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Protesto

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 4 min

Carta de Botucatu tem ato público hoje

Carta de Botucatu tem ato público hoje

Texto: Fábio Grellet

Comércio deve fechar, durante o maior ato público já realizado por integrantes do movimento que exige mudanças na economia

Botucatu - As entidades que integram o movimento responsável pela "Carta de Botucatu" - documento que sugere mudanças na política econômica, para incentivar o aumento da produção e do emprego - vão realizar, hoje, um ato público em Botucatu. Será o mais amplo, desde que o movimento foi criado - o comércio vai fechar suas portas às 14 horas e várias empresas se comprometeram a dispensar seus funcionários, para que compareçam ao evento, segundo informaram os idealizadores do ato.

Palanque e equipamentos de som vão ser montados na praça Emílio Pedutti (a Praça do Bosque) - onde, entre meio-dia e 14 horas, músicos da cidade vão se apresentar.

Às 14 horas, simultaneamente ao encerramento dessas apresentações musicais, vai ter início uma concentração de manifestantes em outra praça, a Paratodos.

Depois de reunidos, por volta de 14h30, os manifestantes vão sair em passeata pela cidade, seguindo pela rua Amando de Barros

(que concentra o maior número de estabelecimentos comerciais, no centro da cidade) até a Praça do Bosque. Depois de chegar lá, vários representantes de entidades que participam do movimento vão discursar, apresentando suas propostas e realizando uma análise da situação econômica nacional. Para que o público se desloque entre as praças, a rua Amando de Barros será fechada para os veículos, e os manifestantes vão caminhar no sentido oposto àquele permitido aos veículos.

Através de atos como o de hoje, seus organizadores pretendem auferir dois objetivos : além de clamar por mudanças que permitam a retomada do crescimento econômico e a geração de empregos, também buscam difundir entre o público a necessidade de acompanhar a atuação dos políticos e de cobrar deles atuações em defesa dos interesses da sociedade. A expectativa é de que até três mil pessoas compareçam ao evento - embora, conforme destaca Luiz Carlos Rúbio, vereador pelo PT em Botucatu e mentor do movimento, a presença de mil pessoas já signifique uma vitória. Diversas empresas e entidades devem dispensar seus funcionários para que compareçam à manifestação.

História

O movimento, suprapartidário, teve início no final de novembro, quando várias entidades começaram a se articular para produzir, em conjunto, um documento em que são exigidas mudanças na política econômica e social do país. Embora o tema principal do documento seja a economia, a carta contém propostas de alterações, também, na área de educação, de habitação e saúde, entre outras. Finalizado em dezembro, o documento foi intitulado Carta de Botucatu - mesmo nome aplicado ao movimento

- e entregue às autoridades do poder público de Botucatu - o prefeito, Pedro Losi Neto (PSDB) e o então presidente da Câmara Municipal, Ednei Lázaro Carrera

(PSDB).

A pretensão dos participantes do movimento, porém,

é levar as reivindicações também às autoridades federais, já que a maioria das questões tratadas no documento é definida por elas. Por isso, logo após ser concluída, a Carta também foi enviada, pelo correio, aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado e, ainda, ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Atualmente, está sendo divulgado em Botucatu um documento abaixo-assinado, em que populares externam sua concordância com os termos da Carta. Até o último sábado, conforme Rúbio, o documento já continha 12 mil assinaturas. O objetivo dos organizadores do movimento é levar, pessoalmente, o abaixo assinado, acompanhado por outra cópia da Carta,

às autoridades federais, assim que o número de assinaturas atingir 30 mil. Embora as assinaturas estejam sendo colhidas apenas em Botucatu, a Carta já foi divulgada em outras cidades da região, e os responsáveis pretendem que o movimento tenha repercussão e adesões em cada vez mais municípios.

Desde que a Carta foi finalizada, integrantes do movimento estão percorrendo empresas, associações de bairro e escolas de Botucatu, para divulgar o conteúdo do documento e estimular a participação popular nos atos de apoio ao movimento.

Próximo ato

O próximo ato do grupo já está definido: serão convidados cinco dos deputados federais que obtiveram votações mais expressivas em Botucatu e na região

- quais sejam, Émerson Kapaz, Milton Monti, José Genoíno, José Eduardo Moreira Ferreira e Aloízio Mercadante - para que exponham, num debate, o que pensam do atual momento econômico do país e do conteúdo da Carta de Botucatu e, ainda, qual o comportamento de cada um na defesa dos interesses do país e da região, perante a crise. Esse debate deve ocorrer no início de março, provavelmente no dia 08.

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