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Estrias

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 10 min

Estrias: apague essas linhas de uma vez

MULHER

Estrias: apague essas linhas de uma vez

Texto: Andréia Alevato

Cuidados levados a sério podem manter a pele longe dos estragos provocados pelas estrias. Mas se elas já se instalaram, saiba que hoje em dia já existem tratamentos supermodernos capazes de resolver o problema de uma vez.

Elas vem em terceiro lugar na lista de preocupações estéticas. Mas enquanto a celulite e a flacidez, indiscutíveis campeãs deste páreo, podem ser derrotadas com um exército de recursos, as estrias reagem muito melhor aos tratamentos se forem capturadas logo no início de sua formação, antes que se transformem em riscos despigmentados que caracterizam a sua fase adulta - o que normalmente acontece no espaço de quatro meses a um ano, conforme o tipo de pele. Daí a importância de se ligar no aparecimento dos primeiros sinais para agir o quanto antes.

Acompanhe o processo:

1. As fibras elásticas da pele, localizadas na derme (camada intermediária), se rompem e formam um corte, como se fosse uma erosão. O sangue extravasa dos capilares e inunda as fibras rompidas, provocando um microhematoma que se reflete imediatamente na pele, em forma de vergão rosa-claro. Os tratamentos iniciados nesta fase, que normalmente dura de 20 a 30 dias, podem melhorar a aparência final das estrias, principalmente das menores, em até 90%, conforme as condições da pele.

2. A reação do organismo à lesão faz com que as estrias fiquem mais longas, largas e escuras com o passar do tempo, ganhando um tom arroxeado. Nesta etapa, que pode durar de 30 dias a vários meses, ainda existem possibilidades de obter bons resultados com os tratamentos. Segundo especialistas, cuidados adequados no período podem fazer com que as estrias cheguem ao final do processo de maturação com aspecto até 60% melhor do que as que não foram submetidas a nenhum tratamento. Mas, atenção: as chances de conseguir bons resultados diminuem progressivamente com o passar do tempo.

3. Entre um e dois anos, as estrias atingem sua fase "adulta" e ganham uma coloração esbranquiçada, sinal de que a pele original foi substituída por um tecido fibroso. O aspecto é o de uma cicatriz em ligeira depressão

(onde não crescem pêlos), que varia de um a vários centímetros de comprimento e pode atingir de poucos milímetros a dois centímetros de largura. A partir desta última etapa, os diversos tratamentos são capazes de atenuar significativamente os sinais deixados pela lesão. Mas sua cor permanecerá sempre mais clara do que a da pele.

De olho nos fatores fisiológicos

Todo mundo já sabe que um estiramento excessivo e repentino das fibras elásticas da pele pode provocar o seu rompimento, causando as estrias. Mas esta é apenas uma das causas das danadinhas, não a única. Para haver a lesão

é preciso que as fibras elásticas estejam também sob influência das seguintes condições:

Alterações hormonais: O aumento da produção de hormônios como o estrógeno e a progesterona, entre outros, pode provocar distúrbios na fabricação de elastina e colágeno, fragilizando a rede de sustentação da pele. Se durante esta fase ela sofrer um estiramento brusco, o risco de surgir estrias é grande.

Hereditariedade: Não existe um gene que cause estrias, mas a qualidade e a resistência da pele é sem dúvida herdada geneticamente. As brancas, finas e sensíveis são fortes candidatas a ter o problema.

Quem tem tendência ?

Além dos fatores citados anteriormente, deve-se levar em conta uma série de circunstâncias que favorecem o aparecimento das estrias. Se você se identifica com uma ou mais delas, redobre os cuidados preventivos. Elas representam um solo "adubado" para o estiramento da pele...

Gravidez: Pesquisas mostram que de 75% a 95% das mulheres terminam a gravidez com alguns pares de estrias. Normalmente elas aparecem após o sexto mês, quando a pele começa a ultrapassar os limites de resistência das fibras elásticas, já fragilizadas pela ação dos hormônios

(sobretudo o estrógeno) fabricados em abundância durante a gravidez.

Adolescência: A súbita e intensa produção de hormônios durante a puberdade, aliada ao crescimento típico da idade, pode resultar em algumas estrias, sobretudo nas regiões do corpo que tendem a se arredondar rapidamente, como seios, nádegas e coxas. Um estudo americano mostra que há cerca de 40% de chances de o problema aparecer nesta fase da vida.

