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Josefa Cunha
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Nilson quer devassa nas contas da Cohab

Nilson quer devassa nas contas da Cohab

Texto: Josefa Cunha

O prefeito Nilson Costa vai determinar aos membros do Conselho Fiscal da Cohab que tomarão posse neste próximo sábado a realização de uma verdadeira devassa nas contas da empresa. A medida, segundo adiantou ontem o chefe de Gabinete, Darci da Luz, pretende esclarecer a procedência de recentes boatos envolvendo a atual diretoria da companhia.

Pelo estatuto da empresa, diretores e funcionários têm direito à participação nos lucros quando o balancete anual registra desempenho positivo. Para os integrantes da diretoria, o "extra" corresponde a um salário e meio. Os boatos que correm são de que as contas relativas ao exercício de 1998 teriam sido alteradas a fim de demonstrar saldo positivo no período. Com isso, a diretoria cessante, indicada pelo prefeito afastado Antonio Izzo Filho, estaria recebendo suas "participações".

Ao contrário do que informou anteontem a assessoria de imprensa da Prefeitura, ainda não se conhece os números do balanço da Cohab referentes ao ano passado. Embora ainda não empossado, o futuro Conselho Fiscal, que representa os interesses da sócia majoritária - a Prefeitura, no caso - já está incumbido de verificar os balancetes e eventuais pagamentos feitos a funcionários e diretores.

A diretoria que será indicada por Nilson Costa tem também outro compromisso pré-agendado: levantar a situação do quadro de pessoal. Quando assumiu a administração em agosto, por conta da cassação de Izzo Filho, Nilson estabeleceu a rescisão dos contratos temporários

(funcionários comissionados empregados no chamado "cabidão), cujos vencimentos ocorreriam, na grande maioria, em dezembro último. No início de dezembro, porém, Izzo Filho reassumiu o cargo, suspendendo, segundo informações extra-oficiais, as rescisões e realizando novas contratações. Nilson Costa quer agora saber sobre a viabilidade de retomar a política de enxugamento.

Outra providência paralela da diretoria a ser empossada diz respeito a mudanças no estatuto da Cohab. Entre as alterações em estudo está justamente a extinção da participação nos lucros. Nilson Costa entende que não há razão para o pagamento desses extras, especialmente pelo caráter social da companhia.

O prefeito, aliás, é contra o privilégio salarial do qual gozam a diretoria e assessores comissionados da Cohab. Seus salários, segundo Darci da Luz, giram em torno de R$ 5,5 mil, quase 60% a mais do que os vencimentos dos secretários municipais. A proposta de reformulação do estatuto, inclusive, cogita a redução dos vencimentos do primeiro e segundo escalões da Cohab, equiparando-os aos dos secretários e demais assessores.

Assembléia pode ter reforço policial

A Prefeitura deverá solicitar entre hoje e amanhã um esquema especial de policiamento para a assembléia da Cohab, neste sábado, a partir das 9 horas. O chefe de Gabinete, Darci da Luz, informou que colaboradores do prefeito afastado Antonio Izzo Filho estariam prometendo um "movimento" para a ocasião da assembléia, motivo pelo qual julga-se necessário o reforço policial.

A realização da assembléia foi precedida por uma verdadeira quebra-de-braço entre os atuais diretores e a administração Nilson Costa. Nilson pretendia convocá-la para o dia 15 deste mês, mas uma liminar concedida em favor dos diretores hoje em exercício a transferiu para o dia 27 de fevereiro. A intenção de protelar a assembléia deu-se em razão da possibilidade de Izzo retornar ao cargo antes de sua realização. Caso ele voltasse, os atuais diretores permaneceriam nos cargos. Como o Tribunal de Justiça adiou sua decisão sobre o retorno de Izzo, haverá tempo hábil para Nilson colocar seus indicados na direção da Cohab. Por conta dessa polêmica decorrente das divergências políticas, receia-se que haja algum tipo de manifestação durante a assembléia. "Vamos pedir o comparecimento da Polícia Militar a fim de assegurar a integridade física do pessoal", justificou Darci da Luz.

O suspense sobre o nome do futuro presidente da Cohab ainda continua, apesar de as especulações apontarem Daltair Valim, chefe de Gabinete do ex-prefeito Tidei de Lima, como o escolhido. Por enquanto, confirmados como conselheiros estão Constante Mogioni, José Tavares, José Carlos Dias da Silva, Dorival Cruz, Vanderlei José Francisco e Alcides Monora, que substitui Faukecefres Savi, presidente nomeado na primeira gestão de Nilson.

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