A complicada promessa de FHC
A complicada promessa de FHC
B. Requena é editor de Internacional do JC
O presidente Fernando Henrique Cardoso, em mais de uma oportunidade, no último final de semana, garantiu à população brasileira economicamente ativa que em hipótese alguma tem a pretensão de ordenar um feriado bancário ou confiscar dinheiro que se encontra depositado na caderneta de poupança.
Em pronunciamento oficial e durante entrevista concedida por ocasião da entrega da nova sede de uma empresa de televisão, em São Paulo, o chefe da Nação disse claramente que "não haverá feriado bancário nenhum, não há nenhum plano sendo elaborado. Eu não seria homem de fazer confiscos, fechar contas de repente. Seria uma traição ao povo brasileiro, ao meu passado, aos milhões de votos que recebi". E "eu mais uma vez peço aos brasileiros que não vão na onda de gente que quer atrapalhar o País. Fiquem tranqüilos porque não vai acontecer feriado bancário nenhum".
Os brasileiros estão lembrados que durante a sua campanha para a Presidência da República, o ex-presidente Fernando Collor de Mello alardeou nos palanques pelo Brasil afora, e através da Imprensa, que não tinha a intenção de adotar essa medida. E decretar feriado bancário, confiscando a poupança e inclusive levando à desgraça muitas famílias, pela maneira sem qualquer critério como foi adotado, foi o primeiro ato de Collor. Bem, posteriormente, o ex-governador das Alagoas, por motivos que são amplamente conhecidos e que culminaram com a sua renúncia, num processo de impeachment, acabou provando não ser merecedor de crédito, motivo pelo qual a sua palavra empenhada e não cumprida se constitui apenas num item do contexto do que protagonizou e que a população prefere esquecer.
E quanto a FHC? Teria a ousadia de inserir seu nome na mesma página suja de seu antecessor que, por coincidência também leva o seu nome?
Outro aspecto a se considerar é o controle que sua excelência exerce sobre a economia para fazer tal afirmação. Isto porque em determinadas situações caóticas, todos sabemos que ao invés de o economista exercer a sua supremacia sobre a economia, é a economia que se sobrepõe. E medidas são adotadas contra a vontade. Por pressões das circunstâncias. É claro, vamos torcer para que o presidente consiga manter aquilo que prometeu à Nação, de maneira tão enfática. Porque sua palavra foi perigosamente empenhada. (B. Requena)