Estresse: Se o seu corpo anda dando sinais deste mal do século, cuidado. O estresse estimula a produção de outro hormônio, a adrenalina, que também atua nos tecidos, diminuindo a resistência das fibras de colágeno e elastina.

Musculação: A hipertrofia muscular provocada por exercícios intensos praticados com pesos é outra causa de lesões nas fibras. Neste caso elas atingem mais freqüentemente os homens, principalmente na região do bíceps, músculo que "incha" rapidamente. Nas mulheres o risco é menor, já que o desenvolvimento da massa muscular é mais lento e menos excessivo, pela própria constituição física feminina.

Excesso de celulite: Há evidências de que os edemas da celulite prejudicam a circulação sangüínea, diminuindo a quantidade de nutrientes que chegam às células responsáveis pela produção de colágeno e elastina, que formam as fibras de sustentação da pele.

Perda ou ganho de peso, rápido e excessivo: Não

é só o ganho de peso que pode provocar estrias. O emagrecimento acelerado e intenso também.

Esportes de alto impacto: Exercícios ou esportes que exigem saltos, como aeróbica, vôlei e basquete, tracionam os tecidos dos seios, favorecendo o desenvolvimento de estrias. Pode-se evitá-las com o uso de sutiãs específicos para a prática de esportes, que forneçam a sustentação adequada.

Elas se instalaram. E agora ?

Os recursos atuais para tratar as estrias levam em conta a capacidade de regeneração da pele.

Mas é bom que se saiba: ao menos por enquanto, não há nada que possa apagar completamente as marcas. Os melhores resultados são conseguidos enquanto a estria ainda está na sua fase rosada, indicando que as células da região continuam vivas e capazes de reagir aos diversos tratamentos regenerativos. Veja alguns dos mais eficientes:

Mesoterapia: É o X-ADN, substância derivada do esperma de salmão, age estimulando as células a fabricarem colágeno em quantidade capaz de preencher os sulcos das estrias antigas, que também tornam-se mais estreitas. O produto é injetado a 2 mm de profundidade, por meio de agulhas finíssimas (mesoterapia). Em combinação com o ácido retinóico, o resultado pode surgir em apenas dois ou três meses de tratamento. Segundo o dermatologista e especialista em mesoterapia, Wagner José Monteiro Cardoso, a mesoterapia é o método mais eficiente.

Estrianon: Esse é o nome do mais cobiçado produto tópico para suavizar as marcas e a coloração das estrias, de fabricação do laboratório argentino Futerman-Welker. Composto por ácidos graxos de origem natural (oléico, linoléico, linolênico, palmítico, esteárico, araquidônico, láurico e fitoesterol), diluídos em gel vegetal, o Estrianon deve ser usado por no mínimo três meses, de duas a três vezes ao dia. Segundo especialistas, após esse período já é possível acompanhar os bons resultados: progressivo aumento da espessura da pele e melhora da pigmentação, além da multiplicação das fibras elásticas de modo geral. O ideal é usá-lo em combinação com o ácido retinóico, sempre sob a supervisão de um dermatologista.

Ácido Retinóico: O tratamento com ácido retinóico não leva menos de um ano, mas seus efeitos compensam: ele tem o poder de regenerar as fibras de colágeno e elastina, ou seja, é capaz de fabricar uma pele novinha em folha, melhorando até mesmo a aparência das estrias antigas, que ficam mais finas e lisas. O único inconveniente

é ter que manter a região protegida do sol durante todo o tratamento.

Laser: Os mais adequados são os lasers vasculares, como o Long Pulse Green, do sistema Versa Pulse, ou o laser Pulsatio de Tintura. Ambos agem de forma semelhante, coagulando os vasos sangüíneos sem ferir a epiderme. São indicados apenas para melhorar o aspecto estético das estrias recentes

(eliminar o tom arroxeado). Após o mínimo recomendado de quatro sessões, é necessário evitar a incidência dos raios solares por cerca de dois meses, para não manchar a pele.

Microdermoabrasão: Consiste em

provocar pequenas escoriações sobre as regiões afetadas, por meio da projeção de microcristais de óxido de alumínio. As feridinhas estimulam a regeneração dos tecidos, melhorando o aspecto das estrias. São necessárias de 10 a 20 sessões semanais. Os banhos de sol são proibidos durante o tratamento.

