Setor alimentício discute preços e especulação no Ciesp
Setor alimentício discute preços e especulação no Ciesp
Texto: Luciano Augusto
Empresários do setor alimentício de Bauru e região discutiram ontem, na regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), saídas em relação
à política de preços e negociações com fornecedores, visando diminuir o impacto da nova política cambial estabelecida com a crise do real. Os repasses especulativos foram condenados pela indústria alimentícia.
O setor pretende diminuir ao máximo possível o impacto causado pela desvalorização do real frente ao dólar, na indústria alimentícia. As empresas deste setor são rapidamente atingidas pelas variações cambiais, uma vez que 70% do trigo consumido no país é importado e a cotação do insumo é baseada no dólar.
Esta reunião inicial serviu para a elaboração de um plano de atuação e para aconselhar os empresários a deixarem de lado a especulação.
A possibilidade primeira seria a criação de uma associação ou cooperativa entre as diversas empresas. Essa união do setor busca favorecer uma melhor negociação dos insumos, comprando um volume maior da matéria-prima e através desta negociação conseguir preços mais reduzidos.
O diretor titular do Ciesp em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, explicou que, "uma vez que o trigo é, praticamente, todo importado da Argentina, é preciso buscar alternativas de importação da farinha. Através deste volume criado pela associação, este conjunto de empresas podem reduzir preços e não estarem repassando o aumento para a sociedade".
Além da preocupação em relação ao trigo, os empresários também vão estar
"elencando todos os produtos utilizados" para buscar novos valores de mercado e utilizar da força do grupo na mesa de negociação para rever os preços praticados.
Para Simonelli, existe essa disposição do empresariado já que "houve a imposição da política cambial. O mercado está regulando o dólar, mas mesmo assim, irá ocorrer uma defasagem e nós entendemos que muitos produtos estão aumentando de valor de forma especulativa, sem fundamento".
Esta "cultura especulativa" é outra preocupação do empresariado. Como foi discutido na reunião, o setor quer "uma conscientização maior, de forma que tudo aquilo que tiver que ser repassado para o preço dos produtos não seja oriundo de especulação". Simonelli explicou que mesmo os reajustes legítimos que forem repassados "não serão absorvidos pelo mercado", porque a massa salarial está menor, o poder aquisitivo do mercado consumidor está diminuindo e a recessão
é um quadro cada vez mais nítido. E ressaltou que
é preciso combater dentro do próprio empresariado os aumentos ilegítimos, como forma de prevenir a inflação.
Não descartou, entretanto, a necessidade de se estar exercendo uma pressão política sobre o governo, "que
é o agente que está ditando as regras". Segundo Simonelli, "a política cambial praticada pelo governo não pode permanecer do jeito que está. Tem que ser tomado um rumo mais definido em relação a esta política e à política agro-industrial, que tem que ser mais voltada para o Brasil, com o incentivo da produção nacional".