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Inadimplência

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Inadimplência no comércio cai 36%

Inadimplência no comércio cai 36%

Texto: Paulo Toledo

A inadimplência no comércio de Bauru teve uma redução de 36,74%, em janeiro, quando foram registrados 6.366 inadimplentes no Serviço de Proteção ao Crédito

(SPC), contra 10.063 do mesmo mês do ano passado. O número de negativações em 23 meses, ou seja, desde fevereiro de 97. Porém, isso não significa motivo de comemorações para os lojistas.

Se a comparação for feita com o mês de dezembro de 98 a queda de negativações é menor, ficando em 8,98% (veja quadro). No ano passado, os números foram inconstantes, mas o ano fechou num aumento de 16,83% em relação a 1997, subindo de 106.655 para 124.610.

Porém, uma outra queda desagradou os lojistas de Bauru. Em janeiro do ano passado, 7.498 negativações foram canceladas, enquanto neste ano o número ficou em 4.027, uma redução de 46,23%. O SPC fechou 98 com um crescimento de 34,54% nos cancelamentos, que atingiram 75.760 (veja quadro).

O número de consultas aos terminais do SPC foram as únicas que cresceram em janeiro. Os lojistas acionaram as consultas 61.196 vezes, contra 58.724, em janeiro de 98, num aumento de 4,21% Ao longo do ano de 98, 847.771 clientes foram checados pelas lojas, num aumento de 5,09% em relação aos 806.637 de 1997

(veja quadro). Marco Antônio Grecca, 54 anos, secretário geral do SPC, acredita que os lojistas estão mais seletivos na concessão do crédito e, por isso, manteve-se a tendência do crescimento das consultas ao órgão.

O economista Reinaldo César Cafeo, 37 anos, destaca que os registros de inadimplência são, na maioria, de clientes que deixaram de pagar suas prestações em novembro e dezembro, para os crediários de curto prazo, ou de prestações adquiridas por volta de julho de 98, para os casos de crediário de longo prazo.

Para ele, a queda se deveu, ainda, ao fato das pessoas terem evitado as compras parceladas, depois de outubro de 98. Para ele, a maioria das pessoas fez prestações curtas, que carregam menos riscos de inadimplência. O fato das pessoas terem comprado mais à vista, com recursos do 13.º salário, em dezembro, favoreceu a queda.

Cafeo diz, no entanto, que em fevereiro o reflexo do acumulo de contas em janeiro, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores

(IPVA), pode força um crescimento na inadimplência, a partir de fevereiro. "Qualquer aumento no volume de negativação, vamos sentir a partir de fevereiro. Claro que teremos que considerar que esse número pode ser assustadoramente maior com a mudança no prazo de negativação (veja boxe), que trará um maior rigor", afirmou.

Sobre o crescimento nas consultas ao SPC, Cafeo disse que o mês de janeiro foi um mês de mais rigor por parte das empresas. Ele destaca que não houve maior movimentação econômica em relação ao ano passado. Para ele, no mês passado, houve um aumento de insegurança dos empresários e, com isso, ocorreu um crescimento no cuidado para a liberação de crédito. "Não

é um retrato de recuperação de vendas", afirmou.

SPCs vão negativar em 15 dias

Desde ontem, o Serviço de Proteção ao Crédito

(SPC) de Bauru iniciou a negativação clientes inadimplentes após 15 dias de vencidas as prestações, se enviados pelas lojas, conforme mudança no regulamento nacional dos SPCs, que permitiu a redução do tempo de 30 para 15 dias. A medida visa uma uniformização de procedimentos do serviço, em todo o País.

Marco Antônio Grecca, 54 anos, secretário executivo do SPC, afirmou que, com a nova medida, as lojas já podem enviar para negativação, no 16.º dia, as prestações atrasadas. De acordo com ele, todos estão sendo avisados para evitar que as pessoas aleguem desconhecimento.

Para Grecca, a medida é uma ferramenta necessária, pois os lojistas vinham intensificando o envio de registros de inadimplentes. Porém, o prazo de espera era considerado longo, pois os juros pagos pelos clientes são menores do que o comerciante paga, quando é obrigado a recorrer a bancos para cobrir o dinheiro que não entrou em razão da prestação em atraso.

O secretário geral não acredita que haverá um crescimento nos índices de inadimplência em razão da mudança. Para ele, quem quer pagar faz isso na data do vencimento.

Reinaldo César Cafeo, 37 anos, economista e diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), afirma que a nova sistemática vai mudar a estatística toda e, além disso, dificultar mais a vida das pessoas. Para ele, o momento escolhido para fazer o "aperto" nos inadimplentes foi errado, pois o clima é de grande insegurança.

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