Centrinho firma convênio para implantes
Centrinho firma acordo para implantes
Texto: Adriana Rota
O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC/USP), o Centrinho, firmou mais um acordo internacional, dessa vez com o pesquisador sueco Lars Kristerson, especialista em implantes osseointegrados.
Dentista, especializado em cirurgia buco-maxilo-facial e implantologia, 68 anos, Kristerson aposentou-se como professor universitário nas disciplinas de transplante dental e cirurgia bucal da Universidade de Lund, na Suécia. Começou a lecionar na década de 60 e, em 1976, tomou contato com a técnica desenvolvida pelo médico anatomista Per-Ingvar Bronemark, conhecendo o estudioso pessoalmente. Hoje, viaja o mundo propagando o que aprendeu.
Kristerson disse ter vindo para Bauru a passeio, ficando impressionado com o trabalho desenvolvido pelo Centrinho. "Nunca vi coisa igual no mundo todo. Muito mais do que a técnica, o calor humano daqui é muito grande. A atmosfera é ótima", elogiou.
A visita do especialista, em companhia de sua esposa, a cirurgiã buco-maxilo-facial, Gunilla Andersson, 52 anos, rendeu também um acordo com o Centrinho, que prevê a vinda de Kristerson para Bauru uma vez por ano, por cerca de 10 dias, para ministrar cursos e acompanhar o trabalho de professores e alunos do hospital, gratuitamente. Em setembro próximo ele retorna para a primeira série de encontros.
Técnica
A técnica de implante osseointegrado consiste na utilização de parafusos de titânio para a fixação de próteses dentárias, em pessoas que por algum motivo
(nascença, velhice ou acidente) tenham um ou mais dentes ausentes. Em linhas gerais, age simulando uma raiz dental para dar firmeza à prótese a ser implantada.
É resultado de aproximadamente 25 anos de estudos realizados pelo, também sueco, Per-Ingvar Bronemark, que colocou a técnica em prática em 1942, continuando as pesquisas ao longo de sua vida.
O governo do País custou a admiti-la, alegando falta de comprovação científica. Até então, os implantes ficavam para fora da mucosa causando infecções.
Lars Kristerson chegou a aprender diretamente com o criador da técnica. Só há cerca de 20 anos ela começou a ser utilizada no mundo todo.
O especialista afirmou que no Japão, hoje, cerca de 30 outras técnicas são utilizadas, com a mesma finalidade, mas são ainda pouco pesquisadas, portanto, menos confiáveis do que essa.
De acordo com a diretora técnica do serviço odontológico do Centrinho, Maria Lúcia Rubo de Rezende, 40 anos, apesar da difusão da técnica e de uma tendência à popularização, o tratamento ainda é muito caro. "O Sistema Único de Saúde (SUS) cobre apenas parte do tratamento. Em clínica particular, um único dente pode sair por R$ 2 mil", disse. Segundo Maria Lúcia, o problema não é o material, que já é produzido no Brasil, mas a tecnologia para a execução do trabalho.
Serviço
O Centrinho tem um programa de atendimento a pacientes da comunidade, através da Sociedade de Promoção do Fissurado Lábio-Palatal (Profis). O endereço é rua Sílvio Marchioni, 3-19. O telefone é 223-6691