Consórcio se mantém estável no mercado
Consórcio se mantém estável no mercado
Texto: Márcia BuzalafGozando de uma tranqüilidade de quem bóia no meio da tempestade, o mercado de consórcio está se mantendo estável, apesar dos meses mais conturbados da economia terem coincidido com aqueles de diminuição no número de consorciados, de dezembro a fevereiro. A informação
é do presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), Vitor César Bonvino, 47 anos.De acordo com a Abac, o consórcio está começando a ganhar a visibilidade que desejava. Apesar de ser um setor que se movimenta de forma lenta, a expectativa de crescimento para este ano gira em torno de 10% a 15%. "Quer dizer, os 2,6 milhões consorciados ativos iriam para 2,85 milhões", explica Bonvino.
Uma das questões macroeconômicas que mais beneficiaram indiretamente o mercado de consórcios nos últimos meses, segundo Bonvino, foi a desvalorização do real. "Como nós não sofremos este impacto, o consórcio ganha na visibilidade", explica ele.
A influência negativa que a mudança na política econômica desencadeou nos consumidores que possuiam contratos de leasing também colaborou para que o mercado de mantenha estável. "O mercado está ganhando visibilidade. Nada mudou no consórcio", completa.
Apesar de afirmar que os dois tipos de comercialização de bens não são concorrentes diretos, já que, no consórcio, o bem não é adquirido no momento da compra, Bonvino afirma que este fator realmente influenciou a imagem que o consumidor tem dos consórcios.
As taxas de juros também estão mais atrativas. A taxa de juros anual cobrada em média nos consórcios, afirma Bonvino, é de 0,3% ao mês. O custo que as administradoras do consórcio cobram - que equivale aos juros que corrigem as prestações -, segundo Bonvini,
é o menor. "Enquanto no mercado os juros são de 3,5% a 4% por mês, o custo nosso é 0,3% ao mês. Por este motivo, quem puder esperar, vai optar pelo consórcio", afirma ele.
As duas situações econômicas que podem prejudicar o mercado de consórcios são os opostos recessão e inflação. "Cada vez que o país experimenta uma recessão na atividade econômica, todo mundo perde
- e o consórcio não é diferente", diz Bonvino.
Apesar de afirmar que a inflação, neste momento, pode prejudicar os consórcios, Bonvino conta que o setor sobreviveu durante o período de alta inflação.
"Ele é um sistema cooperativado de aquisição e é diluído ao longo do tempo, já que é um sistema de médio a longo prazo", completa Bonvino.
98
No ano passado, o mercado de consórcios fechou com uma movimentação de 2,6 milhões consorciados ativos, englobando, neste número, todos os segmentos de todos os produtos.
A movimentação financeira do exercício de 98 atingiu a meta estipulada pela Abac e noticiada pelo Jornal da Cidade em outubro do ano passado: R$ 10 bilhões. Neste caso, a movimentação financeira passaria para R$ 11 bilhões no final deste ano.
A movimentação financeira dos consórcios, Bonvino explica, é a junção dos pagamentos dos consorciados para a compra dos 16 mil automóveis, as 200 mil motocicletas, além dos outros produtos que englobam o setor de consórcios, como imóveis, eletroeletrônicos, bens móveis duráveis e bens importados.
Outro fator que colaborou para a proximidade com o consumidor, Bonvini alega, foi a maior flexibilidade nas cláusulas contratuais dos consórcios. Desde 96, itens rigidamente estipulados com relação ao lance e ao prazo dos consórcios vem sendo flexibilizados, se adequando ao perfil de cada comprador. "Antes, o consumidor comprava o que o governo oferecia, agora, o consumidor que define o que quer comprar", completa.
Um dos problemas que também atingem o mercado de consórcios
é a inadimplência. Segundo a Abac, no índice geral de inadimplência passou de 17,3% em dezembro de 96 para 19,1% no mesmo mês de 97 e 19,7% em dezembro passado.
Impostos
A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), aprovada na última quarta-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de 10% para 5% nos carros populares e de 25% a 30% nos carros médios para 17%, segundo Bonvino, também pode ajudar os consórcios.
O reflexo pode ajudar o setor na medida em que reduz o preço do automóvel novo. Bonvino diz que espera, inclusive, que os governadores estaduais se sensibilizem e reduzam, também, o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços
(ICMS).
Consórcio de usados passa a ter referencial em porcentagem
O mercado de consórcio de usados, segundo Bonvini, também tem perspectivas positivas da Abac. Algumas administradoras de consórcios de São Paulo já estão comercializando os produtos usados depois da autorização editada pelo Banco Central há 15 dias.
O consórcio de usados, segundo Bonvini, funciona da seguinte forma: o crédito é referenciado em um percentual do bem novo.
A proposta da Abac é que o crédito seja correspondente a pelo menos 80% do valor do bem, o que diminuiria o valor da prestação em 20% e garantiria uma equivalência de valores independentemente do preço do produto novo.
"Isso significa que, subindo ou descendo o preço do carro novo, o valor do crédito era de 80% deste valor", assegura Bonvino.
O Banco Central aprovou a proposta da Abac, mas deixou a cargo das administradoras o direito de estabelecer a taxa referencial.
"A Abac vai sugerir ao associado que o percentual seja, no mínimo, de 65%, para que a pessoa não acabe comprando um carro muito velho.