Diretoras da ECCB denunciam coação
Diretoras da ECCB denunciam coação
Texto: Josefa Cunha
Em depoimento prestado ontem no 3.º Distrito Policial, as empresárias Nerle e Carmem Quaggio, diretoras da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), declararam que foram coagidas a desmentir as acusações que fizeram no Ministério Público contra Antonio Izzo Filho. O fato teria ocorrido no mês passado e, no entender da Promotoria e autoridades policiais que as ouviram na manhã de ontem, compromete ainda mais o prefeito afastado no caso da extorsão contra a ECCB.
A nova revelação já está sendo investigada pelo delegado assistente da Seccional de Polícia, Édson Cardia, que preside inquérito sobre o caso. A coação, segundo declararam as empresárias, teria ocorrido num dia bastante chuvoso, em uma residência próximas ao Bauru Shopping Center. Lá, elas foram recebidas por um homem que se dizia enviado do prefeito afastado Antonio Izzo Filho. As depoentes descreveram as características físicas do "mensageiro" e da casa onde a reunião aconteceu. Cardia disse que já estão sendo feitas diligências a fim de identificar o local e o nome do tal enviado.
Nerle e Carmem disseram que foram chamadas para tratar de assuntos referentes à empresa, mas, ao chegar, perceberam a verdadeira intenção. O mensageiro lhes teria apresentado dois impressos de natureza declaratória. O primeiro trazia um texto de retratação em nome das empresárias, que se recusaram a assiná-lo. No outro, que acabou sendo subscrito, as diretoras da ECCB declararam que nada têm de pessoal contra Izzo Filho. Édson Cardia acha que esse documento foi produzido propositadamente para ser usado em outra oportunidade. O delegado também acredita que a ausência das empresárias nos depoimentos anteriores - elas faltaram por três vezes consecutivas - foi motivada pela coação.
Além de apresentar o novo e importante fato, Nerle e Carmem Quaggio ratificaram integralmente as declarações que já haviam prestado ao Ministério Público. Confirmaram o pagamento de propinas, o esquema de entrega dos valores e o envolvimento de Antonio Izzo Filho, do ex-diretor administrativo da ECCB, Adhemar Previdello, e o do ex-presidente da Emdurb, André Torrens.
Por conta do novo fato e da sustentação das denúncias anteriores, Édson Cardia afirma ser imprescindível a intimação de Antonio Izzo Filho no inquérito. Ele adiantou fará a convocação e, se necessário, exigirá coercivamente o comparecimento do prefeito afastado para prestar esclarecimentos. Izzo já está indiciado e deve ser chamado ao 3.º DP nos próximos dias. Até o momento, as provas colhidas estariam confirmando a prática da extorsão contra a ECCB.