Criança pode apresentar desidratação
Criança pode apresentar desidratação
Texto: Sabrina Magalhães
Camisinha e medicamentos "anti-ressaca" são assessórios obrigatórios para o folião que planeja exagerar
Nos bailes de carnaval, uma presença muito freqüente nos pronto-socorros são as crianças, na maioria das vezes vítimas de desidratação. Por ter o corpo pequeno, a perda comprometedora de líquidos é muito rápida. Uma criança brincando no salão sem repor água pode desidratar em apenas quatro horas, segundo o pediatra Donizete Troijo. Por isso, o ideal é fazer a criança ingerir algum líquido a cada duas horas, pelo menos.
O médico comentou que a melhor maneira de evitar que o carnaval faça mal aos baixinhos é oferecer a elas alimentação leve, com frutas e verduras, muito suco,
água ou até refrigerante, roupas bem leves e sapatos
(que não escorreguem), para evitar os pisões e os acidentes com eventuais cacos de vidro pelo chão.
"Outro cuidado importante é com o sol. Os clubes normalmente têm atrações no interior e no exterior do prédio. Os pais devem ter cuidado de deixar as crianças na parte externa só quando o sol começar a cair ou se o dia estiver nublado. Fora isso, ela deve ser orientada para saber se defender do empurra-empurra, do corre-corre, comuns onde há multidão."
Troijo afirmou ainda que é comum a criança chegar ao consultório com quadros de vômito por intoxicação alimentar. Segundo ele, isso é bastante comum quando a família vai acompanhar os desfiles de rua, em que a criança acaba pedindo para provar o cachorro quente, a coxinha, o algodão doce, nem sempre de boa procedência.
Quadros de bronquite e asma também podem ser motivo de preocupação, segundo o pediatra. Ele explicou que em muitos salões usam-se talcos e farinha para brincar de guerrinha e os alérgicos acabam tendo crises. "Fora isso, a fantasia, quando existir, deve ser confortável, se a criança não quiser, os pais não devem insistir, porque estragaria a festa da criança. Para ela, carnaval é tempo de brincar e é uma ótima e saudável oportunidade de sociabilização. Só é preciso cuidado para não exagerar. Quatro a cinco horas no salão são suficientes e a própria criança acaba cansando, pedindo para ir embora ou sentando-se num canto."
Na praia
"Para quem pretende passar o carnaval na praia, é bom lembrar que o sol não vai acabar amanhã. As pessoas, muitas vezes, ficam o ano inteiro sem tomar sol e quando vão à praia querem tomar tudo a que têm direito de uma só vez. Não é assim. A pele precisa ser preparada para tomar sol", observou o dermatologista Wagner Monteiro Cardoso.
Segundo ele, a primeira providência que a pessoa deve tomar antes de se expor ao sol é garantir a hidratação da pele, tanto pela ingestão maior de líquidos, quanto pelo uso de cremes. Outra medida bastante eficaz é preparar a pele para receber altas doses de radiação. Isso pode ser feito tomando-se, uns dias antes (uma semana vale!), o sol benigno, antes das 10 horas e depois das 16 horas, começando com exposições curtas, aumentando gradativamente.
Ainda assim, ele destaca a necessidade de se proteger a pele com filtros solares, considerando que o fator de proteção do rosto tem que ser o dobro do fator para o resto do corpo, reaplicando o produto sempre que se entra na água ou, no máximo, a cada duas horas. Durante o período em que se pretende tomar sol, deve-se evitar os banhos quentes e o uso de buchas, que dilatam os vasos sangüíneos e irritam a pele.
O dermatologista lembrou que a proteção com filtros deve ser feita mesmo em dias nublados e quando se está sob guarda-sóis ou quiosques, já que o mormaço também queima a pele. Havendo queimadura, é preciso avaliar o grau: vermelhidão e ardência é sinal de irritação leve, que pode ser tratada com hidratantes e pomadas de corticóide; havendo formação de bolhas, há sinal de algo um pouco mais sério, que requer avaliação médica; e quando o calor atinge camadas mais profundas da pele, pode ser necessária até a internação.
"E a atenção às micoses: ao contrário do que muita gente pensa, não se pega uma micose na piscina ou na praia, mas nos vestiários, no lava-pés. Porque o fungo não gosta de água, ele gosta de umidade. Então, cuidado com ambientes de pouco higiene e praias freqüentadas por animais, principalmente cães e gatos, que podem ainda transmitir outras doenças. voltando da praia, se houver alguma mancha estranha, procure o médico, porque toda doença, tratada no início, tem cura mais rápida."
Mitos ou realidade?
* "Um antes, outro depois": O medicamento que ficou popularmente conhecido por esse slogan gera polêmica entre os médicos. Para o gastroenterologista Nelson Maeda, o
Ácido Acetil Salicílico (AAS) presente na composição do medicamento pode agravar a irritação do estômago causada pelo álcool, sendo, portanto, desaconselhável. Já a diretora do PSM, Maria Regina Trota Pinheiro, comenta que ele contém propriedades analgésicas, digestivas e atua contra as náuseas, portanto realmente pode prevenir ou minimizar os sintomas da ressaca.
* Canja de galinha: Usada pelos mais velhos há muitos anos como energético depois dos bailes de carnaval, a canja vem tomando espaço novamente. Segundo a nutricionista Ângela Resta Cardoso, é um alimento rico em proteínas (carne de frango) e em carboidratos (arroz), portanto, tem realmente o poder de repor energia. Por outro lado, é altamente digestivo, sendo uma excelente opção para quem vai dormir em seguida, ao contrário dos lanches gordurosos. Mas uma observação: quem passou dos limites na bebida deve fugir dela e de qualquer outro alimento, porque o estômago pode não aceitar.