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Fechamento de empresa

Paulo Toledo
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Prefeitura tenta reverter fechamento da Batavo

Prefeitura tenta reverter fechamento da Batavo

Texto: Paulo Toledo

A Prefeitura de Bauru está tentando reverter a decisão da Batavo de fechar, até o final de fevereiro, mais provavelmente no dia 22, a sua unidade de distribuição de produtos em Bauru. Roberto Rufino, 62 anos, secretário de Desenvolvimento, acertou com o prefeito Nilson Costa (PL), 69 anos, para hoje, o início das obras na marginal que dá acesso ao centro de distribuição, a fim de dar condições de tráfego aos caminhões da empresa. Além disso, Rufino vem tentando contatos com a diretoria da Batavo.

O secretário tem uma conversa marcada, hoje, por telefone, com Arthur Voorsluys, o diretor da Batavo que está responsável pelo projeto de mudança do centro de distribuição. Com a transferência para Jundiaí, cerca de 90 postos de empregos diretos e indiretos, segundos dados extra-oficiais, serão fechados Bauru.

Rufino afirmou que a Prefeitura está buscando o apoio de todos os segmentos da sociedade para tentar reverter o fechamento do centro de distribuição. Ontem, o secretário comunicou ao gerente em exercício da Batavo de Bauru, João Mattos, que as obras na via de acesso começariam hoje. As más condições da rua são apontadas como parte da motivação da empresa em deixar a cidade, como já vinha ameaçando desde o ano passado.

Para se ter uma idéia, a Batavo está entre as 10 empresas que mais contribuem com ICMS na em Bauru. De acordo com um levantamento feito pela vereadora Catarina Carvalho (sem partido), no trimestre agosto-outubro de 98, a empresa recolheu R$ 580 mil de ICMS. Mantida essa média, a cidade perde cerca de R$ 2,4 milhões em arrecadação do tributo estadual por ano, o que vai interferir no índice de participação do município no bolo do ICMS do Estado.

Porém, a Assessoria de Imprensa da Batavo disse, na semana passada, que as operações de distribuição serão concentradas na cidade de Jundiaí, onde existe um moderno centro de distribuição da Parmalat que, no ano passado, comprou o controle acionário da Batavo. Naquela cidade a Parmalat faz a distribuição nacional de seus produtos, segundo informou. A empresa diz que os cerca de 30 trabalhadores da unidade de Bauru serão transferidos para Jundiaí. A Batavo afirma que a mudança faz parte, apenas, da estratégia mercadológica da empresa, de racionalizar suas operações. Negou que, no momento, o problema das vias de acesso seja o motivo da transferência.

Nilson Costa vem tentando reverter a saída da Batavo de Bauru, desde que esteve na Prefeitura em sua primeira gestão, entre agosto e dezembro. Naquela época, a Secretaria de Obras começou a trabalhar nas vias de acesso à unidade da Batavo de Bauru. Porém, quando houve a interrupção da gestão, com a volta do prefeito afastado Antônio Izzo Filho (PPB), as obras ficaram paralisadas.

Os maiores clientes da Batavo, em Bauru, entraram no trabalho de tentar manter o centro de distribuição na cidade. João Svizzero, presidente da Rede Santo Antonio de Supermercados, entrou em contato com a diretoria da empresa solicitando a manutenção da distribuição em Bauru. Só que não obteve resposta. A Rede Confiança de Supermercados está tentando sensibilizar Rubens Vicente, um dos diretores da Batavo, que mora em Bauru, para tentar barrar a transferência. A Rede Confiança entende ser muito importante a manutenção da distribuição, em razão da logística, da pressão de preços e pela alta organização da Batavo de Bauru, que facilita seu trabalho. José Roberto Sanches, gerente do Supercenter do Wal-Mart, segundo Rufino, também manteve contato com a Batavo, fazendo um apelo para que a unidade da Batavo não saia da cidade.

Na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira, o vereador Roberto Bueno (PTB) apresentou uma moção solicitando às diretorias da Parmalat e da Batavo que não feche o centro de distribuição local, lembrando que haverá desemprego e prejuízo para a população de Bauru e para os trabalhadores que forem transferidos.

Canal aberto

Rufino disse que a Secretaria de Desenvolvimento está abrindo um canal direto para que as empresas de Bauru possam levar à Prefeitura seus problemas para que, à medida do possível, possam ser solucionados pelo poder público municipal. Para ele, o município tem que fazer uma trabalho para obter a instalação de novas empresas, mas não deve esquecer das que já estão trabalhando, para não perdê-las, como ocorreu com muitas nos últimos anos.

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