Ácido glicólico + ácido hialurônico: Já se sabe que o ácido glicólico é capaz de estimular a produção de colágeno, promovendo a regeneração da pele. Associado à ionização (processo que favorece a penetração de princípios ativos através da pele) com ácido hialurônico (substância importante para a adesão das células), melhora as estrias recentes em cerca de 60%, garantem os cosmiatras. Para isso são necessárias cerca de 20 aplicações, duas vezes por semana.

Prevenir é possível, sim

Os especialistas garantem que, com alguns cuidados, você pode tornar a pele menos suscetível às lesões, diminuindo as possibilidades de desenvolver estrias...

Use hidratante sempre, de preferência formulado com veículos como a nanosfera, capaz de levar os nutrientes até a última camada da derme, onde estão as células. É importante que o produto contenha substâncias como colágeno, elastina, ácido hialurônico, ADN e uréia, que ajudam a manter a pele umectada e mais flexível. Por fim, passe um óleo umectante. A película formada por ele impede que os princípios ativos do hidratante "escapem" da pele.

Facilite a circulação e oxigenação dos tecidos dérmicos, de forma que as células da pele possam ser nutridas adequadamente, favorecendo sua resistência. Para isso, evite as roupas apertadas e o cigarro (que comprovadamente prejudicam a circulação e oxigenação) e pratique regularmente exercícios físicos. Também

é bom alternar duchas quentes e frias durante o banho, para dar aquela ativada na circulação periférica.

Observe se a sua pele está predisposta ao aparecimento de estrias, por estresse, gravidez ou qualquer uma das causas já apontadas. Nesse caso, não basta usar só um hidratante comum. Escolha produtos especialmente formulados para a prevenção de estrias.

Cremes poderosos e filtro solar regeneram as fibras de colágeno e elastina. Isso melhora a sustentação da pele e evita novas estrias. Os produtos antiestrias são hidratantes poderosos e contém princípios ativos que regeneram a pele.

Balança sob controle

Este é um importante fator preventivo até mesmo contra a formação de estrias. Saiba, ainda, que algumas vitaminas são particularmente essenciais para manter a resistência da pele:

A vitamina A equilibra o metabolismo das células da derme. Ou seja, é absolutamente indispensável para uma pele saudável. Mas como tende a se acumular no organismo e causar reações tóxicas (perda de cabelos, vômitos, diarréia, cansaço, dores

ósseas e de cabeça, entre outras), você deve tomar cuidado e não exagerar na dose dos suplementos vitamínicos. Melhor ingerir a vitamina A em sua forma natural, presente na cenoura, no fígado, no leite, nos laticínios e no

óleo de fígado de peixe.

A vitamina E tem papel relevante na formação do colágeno e na manutenção da juventude celular, além de aumentar a oxigenação do sangue. Não tem efeito cumulativo ou tóxico sobre o organismo, e é encontrada nos óleos vegetais, no germe de trigo, nas verduras e nos cereais integrais.

A vitamina C favorece a microcirculação sangüínea, responsável por conduzir os nutrientes até as células da derme. Sua participação também é essencial para o processo de fabricação do colágeno. Ela está nas frutas cítricas e silvestres, no tomate e nas verduras.

Mantenha o peso sob controle. Esta é também uma condição fundamental para a saúde da pele. As oscilações na balança abalam a resistência das fibras elásticas, que acabam sofrendo desgastes e tornam-se mais sensíveis às rupturas. Na medida do possível, tente ficar sempre no mesmo patamar.

Sol, um perigo para as fibras

Os raios ultravioleta fazem muito mais do que apressar a formação de rugas. Eles também predispõem a pele às estrias. Estudos feitos no Departamento de Dermatologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, comprovaram que três minutos sob o sol do verão, nos horários de pico, são o bastante para que o organismo comece a fabricar substâncias

(AP 1 e NFkB) capazes de transmitir, aos genes, o estímulo para que produzam determinadas enzimas com o poder de "detonar" as fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele. Menos resistentes, elas se rompem com facilidade se a pele for tracionada. Mais um bom motivo para usar e abusar de bloqueadores solares que protejam da ação dos raios UVA e UVB.

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