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Afastamento do prefeito

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Prefeitura vive tarde de tensão e surpresa

Prefeitura vive tarde de surpresa e tensão

Texto: Josefa Cunha

A movimentação no prédio da Prefeitura em virtude do afastamento de Antonio Izzo Filho começou no meio tarde, por volta das 16 horas. Pela segunda vez na semana, a imprensa teve acesso impedido ao terceiro andar, onde fica o Gabinete, mas, mesmo do lado de fora, pôde acompanhar a tensão dos assessores e a saída do prefeito afastado, que deixou o Palácio das Cerejeiras na companhia do advogado Ailton Gimenez, seguranças e alguns poucos solidários.

Izzo Filho recebeu de surpresa a visita do oficial de Justiça que lhe comunicou a decisão do juiz Mauro Ruiz Daró. A reunião com o oficial durou mais de uma hora e só terminou quando Ailton Gimenez determinou o cumprimento da ordem judicial. Enquanto isso, assessores e funcionários de confiança deixavam o prédio, alguns deles em posse de caixas com documentos.

A irritação era clara entre secretários e assessores diretos de Izzo Filho. O titular dos Negócios Jurídicos, Fernando Spagnuolo, ameaçou processar um cinegrafista caso sua imagem fosse ao ar. Já o secretário do Bem-Estar Social, Darci Rodrigues, classificava, na frente de vários curiosos que estavam no pátio da Prefeitura, a decisão do juiz como "pobre", mais parecida com algo que veio de "um acadêmico do quinto termo". Alberto Ayub Júnior, titular da pasta de Turismo, não parava de receber e fazer telefonemas pelo celular. A tensão ficou maior quando a Polícia Militar impediu a saída de quatro veículos - duas viaturas municipais - que continham documentos retirados do prédio.

A liberação dos carros retidos, nos quais foi encontrado apenas um documento original da Prefeitura, ocorreu simultaneamente

à chegada de Nilson Costa (PL), que já havia sido reempossado na Câmara Municipal. A essa altura, a Praça das Cerejeiras já estava rodeada de populares curiosos e apoiadores de Nilson.

O prefeito chegou à Prefeitura por volta das 18 horas, escoltado por motocicletas e viaturas policiais. Aplausos e rojões anunciaram seu retorno ao Palácio. Em cerimônia simples, com o auditório lotado pelos secretários que compuseram seu governo e outros apoiadores, Nilson assinou a ata de posse e, sem esconder a empolgação, anunciou as primeiras medidas para a continuidade de seu mandato. Nilson foi empossado pela primeira vez em agosto do ano passado e retornou exatamente dois meses após a concessão da liminar que reconduziu Izzo Filho ao cargo.

PM cerca Cerejeiras e detém carros

Texto: Josefa Cunha

Seguindo determinação verbal do juiz Mauro Ruiz Daró, responsável pelo novo afastamento de Antonio Izzo Filho, o comandante da 1.ª Cia. da PM, capitão Benedito Roberto Meira, proibiu a saída de documentos do prédio até a chegada de Nilson Costa (PL) ao prédio da Prefeitura. Pelo menos dez viaturas, além de vários policiais de bicicleta, foram deslocadas para garantir o cumprimento da determinação.

Vários assessores do Gabinete deixaram o prédio com caixas cheias de documentos, os quais, segundo eles, tratavam-se de papéis de "cunho pessoal". No departamento de fotografia, filmes foram retirados a pedido do Gabinete. O material foi colocado em quatro veículos estacionados na garagem do paço, mas a PM impediu a saída dos mesmos. A postura dos policiais irritou secretários e assessores, que ameaçavam registrar boletim de ocorrência por abuso de poder.

Sem se intimidar com as ameaças, o capitão Benedito Roberto Meira manteve a ordem e argumentou que os veículos se encontravam em prédio público e, portanto, passíveis de retenções em tal circunstância. "No momento em que fui comunicado da liminar, recebi orientação do promotor de impedir a retirada de documentos. Quando cheguei, vi as pessoas encaixotando papéis e as avisei da recomendação; elas disseram que se tratavam de documentos pessoais. Acho que documentos pessoais se resumem a pastas e não a volumes em caixas", considerou. A orientação do promotor foi posteriormente ratificada, mais uma vez de forma verbal, pelo juiz Mauro Ruiz Daró.

Por conta do impasse criado no pátio da Prefeitura, o comandante da PM determinou que os carros retidos fossem vistoriados pelo oficial de Justiça e por algum assessor de Nilson Costa. Caso nenhum documento fosse encontrado, a saída seria liberada.

No interior dos quatro veículos, muitas cópias xerocadas de documentos foram encontradas, mas somente um contrato original acabou apreendido. Na verdade, a averiguação foi superficial e não teve acompanhamento de técnico competente para avaliar a importância ou não de tantos papéis.

No porta-malas de um dos carros, um Volkswagen Santana preto, de propriedade de um dos assessores de Izzo Filho, estava uma pilha de exemplares do jornal semanal o "Bauruense". O periódico ficou conhecido pelos ataques diretos e pesados

à imprensa e aos opositores do prefeito afastado. A cúpula izzista, entretanto, sempre negou vínculos com o referido jornal.

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