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Aids

Solange Monteiro
| Tempo de leitura: 5 min

Aids já ameaça relacionamentos estáveis

Aids já ameaça relacionamentos estáveis

Texto: Solange Monteiro

Etatísticas apontam que a incidência da doença está aumentando também entre as mulheres que mantêm parceiro fixo

Pensar que no final do século ainda existe grupo de risco no que se refere à aids é um ledo engano. As estatísticas mostram que a incidência da doença está aumentando entre casais cujo relacionamento é considerado estável, segundo a coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS (PMST/AIDS), Eliane Catalano Monteiro, 35 anos.

Essas estatísticas demonstram, portanto, que a mulher está se tornando portadora do vírus HIV porque seu parceiro a está contaminando. A contaminação acaba existindo aliás porque não há muito espaço para o diálogo entre o casal, na opinião de Eliane.

Ela explica que quando o relacionamento se torna estável o casal não dialoga sobre a aids e outras doenças sexualmente transmissíveis e, conseqüentemente, não falam entre si da maneira como se prevenir. "Culturalmente, a mulher não propõe ao parceiro o uso da camisinha", disse, porque isso acaba pondo em xeque questões como a fidelidade ou confiança, por exemplo.

No caso das mulheres casadas, entenda-se relacionamento estável com parceiro único, é aconselhável que façam uso de preservativo porque o sexo feminino está mais vulnerável

à contaminação, segundo a coordenadora.

Juventude consciente

Entre os jovens já existe uma consciência maior sobre o que é a aids, as maneiras como pode ser transmitida e, principalmente, como evitá-la. Desta forma, eles acabam usando preservativos nas primeiras relações, mas tão logo pensem que o relacionamento é estável, dali a poucos meses, abandonam o uso de preservativos e acabam se contaminando, segundo Eliane.

"Depois de um tempo eles param de usar o preservativo na confiança. Eles não procuram o Coas (Centro de Testagem e Aconselhamento - CTA/Coas), por exemplo, para fazer um exame".

Gravidez. Pode?!

Pode sim, mas é preciso ter consciência segundo a pediatra Marisdalva Viegas Stump, 49 anos. De acordo com ela, atualmente existem exames que a gestante pode fazer a fim de constatar se é portadora do vírus HIV ou não. É claro que nem todas as mulheres querem se submeter a esse exame porque, de repente constatar que é soro positivo, é sempre um choque e são poucas as pessoas que talvez estejam preparadas para isso. No entanto, a mãe saber que possui o vírus pode dar condições ao seu bebê de nascer sem a doença porque já existem medicamentos capazes de fazer isso.

A pediatra explicou que se for constatado que a gestante é portadora do HIV ela deverá tomar um medicamento específico, o AZT, a partir 14.ª semana de gestação. No trabalho de parto o médico aplica uma dose de AZT injetável e oito horas depois que o bebê nasce ele recebe AZT em xarope.

É óbvio que todo esse procedimento só pode ser feito sob orientação médica, até porque tão logo a mulher descobre que está grávida deve procurar um especialista para fazer o Pré-Natal.

O importante, segundo Marisdalva, é que a partir do exame feito na mãe e do diagnóstico da doença,

é possível diminuir de 28% para 8% a chance da mãe transmitir o vírus para o feto.

Mas apesar dessa disponibilidade, ano a ano tem aumentado o número de bebês contaminados com o vírus da aids e um dos motivos é a falta de consciência. Segundo a pediatra, em 1998 por exemplo, 10 bebês nasceram contaminados pela própria mãe. Essa é a chamada Transmissão Vertical, ou seja, a doença transmitida pela mãe para o feto. "Essa é a única doença fatal, não hereditária e que passa da mãe para o feto", disse.

Crianças

Há quatro anos a pediatra trabalha com crianças cujas mães são soro positivo e em muitos casos, as crianças soro reverteram, ou seja, não são portadoras de HIV. Mas é claro que também há crianças que possuem o vírus e outras ainda, que faleceram.

Segundo Marisdalva, quando o bebê nasce é feito exame sorológico, mas nesse período não é possível saber se ele possui apenas anticorpos transmitidos pela mãe ou se é portador do vírus. Por isso, depois de 18 meses é submetido a novo exame para saber se é soro positivo ou não.

Atualmente, a criança mais velha acompanhada pela pediatra

é uma adolescente de 12 anos. Essas crianças acabam enfrentando vários problemas, inclusive financeiro em muitos casos, e o fato de terem a doença não significa que não terão as mesmas "crises existenciais" comum a qualquer adolescente.

A pediatra explica que as crianças portadoras do vírus HIV necessitam de uma estrutura familiar como qualquer outra criança e que isso, muitas vezes se reflete na escola, por exemplo. Ela explica que é importante que a criança tenha consciência que possui uma doença porque se for o contrário quando ela crescer e tiver que enfrentar isso, será muito mais difícil porque as informações serão desencontradas.

Ela citou o caso de um homem que perdeu o emprego e não quis revelar na empresa que era portador do HIV. Tempos depois ele faleceu, sua mulher que também era portadora faleceu e o filho do casal, que era soropositivo, ficou sob a guarda da família que teve dificuldades para garantir os remédios.

"Se ele tivesse falado na empresa que era soropositivo teria conseguido uma pensão do INSS para que a criança pudesse ser tratada". Nesse sentido, ela ressalta a necessidade de não buscar subterfúgios, mas preocupar-se com a criança, principalmente.

Casais heterossexuais apresentam incidência da doença

A coordenadora do PMDST/AIDS, Eliane Catalano Monteiro explicou que com o passar dos anos, constatou-se que os homossexuais, considerados no início da epidemia como o grupo de risco, hoje estão se prevenindo mais e as mulheres e homens, cuja opção de relacionamento é heterossexual apresentam taxas crescentes de incidência da doença.

Segundo a DIR-X, Grupo de Vigilância Epidemiológica, foram registrados 842 casos de aids em Bauru desde que a epidemia começou.

Desses casos 681 eram homens contaminados e 161 eram mulheres. O total está distribuído da seguinte forma: 16 meninos e seis meninas com até 13 anos; 638 homens e 142 mulheres com idade entre 13 e 49 anos e 27 homens e 13 mulheres com idade acima de 50 anos.

INFO

Saiba qual é o seu grau de informação sobre a transmissão da aids e de outras doenças, fazendo o teste realizado pelo COAS.

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