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Crédito pessoal

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Concessão de crédito é rígida em Bauru

Concessão de crédito é rígida em Bauru

Texto: Márcia Buzalaf

Encurtamento no número de parcelas, comprovante de residência obrigatório, terceirização no serviço de concessão de crédito, exigência do vínculo empregatício e aumento no valor da entrada. Estas foram algumas das características mais marcantes da concessão de crédito no final do ano passado. A conclusão

é de uma pesquisa realizada pelo Grupo Unidos com mais de 20 mil pessoas em cidades de todas as regiões do Brasil

- incluindo Bauru.

A concessão de crédito volta a ser um problema para os consumidores brasileiros - e para as empresas também. De um lado, o vendedor tentando garantir o sucesso da venda na discussão das formas de pagamento, enquanto o caixa pede todos os documentos do consumidor. Este, de mãos atadas, apenas querendo provar que podem pagar pelo bem - desde que a política econômica não mude seu dia-a-dia.

Bauru, em comparação com outras cidades, é rígida na concessão de crédito. Dos bauruenses pesquisados, 100% afirmaram que lhe foram pedidos todos seus documentos e comprovante de residência durante o financiamento. Na cidade de São Paulo, por exemplo, as porcentagens caem para 97% e 88%, respectivamente.

Nos números gerais das 20.675 entrevistas, os documentos foram exigidos para 97% daqueles que têm prestações em atraso. A média fica entre o contraste de Santa Catarina e do Pará - com 100% - e da Paraíba - com os míseros 88% de exigência de documentos.

Paraíba também é o estado menos rígido na exigência do comprovante de residência, com um

índice de apenas 73%. Pará foi o estado que mais pediu o documento (98%).

O comprovante de renda, em Bauru, foi exigido para 96% dos que estão com atrasos no financiamento. No resultado total, uma questão curiosa: o Rio de Janeiro é o que menos exige comprovação de renda, com um índice de apenas 75%. No Pará e em Sergipe, o percentual sobe para 96%.

Checar as informações pelo telefone também tem sido uma prática freqüente dos lojistas, embora os dados de uma região para a outra seja bem diferente um do outro.

Em Bauru, por exemplo, a porcentagem de conferência pelo telefone é de 71%, um dado elevado se comparado ao índice do Sudeste, de 55%. Na região Norte, 77% dos entrevistados disseram que tiveram, sim, as informações checadas na concessão de crédito. O estado que apresentou o pior desempenho, segundo a pesquisa, foi o de Minas Gerais, com 49%, contra Sergipe, o mais eficiente na verificação dos dados pelo telefone, com índice de 91%.

Tempo

O tempo que a concessão de crédito também pode durar varia de acordo com a região, embora 21% do total tenha afirmado que foram atendidos demoradamente.

De todos os consulados, a média das prestações em atraso é de R$ 70,37. Cerca de 66% das prestações em atraso correspondem a valores inferiores a R$ 100,00 - este valor corresponde a 76% da inadimplência da região Nordeste e 61% da região Sudeste.

O Grupo Unidos, que realiza pesquisas bimestrais nesta linha de concessão de crédito, afirma ter observado um crescimento acelerado das prestações em atraso em valores acima de R$ 100,00. Na oitava pesquisa do gênero, foi observado que 71% dos inadimplentes tinham prestações atrasadas tinham valores inferiores a R$ 100,00, contra o índice de 70% na nona pesquisa, em novembro; enquanto que o número caiu para 66% em dezembro.

O motivo desta queda, segundo informa a análise da pesquisa,

é um reflexo do encurtamento no número de prestações

- na busca de uma garantia para a empresa e para o próprio consumidor de arcar com o compromisso.

Em Bauru, a maior faixa com maior atraso de pagamento é a de valores acima de R$ 300,00 (46%), seguida por aquelas entre R$ 50,00 e R$ 100,00 (22%) e entre R$ 100,00 e R$ 200,00 (17%).

Inadimplência

A pesquisa levanta uma questão interessante. Se a inadimplência está sendo levada a sério pelas empresas e a concessão de crédito fica cada vez mais rígida, por que a inadimplência não pára de crescer no Brasil? A resposta dada pelos pesquisadores é que o comprometimento da renda do trabalhador, atualmente, está adquirindo patamares elevadíssimos.

Em pesquisa realizada pelo grupo em agosto de 97, foi detectado que 25% da renda do inadimplente estava comprometida. Ao longo do ano passado, as pesquisas realizadas elevaram o índice para 40%. A redução da renda familiar também

é um ponto que aumenta o comprometimento da renda, assim que a deixa menor.

No ano passado, entre agosto e setembro, a inadimplência quase que dobrou o índice do ano passado, de acordo com informações do Banco Central.

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