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Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Miniaturas são hobby sério para adultos

Miniaturas são hobby sério para adultos

Texto: Gustavo Cândido

Embora pareça coisa de criança, desde a antigüidade que a miniaturização de objetos tem sido praticada com seriedade por adultos

Preparar a peça, pintar, montar e dar o toque final. A confecção de uma miniatura, seja ela qual for, é um processo delicado, que exige muita paciência, técnica e capricho. O hobby de lidar com miniaturas é, geralmente, associado às crianças ou adolescentes, mas na realidade

é mais praticado (e com muito mais propriedade) por adultos, que levam muito a sério essa atividade.

De acordo com Sandro Moretti, proprietário da Doctor Hobby, a única loja com modelos e acessórios de montagem de Bauru, a grande maioria dos seus clientes são adultos, com mais de 30 anos. Moretti, que tem 28 anos, também pratica o plastimodelismo e monta carros e aviões de plástico, que ficam em exibição na vitrine de sua loja de vezes em quando.

O eletricista industrial João Finotti Neto é um dos que leva o hobby bastante a sério. No porão de sua casa, ele construiu uma maquete de ferrovia que conta, atualmente, com 104 metros de trilhos, a maior ferrovia em miniatura da região. A paixão pelos trens começou cedo, quando via as locomotivas passarem perto de sua casa, em Garça. Em 1979 ele começou a juntar as peças e desde 1984 que vem aumentando sua ferrovia em miniatura, que para ele é como uma representação em escala menor da vida.

"É como se eu saísse da realidade do dia-a-dia e entrasse em outro mundo", diz.

Segundo Finotti, o ferreomodelismo é o segundo hobby mais praticado no mundo, depois da fotografia. Casado e pai de quatro filhos, o eletricista admite que a sua ferrovia é um grande

"brinquedo de marmanjo" e diz que aprendeu muita coisa com o hobby ao longo dos anos, como a arte da marcenaria, mecânica, eletrônica e artes plásticas. Os comentários sobre o hobby também fazem parte do dia-a-dia, "geralmente dizem: 'brincando com trenzinho com essa idade!', mas é isso comum. Todo homem tem uma criança dentro de si", afirma.

Oposição dentro de casa

"De 100 esposas, as 100 não gostam do hobby dos maridos", diz Marivaldo Campos Brito, 37 anos, tri-campeão paulista e campeão brasileiro de aeromodelismo na classe pylon racing. Segundo Brito, que deixou a prática de pilotar aviões em escala sem compromisso pela competição séria e vai representar o Brasil no campeonato mundial, em julho na Suécia, isso acontece porque nos períodos de folga que teriam para passar juntos, o marido vai sempre se dedicar ao hobby, deixando a esposa "em segundo plano". "A solução é tentar chamar a esposa para participar também", conta o segredo.

O valor de manutenção do hobby também é motivo para a reclamação das esposas, que, naturalmente mais econômicas não conseguem entender como os maridos podem gastar com coisinhas tão pequenas e sem importância,

"brinquedos". Geralmente as peças e modelos são importados, o que faz com que o custo "da brincadeira" seja um pouco alto, ainda mais nos dias de hoje. Sandro Moretti da Doctor Hobby, conta que existem clientes que compram peças para as suas ferrovias e modelos para montar, escondidos de suas esposas. "Um deles chega a desmontar tudo, colocar em baixo do banco do carro e só tirar algum tempo depois, juntando

às peças que tem em casa, sem que a mulher perceba", revela.

Brinquedo antigo

Embora pareça coisa de criança, desde a antigüidade que a miniaturização de objetos tem sido praticada por adultos. Os mais famosos exemplos são os soldadinhos de chumbo, até hoje colecionados em todo mundo, que serviam para ensaiar estratégias de guerra. "A miniaturas são delicadas demais, não são brinquedos para crianças", diz o estudante universitário Antonio Carlos Capaciutti, plastimodelista, que monta réplicas de aviões da Segunda Guerra Mundial. "Além de ser bastante didático e divertido, lidar com as miniaturas deixa a gente mais calmo e paciente. É uma verdadeira terapia", garante.

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