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Interdição matadouro

Marcos Zibordi
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Preço da carne deve subir em Bocaina

Preço da carne deve subir em Bocaina

Texto: Marcos Zibordi

Com a interdição do matadouro, açougueiros e supermercadistas terão que comprar carne de frigorífico, o que encareceria o produto

Bocaina - A interdição do Matadouro Municipal de Bocaina pelo Serviço de Inspeção Federal

(SIF) deve aumentar o preço da carne na cidade porque os comerciantes terão, a paetir de agora, que comprá-la de frigoríficos da região. Além disso, eles reclamam que a decisão pode gerar demissões e incentivar o abate clandestino, o que seria pior que o abate de animais no matadouro.

O prefeito Moacir Donizete Gimenez (PSDB) disse que o matadouro de Bocaina não é o único da região em situação irregular. Segundo ele, desde o ano passado a Prefeitura entrou com pedido na Secretaria da Agricultura para transformar o matadouro num mini-frigorífico. Ele estaria adequado aos padrões de higiene exigidos. "Só que eu não obtive uma resposta da secretaria e a gente foi tocando. Mas, como eu disse, com exceção de algumas cidades que já se regularizaram, os matadouros da região estão iguais ao nosso, ou piores que o nosso".

O prefeito disse que se a Secretaria aceitar o pedido, deve ser feito um estudo para levantar o orçamento necessário para a construção da obra. Gimenez acha que o fechamento do matadouro não assegura que a carne vendida em Bocaina seja fiscalizada. O abate clandestino pode ocorrer em maior escala, principalmente por parte do pequeno produtor que tem poucos animais.

"Não tem elemento humano para ficar acompanhando todos os açougueiros. O que eles puderem fazer eles vão fazer. Vai complicar mais ainda. Se tiver jeito, o cara vai abater".

O prefeito disse que Bariri deve ser a cidade fornecedora de carne para Bocaina, pois dispõe de frigorífico regulamentado.

Supermercadistas são contra fechamento

Açougueiros e supermercadistas de Bocaina não estão de acordo com o fechamento do matadouro por vários motivos. Um deles seria a dispensa de açougueiros, cujo trabalho se tornaria desnecessário com a vinda da carne dos frigoríficos, já cortada e embalada. O preço do produto também pode aumentar em razão do frete e também do preço da carne industrializada.

Segundo o proprietário do Supermercado Matoso, Carlos Matoso, 38 anos, a carne deve subir cerca de 20%. Ele diz que seu estoque deve durar até amanhã, quando terá que comprar a carne de algum frigorífico. Ele era um dos usuários do matadouro, que abatia uma quantidade variável de animais por semana, entre um e três bois. Ele aponta para o problema dos pequenos produtores que têm poucos animais e que agora não terão como abatê-los. "Para falar a verdade, realmente é um risco que pode ocorrer. Um açougueiro pequeno que só vai matar um boi por semana, como ele vai fazer? Vai matar no mato".

Matoso considera que o matadouro era bom e oferecia as condições de uso. "Nosso matadouro é bom. O boi é abatido lá certinho, tem higiene. A única coisa que faltava era uma caixa para captura dos ossos. Eu acho que era muito bom". Assim como o prefeito, Matoso também aponta que existem matadouros na região em piores condições que o de Bocaina.

Sobre as conseqüências do fechamento do matadouro, Matoso diz que "sem dúvida nenhuma isso vai acarretar em desemprego. Nós trabalhávamos com três açougueiros e mais uma pessoa que fazia o frete. Nós não vamos ter condições de segurar esses açougueiros ganhando o que eles ganhavam, vai ter que reduzir salário e até diminuir o quadro de funcionários. Vai dar alta na carne".

Segundo ele, o abate em matadouro barateia o preço da carne porque permite a comercialização de miúdos o que, na média, faz o preço baixar. "Eu acredito que vai subir até 20%. Pegou a gente meio rápido. No mínimo 20% vai subir".

O empresário diz que espera que o prefeito tenha vontade política de manter o matadouro. "Se tem algum problema de higiene, tem que ver qual que é e acertar. A gente espera que o prefeito acerte isso".

O proprietário do Hiper Mercado Moura, Antonio Moura, 42 anos, não vende carne do matadouro há um ano e meio. Ele passou a comprar carne para comercializar no seu mercado em frigoríficos. Segundo ele, as condições higiênicas do matadouro "sempre foram boas, sempre teve higiene". Para Moura, o matadouro deveria permanecer funcionando.

Opção

Na última sexta-feira, os ex-usuários do matadouro se reuniram com o prefeito de Bocaina para estudar uma solução para o problema do abate de animais na cidade.

Segundo o prefeito, ficou definido que o matadouro de Bariri, agora terceirizado, seria a opção para quem quiser abater animais. A cidade fica a 25 quilômetros de Bocaina, o que encarece o preço final do produto por causa do frete.

"Eles estão se adequando dentro das normas porque não pode ser matado com marreta e eles já colocaram o matador automático", justificou o prefeito.

A operação de abate seria feita da seguinte forma: os animais seriam levados até Bariri, abatidos e a carne retornaria para Bocaina. "A gente pegaria o boi aqui, levaria até Bariri, mataria com os profissionais deles e, em troco deles matarem e devolverem a carne aqui, eles ficariam com o couro e com a barrigada".

No entanto, não ficou absolutamente definido que os açougueiros aceitariam o novo esquema. Segundo o prefeito, "é uma opção até resolver o que vamos fazer. Mas não ficou uma coisa concretizada".

Gimenez disse que a nova operação de abate em Bariri deve aumentar o preço da carne na cidade. "Isso quem vai pagar, automaticamente, é o consumidor", disse.

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