzindo, dando espaço para todas as categorias profissionais, especialmente as da área administrativa.
A 3.ª pesquisa Cadê?/IBOPE recebeu questionários de todo o país, indicando a aceitação da Rede em nível nacional. Os Estados com maior número de usuários são os das regiões Sudeste e Sul e também do Distrito Federal.
Defina o que quer antes de comprar um computador
Quem deseja entrar nesse mundo desconhecido da informática para ter a vida facilitada na escola, trabalho ou mesmo em casa tem as portas abertas. Mas, para comprar um computador é necessário, inicialmente, descobrir tudo o que você quer fazer com ele. Quando você vai comprar um carro, por exemplo, define objetivos. Se for para usar num sítio, prefere uma camionete. Se for para a estrada, um carro mais econômico. Se a família é grande, um carro grande. E por aí afora. Com o computador é a mesma coisa.
O doutor em Ciência da Comunicação e professor na Faculdade de Ciências João Fernando Marar, 37 anos, destaca a importância do computador na vida das pessoas Aliado ao desenvolvimento social, a figura do computador é muito importante.
Mas ele alerta: antes de comprar o seu computador tenha em mente a utilização. Se não tem a menor idéia do uso de tal máquina, tente sem empolgação comprar uma máquina mais barata do tipo 486 ou 386 para saber com o que ela pode contribuir. Caso goste, tente procurar saber quais os periféricos que sua máquina necessita conter para novas aventuras cibernéticas, tipo "vou usar uma internet?". Tenha sempre em mente que a mudança
é muito rápida nos dias de hoje e custa caro estar atualizado.
Até mesmo coisas que as pessoas estão jogando fora pode ser útil dependendo de sua atividade. Se você tem um computador parado em casa que não usa tente doar para sociedade (entidade social) de bairros ou coisas importantes, que poderia dar um fim melhor para isso.