Acidente mata motorista e polui rio em Jaú
Acidente mata motorista e polui rio em Jaú
Jaú - Um grave acidente ocorrido em Jaú anteontem
à noite causou a morte de uma pessoa e a contaminação dos rios Jaú e Tietê com um produto (pesticida) altamente tóxico, cuja quantidade ainda não foi precisada pelas autoridades que cuidam do caso. Até o início da noite de ontem, o motorista do caminhão, Sinésio Piazzi, 51 anos, que transportava a carga do produto tóxico ainda não havia sido retirado das águas.
O produto em questão, segundo comunicado da Defesa Civil, de Bauru, é venenoso e pode ser fatal se inalado ou absorvido pela pele. O contato pode causar queimaduras na pele e nos olhos. Por isso, as autoridades fazem um alerta para que as pessoas que por algum motivo tenham levado galões do produto para casa, que entrem em contato com a polícia e não tentem manipular o mesmo. Há essa preocupação por parte das autoridades porque havia a informação de que após o acidente, populares que foram ou passaram pelo local, levaram consigo galões (de cinco litros) contendo o pesticida. Segundo o capitão Augusto Francisco Cação, da Polícia Rodoviária, mesmo que o galão não seja aberto, o produto pode oferecer perigo aos moradores de uma residência.
O acidente aconteceu por volta de 23h30 de anteontem, sobre a ponte do rio Jaú, na SP-304, a rodovia que liga Jaú a Bocaina, entre o trevo da TVS e o cemitério. O motorista Sinésio Piazzi conduzia o caminhão Mercedes Benz placas QX 1209 de São Miguel do Iguaçu-PR, quando por provável problema no sistema de freios, não conseguiu fazer a curva que fica antes da ponte e, desgovernado, bateu na mureta de proteção, já sobre a ponte, caindo no rio Jaú. Parte da carga ficou espalhada na pista e o restante caiu no rio. Alguns galões do produto tóxico estouraram e o contato com a água foi instantâneo.
A polícia foi acionada logo em seguida e iniciou os trabalhos de busca ao corpo do motorista e também de orientação para que populares não mantivessem contato com o produto. Através de informações obtidas junto a um outro motorista da mesma transportadora que seguia atrás do veículo acidentado, polícia conseguiu apurar que o motorista era morador de São Miguel do Iguaçu, no Paraná e o caminhão transportava aproximadamente 20 mil litros de pesticida. A estimativa é que 50% da carga tenham caído no rio. Mas, segundo o capitão Augusto Francisco Cação, da Polícia Rodoviária, era impossível saber quantos desses galões que caíram no rio acabaram estourando e quantos teriam sido levado por populares.
Durante os trabalhos de buscas, os policiais do Corpo de Bombeiro encontravam algumas dificuldades que iam desde a falta de equipamentos especiais para entrar na água contaminada até a
'cheia' do rio provocada pelas últimas chuvas.
Até ontem à tarde, policiais percorriam as margens do rio Jaú, que deságua no rio Tietê, tentando encontrar o corpo do motorista e também para resgatar os galões que boiavam na correnteza. Os trabalhos de busca devem ser retomados hoje de manhã.
Meio ambiente
As conseqüências do vazamento do produto podem ser danosas, para o meio ambiente, segundo o presidente do Instituto Ambiental Vidágua, Rodrigo Mendonça. "Pode provocar a morte de peixes e a destruição da cadeia alimentar", disse. Mendonça disse ainda que trata-se de um agrotóxico de alta toxicidade e altamente resistente.
O rio Jaú deságua no rio Tietê e do local do acidente, percorre aproximadamente 20 quilômetros até chegar no Tietê. Por isso, a partir de hoje, o Vidágua estará fazendo o monitoramento dos níveis de toxicidade das águas do Tietê para tentar evitar alguma possível mortandade de peixes. "Se for necessário pediremos para a Cesp abrir as comportas para a água escoar mais rapidamente".