Broncolino o primeiro a rir das últimas
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"VESTIDA DE JEANS, UMA MULHER NÃO PODE SER FACILMENTE ESTUPRADA. SÓ COM A AJUDA DA VÍTIMA". RÉU ABSOLVIDO". SENTENÇA À ITALIANA.
Na Itália, grande parte da população, está indignada com a sentença de uma corte italiana que julgou um caso de estupro. Um professor de auto escola, de 45 anos, estuprou sua aluna, de 18 anos. Mas a dona Justa italiana absolveu o réu. Alegando na sentença: não houve estupro, porque a moça estava vestida de calça jeans, difícil de ser tirada sem ajuda.
A sentença do magistrado provocou o maior protesto da história do país. Advogados e políticos, afirmam que dona Justa italiana retrocedeu 30 anos. É que, nos anos 60, aconteceu um estupro idêntico. A moça estava de calça jeans, que não é fácil de ser tirada do corpo sem ajuda da própria.
Foi o que alegou o professor: "Não estuprei a garota, porque ela estava usando calça jeans no momento do incidente". Ele afirma que a aluna consentiu em praticar o sexo com ele. E tem mais: os advogados de defesa afirmam " não há evidências de violência".
Outros juizes, advogados, políticos, protestam: "Como aconteceu há 30 anos! Se naquela época a sentença foi uma aberração, quanto mais agora", afirmou a juíza Simonetta Sotgiu. Ela se referiu àquele estupro de 30 anos atrás, em que também o magistrado da época absolveu o réu, porque "a moça usava calça jeans". Caso esse ocorrido na Sardenha.
A sentença do juiz da época foi a mesma: "Como
é do conhecimento de todos, o jeans não pode ser facilmente retirado do corpo". Em Roma, seis deputadas vestindo jeans, protestaram, mostrando cartazes em frente ao parlamento.
"Esta sentença é inaceitável, é um perigoso sinal para todas as mulheres da Itália", afirmou uma deputada da direita, Alessandra Mussolini, que deve ser filha ou neta do ditador fascista de triste lembrança. Diz que ela e outras deputadas, vão usar jeans, até que a decisão seja revertida.
Bem, o leitor, que tem acompanhado sentenças de magistrados, e que envolvem aqui a terrinha, que Deus parece ter esquecido, e que tem sofrido na carne os dessabores de sentenças que nos sentenciam, pode muito bem avaliar a tragédia das mulheres italianas que usam calça jeans.
Aqui, a coisa tem sido mais ou menos igual. Se na Itália não caracteriza estupro se a vítima está com calça jeans, aqui não caracteriza bem a corrupção, a propina, a extorsão, se o malandro não for pego com a boca na botija. Por exemplo, a ECCB estava vestida de calça jeans. Os empresários extorquidos, e outras tantas vítimas, estavam vestidas de calça jeans, quando tiveram que entregar o dinheiro da propina.
Mas, um outro tipo de alerta se faz necessário agora. É para as garotas que usam calça jeans. Se um cara pegar você, apontar um revólver, e dizer: "Tire a calça, senão, te mato!". Você terá dificuldade para tirá-la. Talvez até tenha que pedir ajuda ao estuprador. Você, depois, vai dar queixa e entrar com um processo. Se o magistrado brasileiro adorou a sentença italiana, você, que já levou ferro, estará sendo, mais uma vez, ferrada!
Já se cansa de dizer que, de cabeça de juiz e bundinha de criança, nunca se sabe o que vem. Antes era acrescentado também a barriga da mulher grávida. Mas, hoje, com grande antecedência, já se sabe o que vai sair da barriga de uma mulher. Mas da cabeça de um magistrado, não. Nunca se sabe o que ele vai aprontar. Lê um processo, com a atenção voltada para 4 ou 5 mil outros à sua frente... Vai daí, bola pra frente. Duela a quien duela, com diria o cassado Fernando Collor.
Assim, que fiquem de alerta as moças que renegam o vestido, preferindo o jeans. Na verdade, o jeans é mais prático para ser usado. Quanto mais esfarrapado, quanto mais desbotado, quanto mais sujo, quanto mais feio, é bonito, aos olhos jovens. Para o estuprador, na verdade, é um problema. Mas, com um revólver apontado na cabeça, o cara não tem problema. Ela tira a calça sozinha, embora demore um pouco. Não é muito fácil tirar uma calça jeans, com as mãos tremendo, a cabeça em confusão, e o coração angustiado.