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Márcia Buzalaf
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Inflação pode gerar revisão no dissídio coletivo

Inflação pode gerar revisão no dissídio salarial

Texto: Márcia Buzalaf

Alguns sindicatos podem rever o dissídio salarial do ano passado com base na perspectiva de volta da inflação. Com o próprio governo federal trabalhando com a hipótese de uma inflação de 10% este ano, os sindicatos já estão procurando seus representantes legais para rediscutirem o dissídio coletivo.

De acordo com Jorge Luiz Xavier, 39 anos, diretor do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas de Telefônicas no Estado de São Paulo (Sintetel), a atitude a ser tomada é de revisão do dissídio da categoria, que deu reajuste de 0% para os trabalhadores. "Nós estamos tentando rever com a Telefonica nossos salários", completa.

A discussão está tomando mais representação hoje, quando os sindicatos regionais se reúnem com a direção da Telefonica. "Com a inflação crescendo, nosso medo é de que o governo deixe para repassar isso só no ano que vem - se repassar, né?", indaga Xavier.

O primeiro passo a ser tomado, explica Xavier, é conversar com a própria Telefonica para ver se existe a possibilidade de revisão, frente à atual mudança econômica.

Outro passo a ser dado pelos representantes jurídicos do sindicato é entrar em conversação também com a Agência Nacional de Telecomunicações

(Anatel), antiga Telebrás.

A negociação vai partir do sindicato estadual - representando os sindicatos regionais.

Xavier afirma que, além da pressão financeira que a categoria está sofrendo com a manutenção do salário do ano passado, está a pressão da demissão dentro da empresa.

Aposentados

Outra categoria que afirma ter sofrido bastante com alterações conjunturais do ano passado e com a mudança de rumo da política econômica já este ano são os aposentados. Esta é a afirmação do presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, Mário da Paz Pereira.

De acordo com Pereira, entre as várias modificações propostas no ano passado, a principal delas é a desvinculação do reajuste salarial dos aposentados aos índices do salário mínimo. "Isso, ele fez através de uma Medida Provisória", diz Pereira.

Atualmente, ironiza Pereira, "a população está caindo no Real". Nem os sindicatos, de acordo com ele, têm representatividade junto ao governo federal.

A situação dos aposentados, no entanto, é ainda pior do que a das categorias com representantes sindicais. Segundo Pereira, os aposentados são desprivilegiados por não terem mais "poder de barganha" para negociar.

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