Indústria argentina acredita no fortalecimento do Mercosul
Indústria argentina acredita no fortalecimento do Mercosul
Texto: Márcia Buzalaf
A fábrica argentina de doces Arcor, em visita a Bauru na quarta-feira, demonstrou a intenção de fortalecer o bloco de Cone Sul em saída para a crise brasileira e, conseqüentemente, o efeito em cascata que os outros países sul-americanos podem sofrer. Esta é a afirmação do engenheiro e gerente de gestão de negócios do Grupo Arcor, Oscar J. Ghersi. Segundo ele, a América do Sul deve se voltar para um mercado mais regional.
O Grupo Arcor (palavra originada da junção de Arroyi e Cordoba, cidade e região onde a indústria foi originada) construiu, nos 50 anos de existência, 39 indústrias espalhadas pelos países sul-americanos.
Entre estas indústrias, Ghersi destaca o Brasil como um dos principais mercados, além do Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Na Europa e na Ásia, a Arcor apenas exporta, não mantendo nenhuma fábrica nestas regiões.
Em visita a três empresas nacionais - Tilibra, Gessy Lever e o Grupo Abril - Ghersi afirmou ter tido uma visão mais otimista do mercado brasileiro do que esperava.
A economia argentina, segundo Ghersi, está longe de optar por atitudes protecionistas em relação ao mercado interno. A filosofia do Grupo Arcor, segundo ele afirma, é de fazer um produto para o mundo, e não apenas para o mercado argentino. Ghersi afirma que qualquer medida protecionista que fosse tomada neste momento seria precipitada.
A atual desvalorização do real criou uma onda de preocupação nos outros países da América do Sul. Segundo Ghersi, todos os países emergentes foram afetados pela mudança na política cambial brasileira. Antes de agir, a Argentina está na expectativa do comportamento do real frente ao dólar.
De acordo com Ghersi, o Grupo Arcor é forte o suficiente para suportar a crise econômica. "Com o processo de globalização, tanto na Rússia, quanto na América e nos países orientais, todos nós estamos sendo afetados, isso, lamentavelmente, nos afeta e nos retrai", completa Ghersi.
Ele acredita que o maior problema que afeta o Brasil e a Argentina
é a recessão, a queda no ritmo do processo produtivo dos dois países. Um dos fatores que motivou esta retraída no mercado internacional é a falta de demanda. "Estão parando os processos produtivos", alerta Ghersi.
A lição tirada desta experiência é de que a economia regional do Mercosul pode não estar preparada para o mercado livre. "Podemos enxergar a necessidade de melhora, de cuidar das frentes de trabalho, para sobreviver a esta globalização", alega.
Mesmo assim, ele afirma que o paradigma de que apenas os japoneses teriam êxito no mercado mundial já está devidamente sepultada. Segundo Ghersi, os latino-americanos mostraram, nos
últimos anos, a força dos seus produtos. "A indústria brasileira e a argentina estão mostrando um resultado melhor do que o da indústria japonesa", completa Ghersi.