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Matadouro

Por Marcos Zibordi | Tania Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

SIF interdita matadouro de Bocaina

SIF interdita matadouro de Bocaina

Texto:Marcos Zibordi/Tânia Fonseca

O matadouro vinha funcionando sem cumprir exigências legais quanto às normas de higiene e forma de abate dos animais

Bocaina - O Matadouro Municipal de Bocaina, responsável pelo abate de grande parte da carne consumida na cidade foi interditado por tempo indeterminado ontem à tarde, por fiscais do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que cumpriram uma determinação da Procuradoria da República Federal. O motivo é a falta de higiene na manipulação das carnes e também as normas de abate que não vinham ocorrendo de acordo com a legislação vigente.

Desde outubro do ano passado, as condições de funcionamento do matadouro já vinham sendo objeto de questionamentos por parte da justiça e uma fiscalização recente constatou que o local não oferecia as devidas condições de higiene, principalmente em relação às exigências do SIF.

O método de abate também não era dos mais recomendados, uma vez que os animais ainda eram abatidos a marretadas, o que, além do sofrimento, faz com que ele libere toxinas na carne enquanto agoniza para morrer. Essas toxinas são prejudiciais à saúde. Segundo a União Internacional de Proteção aos Animais (Uipa), de Bauru, essa forma cruel de abate causa grande sofrimentos aos animais.

O local onde os animais ficam presos esperando o abate também

é muito próximo ao local de corte, o que é proibido por lei.

Atualmente no matadouro era abatida uma média de 30 animais por semana, entre bovinos e suínos. O sistema de abate funcionava informalmente. O produtor que quisesse abater seu animal no matadouro podia optar por pagar uma taxa mensal ou por cabeça.

Segundo Delacir Polonio Jr., assessor da Prefeitura de Bocaina, 80% da carne abatida no matadouro de Bocaina seguiam para os supermercados da cidade. Segundo ele, mudar a cultura da carne em Bocaina é difícil, pois a população utiliza o método de abate no matadouro há muito tempo.

Apesar de já ter sido orientada anteriomente por fiscais sobre a necessidade de adequação às normas, a Prefeitura vinha mantendo o matadouro em funcionamento. A visita dos fiscais do SIF ontem pegou a todos de surpresa. O prefeito da cidade, Moacir Donizete Gimenes, não estava na Prefeitura para comentar o assunto, mas o vice-prefeito que é também assessor de Gabinete, Celso José Belini, disse que a decisão da Justiça será respeitada e a Prefeitura passará a estudar a situação para decidir o que poderá ser feito para resolver a questão.

Segundo Delacir, para a construção de um mini-frigorífrico na cidade seria necessário um gasto aproximado de R$ 50 mil. Segundo ele, esse valor representa quase metade da folha de pagamento do município.

Pedido de fechamento

A Procuradoria da República Federal, em Bauru, já havia pedido o fechamento do matadouro há alguns dias. Em outubro do ano passado, o promotor federal Rodrigo Valdez de Oliveira, recebeu denúncia da Uipa sobre as más condições de abate e higiene do local.

O promotor solicitou uma fiscalização aos órgãos responsáveis, na qual foi constatada a falta de higiene do local, entre outros problemas. Diante disso, ele pediu o fechamento do matadouro.

Os três veterinários do SIF, Luiz Rezende, Reinaldo José Rodrigues e Luiz Alberto Gomes estiveram no Matadouro Municipal ontem à tarde e fizeram a interdição por tempo indeterminado. Rezende explicou também que os todos os equipamentos utilizados para o abate foram lacrados.

A reabertura do matadouro só será possível se a Prefeitura providenciar a regularização do local. Até lá, a orientação é para que a população adquira somente carnes embaladas com a devida autorização do SIF.

Ainda de acordo com Rezende, a cidade não enfrentará desabastecimento do produto uma vez que há frigoríficos que comercializam a carne dentro das condições exigidas pela lei.

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