SUS não paga a AHB
SUS não paga a AHB
Texto: Paulo Toledo
O Ministério da Saúde não depositou, anteontem, o pagamento dos serviços prestados pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) ao Sistema
Único de Saúde (SUS), no mês de dezembro de 98, num total aproximado de R$ 1,25 milhão. A informação do não-pagamento dos hospitais foi divulgado, ontem, pelo Sindicato dos Hospitais do Estado de São Paulo (SindHosp) e confirmado pelo administrador da AHB, Reinaldo Silvestre Rocha, 42 anos. Ele disse que, por enquanto, o atendimento não será afetado, por ordem do presidente da entidade, Joseph Saab, 53 anos.
Há informações de que o crédito das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), que equivale a R$ 638 mil, se não houver cortes feitos pelo SUS, deve ser feito na terça-feira. Somente no dia seguinte a entidade vai pagar seus funcionários. De acordo com o SindHosp, muitos estabelecimentos conveniados não terão como pagar os salários deste mês.
Porém, ainda, não há previsão de quando serão creditados os cerca de R$ 610 mil dos atendimentos ambulatoriais. Vale destacar que o atendimento é referente ao mês de dezembro. Um paciente que foi entre os dias 1.º e 5 de dezembro, por exemplo, está tendo o pagamento da fatura realizado após 60 dias, ou melhor, se tivesse sido paga. O atendimento na AHB continua normal, exceto no raio-x e em relação aos marcapassos, que estão com implantação suspensa.
O SindHosp alerta que a alta do dólar e o aumento nos preços de alguns medicamentos, insumos e materiais já estão elevando os custos dos estabelecimentos de saúde e, caso não haja entendimento entre essas entidades e seus compradores de serviços, como os Governos Federal e Estadual e empresas de medicina alternativa (medicinas de grupo, seguradoras, cooperativas etc.), o atendimento à população deve ser inviabilizado e muitas empresas podem fechar as portas.
"O dólar, por exemplo, reflete no pagamento dos equipamentos importados adquiridos por muitos estabelecimentos no ano passado. Os insumos utilizados pelos laboratórios de análises clínicas, em sua maioria, também são importados e alguns medicamentos tiveram, sim, seus preços reajustados. É óbvio que isso significa custos maiores para as empresas", explica o presidente do Sindhosp, Dante Montagnana.
A situação não é crítica apenas para as entidades conveniadas com o SUS, que se encontram em péssimas condições econômico-financeiras com os baixos valores recebidos do Governo Federal e sem a menor perspectiva de reajuste, por parte do Ministério da Saúde. Na opinião de Montagnana, os estabelecimentos de saúde que atendem usuários de planos de saúde também terão dificuldades em negociar com essas empresas. "Isso pode gerar um atrito entre as partes. É preciso, nesse momento, que todas as entidades representativas do setor saúde sentem para discutir uma solução, caso contrário, a curto prazo a assistência médica no país será inviabilizada", defende.