Testemunhas de defesa de Izzo desconhecem fatos
Testemunhas de defesa de Izzo desconhecem fatos
Texto: Nélson Gonçalves
Testemunhas de defesa do prefeito, ouvidas ontem na Comissão Processante, disseram que nada sabem. Testemunhas são servidores
As três primeiras testemunhas de defesa arroladas pelo prefeito Antonio Izzo Filho (PPB), ouvidas ontem na Comissão Processante
(CP), disseram aos vereadores que não tem nenhuma informação sobre o caso. As testemunhas também contaram que só ficaram sabendo que foram arroladas pela defesa de Izzo depois de publicação pela imprensa. Para o vereador Rubens Spíndola (PSDB), os testemunhos alimentam a tese de que o prefeito não tem interesse em que a apuração seja finalizada, confirmando que a colocação de 139 testemunhas no processo visou apenas estender os trabalhos.
A Comissão Processante começou os trabalhos às 14 horas novamente sem a presença do advogado de Antonio Izzo Filho. Ailton Gimenez está em São Paulo, tratando da peça que pretende protocolar hoje no Tribunal de Justiça
(TJ), visando cassar a liminar que afastou Izzo do cargo. No plenário da Câmara, os vereadores Rubens Spíndola (PSDB), Edmundo Albuquerque (PSDB) e Paulo Madureira (PPB) começaram a ouvir as três testemunhas de defesa do prefeito, que constam da lista de 139 indicados. Compareceram os servidores municipais Sandra Mara Soriano Alves, José Carlos Moraes e Rosangela Sugako Tanaka.
Em síntese, as três primeiras testemunhas arroladas para a defesa do prefeito Antonio Izzo Filho (PPB) disseram que nada sabem e que só tomaram conhecimento da necessidade de depoimento através de publicação pela imprensa e pelo Diário Oficial do Município (DOM). Servidores com cargos administrativos ligados à contabilidade municipal, os depoentes mencionaram que não tinham nenhum conhecimento sobre as denúncias contra Izzo Filho.
O advogado do prefeito, Ailton Gimenez, chegou a comentar, quando da explicação para a relação de 139 testemunhas que nunca conversou com as pessoas mencionadas e que se fosse o caso dos depoentes informarem que nada sabem seriam ignorados na peça de acusação. Gimenez indicava que das dezenas de nomes fornecidos pelo prefeito, a defesa já previa que em vários casos o testemunho seria indiferente para a CP, sem nenhuma informação que, na prática, pudesse colaborar para a defesa de Izzo. Na relação constam dezenas de servidores municipais, grande parte com cargos de confiança ainda na gestão de Izzo Filho.
Sandra Mara Soriano Alves, a primeira a depor, disse que o ex-secretário de Finanças, José Carlos Landro, pediu para que ela prestasse depoente entre as testemunhas de defesa de Izzo. Sobre os fatos, testemunhou que não tem, conhecimento de nada e que não viu nada. Apontou que, no caso da Secretaria de Finanças, "se não tiver nota de empenho não se faz o pagamento. Nunca tive acesso a pagamento e minha função é o de trabalhar na contabilidade".
Outro servidor arrolado como testemunha de defesa de Izzo, José Carlos Moraes disse que também trabalha no setor de contabilidade da Prefeitura e que ficou sabendo da convocação através de publicação no Diário Oficial do Município (DOM). "Ninguém me consultou. Depois que foi publicado nós fomos avisados do depoimento". Tanto José Carlos quanto Sandra Mara disseram que não conhecem nenhum dos 14 fornecedores que acusam esquema de propina na administração.
Última a prestar depoimento, a servidora Rosangela Sugako Tanaka, também contadora ligada à Secretaria de Finanças, falou que também tomou conhecimento da convocação através do D.O.M.. Depois, conta, recebeu a visita do diretor de Departamento de Arrecadação Financeira, Waldemar Crivelaro Jr., que deixou o cargo junto com a equipe izzista. Segundo a depoente, Crivelaro perguntou se ela tinha conhecimento do que "estava acontecendo". Como no caso das primeiras testemunhas do prefeito, Rosangela referendou que não tomou conhecimento a não ser pelos jornais. Respondeu que Crivelaro não é seu chefe, que "os fatos sobre propina poderiam ocorrer sem o meu conhecimento" e que também não conhece os fornecedores que acusam esquema de propina na gestão Izzo.
Waldemar Crivelaro Jr. esteve na Câmara Municipal acompanhando os depoimentos. Ele alegou que estava em férias e que veio
"acompanhar os colegas". O servidor contou que o ex-secretário de Finanças, José Carlos Landro, pediu para que falasse com as testemunhas. Ele disse desconhecer se seu nome estava na lista de nomes arrolados para a defesa de Izzo.
Nesta quinta-feira, a partir das 14 horas, a Comissão Processante ouve outras quatro testemunhas de defesa de Izzo, de um total de 10 que serão completadas no dia 18 de fevereiro. Enquanto isso, seja a pendência jurídica em relação ao mandado de segurança protocolado pela defesa do prefeito, pedindo o fim da investigação.