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Despejo

Paulo Toledo
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Ações de despejo caem 32% no bimestre

Ações de despejo caem 32% no bimestre

Texto: Paulo Toledo

O número de ações de despejo por falta de pagamento de aluguel teve uma redução de 31,93%, no primeiro bimestre de 99, em relação ao mesmo período do ano anterior, caindo de 119 para 81. No mês de fevereiro, quando os pedidos foram de 45, houve uma redução de 51,61%, em relação aos 93 do mesmo mês de 98 (veja quadro), segundo levantamentos do diretor do Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva, 42 anos.

Os três despejos por ação ordinária, aqueles que são feitos por interesse do proprietário em reaver o imóvel, representaram um aumento de 33,3%, em relação aos dois do primeiro bimestre de 98.

A presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), Wânia Pôrto, 43 anos, disse que dois fatores colaboraram para a queda das ações de despejo por falta de pagamento: o Carnaval, que reduz a disposição de muitos de entrar com ações, além de outras atividades econômicas; e as negociações entre proprietários e inquilinos.

A presidente da Aciba diz estar havendo uma maior negociação entre proprietários e inquilinos, para evitar que seja necessário chegar ao ponto de ter que se entrar com uma ação judicial para retirada do inadimplente do imóvel. Wânia Pôrto afirma que, atualmente, a maior inadimplência está nas locações comerciais.

O delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis

(Creci), Giasone Albuquerque Cândia, 56 anos, diz que estão ocorrendo muitos acordos para acertos das dívidas pendentes com os aluguéis. Para ele, o fato da Justiça ter um trâmite lento é um fator que favorece os acordo, que são mais rápidos para contornar os atrasos. Giasone diz os proprietários e as administradoras estão abertas à negociação, como forma de evitar as ações judiciais.

Porém, afirma ele, as pessoas continuaram a entrar com ações de despejo, para garantir seus direitos.

O economista Reinaldo César Cafeo, 37 anos, afirma que as negociações são uma realidade, principalmente, pela oferta maior do que a procura no mercado. Para ele, isso faz com que os proprietários sejam mais tolerantes, até, para evitar perder o inquilino, que já não são tão fiéis ao local em que estão, mas sim

à sua possibilidade de pagar. "Não é que não ocorra inadimplência. Há é mais tolerância", afirmou.

Rapidez

Exemplos de acordos entre proprietários e inquilinos podem ser vistos diariamente nas imobiliárias de Bauru. O cabelereiro Ademir José de Oliveira, 29 anos, proprietário de um imóvel comercial na região do Sambódromo, fechou um acordo, ontem, com a inquilina que está deixando o imóvel e devia três meses de aluguel.

Oliveira disse que o acordo pode não ter sido exatamente aquilo que ele desejava, mas evitou uma série de dores de cabeças com a morosidade da Justiça. Além disso, ele levou em consideração a falta de recursos da família, cujo marido está impossibilitado de trabalhar. "A família não tinha condições de acertar da maneira que gostaria. Então, hoje em dia,

é necessário abrir mão. Não adianta ficar batendo o pé, se há possibilidade de fazer um acerto mais rápido", afirmou.

Oliveira diz que, caso o problema caísse na Justiça, a primeira audiência só ocorreria dentro de quatro ou cinco meses. Caso não houvesse acordo, seria marcada outra audiência para cerca de dois meses depois. Partindo dessa premissa, o proprietário resolve acertar o parcelamento da dívida de aproximadamente R$ 1,2 mil em seis vezes e, ainda, que a inquilina enviasse um pedreiro para colocar o imóvel nas mesmas condições que encontrou. A imobiliária também fez parte do acordo, abrindo mão de alguns valores que teria a receber. "É melhor fazer um acordo que não satisfaça integralmente, mas que seja rápido e sem mais problemas para as duas partes", afirmou.

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