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Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Álcool é o principal vilão no carnaval

Álcool é principal vilão no período

Texto: Sabrina Magalhães

Mal-estar, torções e acidente de trânsito são registros mais comuns nos Pronto-Socorros na época da folia

A procura por pronto-socorros aumenta muito no período de carnaval e, segundo a diretora clínica do PS Municipal de Bauru, Maria Regina Trota Pinheiro, a maior parte das ocorrências tem como vilã a bebida alcoólica, seja causando mal-estar gástrico ou acidentes, inclusive com mortes.

"O que a gente nota é que beber no carnaval é tradição e as pessoas acabam misturando bebidas fermentadas com destiladas e não se alimentando, então passam mal, têm náuseas, chegam à sudorese, hipoglicemia, ao coma."

Ela comentou que as náuseas são as conseqüências mais comuns do uso de álcool durante a folia. Mas a embriaguez também é responsável pelo drástico aumento no número de acidentes em rodovias, principalmente na sexta-feira e quarta de Cinzas, quando boa parte das pessoas sai e retorna de viagem. No início da viagem, muitos decidem fazer um "aquecimento", ingerindo álcool ainda no caminho. Na volta, há sempre os que tomam a "saideira" antes de iniciar o retorno à rotina. Nesta ânsia de aproveitar cada minuto, milhares perdem a vida anualmente.

Outro problema da ingestão de bebidas é a mistura com drogas. Além das ocorrências com os usuários já acostumados, é comum, durante o baile, pessoas mal intensionadas colocarem substâncias entorpecentes no copo dos desatentos, ou fazer a dissolução no próprio copo e sair oferecendo seu "drinque" para todos. "Muitas vezes recebemos jovens absolutamente fora de si, inconscientes, que apagaram sem saber o que estavam bebendo. As garotas, principalmente, que perdem o sentido e não sabem o que estão fazendo, nem se lembram depois. Em outros casos, corre-se o risco de um mal súbito, uma alteração cardíaca por superdosagem. Sem socorro rápido, a pessoa pode morrer."

E depois, em número maior, porém com menor gravidade, chegam ao PS os pacientes com torções, cortes por garrafas quebradas, ferimentos por queda em salão escorregadio, fraturas simples. No intuito de se prevenir, recomenda-se atenção e moderação.

Gastrite

A maioria dos foliões, mesmo que não vá para o pronto-socorro, acaba sendo vítima das irritações gástricas pela ingestão prolongada de bebidas alcoólicas, geralmente depois de um longo período de jejum. Para prevenir o efeito desagradável do vômito e da ressaca, o gastroenterologista Nelson Maeda recomenda uma alimentação prévia adequada e leve, dando-se preferência às frutas e verduras, e hidratação.

"Quando você ingere álcool de estômago vazio, não há diluição dele, de forma que a absorção pelo tubo digestivo é muito mais rápida, ou seja, o álcool sobe mais rápido, como se diz. Neste sentido, quanto maior o teor alcoólico da bebida, piores os efeitos. É por isso que a mistura de fermentados com destilados é contra-indicada. Se uma cerveja tem, suponhamos, 5% de álcool, uma dose de uísque pode chegar ao teor de 40%."

Questionado sobre os sintomas da "ressaca", Maeda explicou que 90% do álcool metabolizado é eliminado pela urina. O restante sai via pulmonar (o que explica o funcionamento do bafômetro). Destes 90% que passam pelo estômago, boa parte se transforma num composto químico tóxico, o aldeído, que irrita todo o aparelho digestivo, fazendo com que o organismo rejeite o que é ingerido, induzindo

às náuseas. Aí, em excesso, o álcool pode levar a quadros de gastrite aguda, inflamações no estômago.

Outro efeito do álcool, segundo o especialista, é inibir a atividade de um hormônio anti-diurético, o que leva a pessoa a urinar mais que o normal, perdendo uma quantidade de água muito grande, o que explica a sede do dia seguinte. Além disso, a bebida atua como vasodilatadora cerebral, resultando nas dores de cabeça.

Torções

"O paciente jovem e o adulto até os 40 anos, com um condicionamento físico adequado, depois de pular só tem o incômodo da dor, do cansaço. Já o paciente acima dos 40, que não tem um bom preparo físico, a sobrecarga da folia pode levar a lesões do aparelho músculo-esquelético, inclusive com rupturas de tendões e ligamentos", destacou o ortopedista Leonardo Barbi.

Ele recomenda aos que têm facilidade de torcer o tornozelo o uso de tornozeleiras e aos que têm facilidade de torcer o joelho, joelheiras. Com isso, evita-se o agravamento de lesões preexistentes. Outra recomendação é para quem tem pé chato: a palmilha ortopédica deve ser usada durante o baile, sendo adaptada inclusive ao calçado escolhido para acompanhar a fantasia.

Questionado, o médico afirmou que uma dor muscular depois de esforço físico merece avaliação médica se, passados três a quatro dias, não houver melhora. Ele salienta que as dores por falta de condicionamento passam rápido, enquanto que as dores por lesão persistem até que seja feito um tratamento. "Mas o médico tem quer ser procurado logo, porque se a doença ultrapassa o intervalo de três a quatro semanas, ela se torna crônica e o tratamento fica mais complicado, podendo se necessária até reabilitação com fisioterapia e suspensão temporária da atividade esportiva." Ele concluiu, lembrando que é impossível fazer um condicionamento em uma semana, mas aquecer os músculos por alguns dias diminui os riscos de dores e entorses.

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