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Marcos Zibordi
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CDHU revê 250 contratos em Botucatu

CDHU revê 250 contratos em Botucatu

Texto: Marcos Zibordi

Companhia está apurando denúncias de compra, venda e locação irregular em quatro núcleos habitacionais da cidade

Botucatu - A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) está revendo a situação de cerca de 250 mutuários em quatro núcleos habitacionais construídos por ela em Botucatu. O motivo é uma fiscalização realizada pela Prefeitura por causa de denúncias sobre compra, venda ou locação dos imóveis, o que é proibido pelo contrato.

Conforme as denúncias, algumas pessoas da cidade teriam comprado mais de um imóvel para fins de locação ou teriam cedido ou alugado os mesmos. Todas essas operações são irregulares, além de se desviarem da finalidade social do programa.

Durante três dias na semana passada, mais de 250 mutuários foram chamados pela CDHU em Butucatu para prestar esclarecimentos sobre sua situação no imóvel. Os formulários com as informações estão sendo analisados pela CDHU, em Sorocaba. Segundo informações do departamento jurídico da Companhia, ainda não existe previsão para o término da análise dos documentos. Cada caso será estudado individualmente e a pena aplicada também será de acordo com a infração cometida. Caso sobrem imóveis após as apurações da fiscalização, eles serão repassados aos suplentes. Os núcleos que estão sendo analisados são o Cohab III, IV e V e os prédios de apartamentos do núcleo

"Amando de Barros Sobrinho".

Neste último, os problemas vêm se arrastando há algum tempo. Inaugurado em julho do ano passado dentro do programa habitacional "Sonho Meu", do governo Mário Covas, ele já está sendo chamado de "Pesadelo Meu" pelos moradores. Várias famílias já invadiram apartamentos, foram retiradas e voltaram.

Atualmente, nenhuma família "invasora" reside no Cidade Jardim, mas há uma semana existiam duas, que seriam retiradas por ordem judicial. A primeira-dama do município arrumou lugar para elas no albergue até que consigam um lugar para morar.

Comissão legislativa

Vários mutuários em Botucatu reclamam da situação irregular das moradias feitas pela CDHU na cidade. Alguns apartamentos do núcleo "Amando de Barros Sobrinho" foram invadidos sob o argumento de que a invasão seria menos irregular do que a compra para venda ou locação.

Por causa desses problemas, os moradores do núcleo "Amando de Barros Sobrinho" procuraram o Legislativo da cidade que montou uma comissão para investigar e cobrar providências em relação às moradias. Segundo o vereador Luiz Carlos Rúbio (PT), um dos cinco integrantes da comissão,

"a idéia é que essa comissão vá em frente para ver as coisas que estão erradas lá". Eles já conversaram com representantes da CDHU de Sorocaba quando eles estiveram na cidade fazendo a fiscalização. Para os vereadores, é necessário que o resultado da fiscalização seja objeto de uma decisão superior que realmente resolva as irregularidades. "A conversa que a gente teve com essa comissão de Sorocaba é, depois disso, chamar alguém que decida, o presidente, senão alguém que tenha poder para resolver isso".

Segundo Rúbio, a comissão vai enviar um requerimento

à CDHU para que alguém com competência de decidir sobre o assunto esclareça as denúncias e resolva o problema dos mutuários.

Núcleo Cidade Jardim

O núcleo mais recente da CDHU em Botucatu é o conjunto habitacional "Amando de Barros Sobrinho", na Cidade Jardim. São sete blocos num total de 224 apartamentos. Além dos problemas de invasão (apoiado pelos moradores), eles reclamam da infra-estrutura do prédio.

Os apartamentos foram entregues com o piso em concreto. O encanamento de esgoto também gera reclamações. Os canos ficam à mostra dentro do banheiro de cada apartamento. Alguns deles têm vazamento, o que faz com que vaze esgoto dos aparatemtos dos andares superiores no box do banheiro.

As rachaduras também são problemas. Com menos de 1 ano de funcionamento, muitos apresentam rachaduras nas portas e nas paredes internas. Os moradores têm medo das rachaduras aumentar com conseqüências graves. Segundo Cintia Vigoreli Pires, 27 anos, síndica do bloco IV, a caixa d'água do prédio está vazando e a área do estacionamento, sem calçada, fica instransitável quando chove. Esses e outros problemas também foram encaminhados à comissão de vereadores para que sejam apuradas.

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